“Para não ferir ninguém”: evite armas, exceda na fé cristã!


Inicio minha reflexão como se estivesse com meu “diário de bordo”, dois de novembro de 2017 , quinta feira, meu último post acabara de ser publicado, todos envolvidos com a triste noticia do desaparecimento da pequena Allana Ludmila, na capital do estado... Novembro que era doce, podendo ser somente Azul para os cuidados e prevenção, ficou muito escuro pelos lutos, pela banalização da vida, pelo excesso da violência!  Levantar cedo nesse dia, e ir levar nossas homenagens aos entes queridos no cemitério local.  Nessa manhã, a Celebração Eucarística nos convoca a sermos solidários com quem está entre nós, a declarar nossa união, fortalecer os vínculos, nos chama a conviver como verdadeiros irmãos, porque não basta chorar a dor da perda...  de inicio não tem como não lembrar do assassinato de nosso irmão Sodré, de ouvir o refrão do bonito hino  “ Me chamaste para caminhar na vida contigo, decidir para sempre seguir-te , não voltar atrás...” São sete anos que ele fora chamado para junto do Pai, sete anos em que lidamos com a perplexa dor da perda, das boas lembranças,  de lembrar que Deus tem se manifestado em nossas vidas nesses quatro anos de fé e oração de nossa  mãe e os cuidados com nosso pai.
Nossa! Minha escrita sobre nosso Novembro, mês da saudade, também mês de festas, de folguedos, de celebrações, lembrei-me de um livro que li há vários anos “Ei, tem alguém aí”?  no livro o autor fala da inocente criança que na expectativa da chegada de  outro irmão, encontra em seu pomar um “ser de outro planeta”, travam diálogo, perguntando sobre diferentes coisas com que convivemos nesse nosso mundo;  e a gente vai crescendo, achando que todas as pessoas que trazem um sorriso largo no rosto são as melhores do mundo, “que são desse mesmo planeta que o nosso”,  nas correrias , ao responder sobre nossos dias , dizemos, “normal, comum, igual aos demais” , porém não há dias iguais! Seria um dia comum para a menina Alana que na ausência da mãe soubera comportar-se para que ninguém a atingisse,   seria muito comum para a inocente Camila na cidade de Teresina quando voltara para casa rotineiramente , fora mais uma vez “a balada” com seu jovem namorado, e seria muito comum para o cidadão Diego Granjeiro naturalizado em Belagua, ter recentemente celebrado a vida do filho, conviver diariamente com alguém, deitar-se, dormir  e exceder-se na confiança; sim muito comum!  Infelizmente, para os três casos, o final foi extremamente trágico! “Há tantas mãos boas por aí enganando a gente”, mãos que se prontificam em abrir as portas, que afiam as facas  ou que apertam os gatilhos,  mãos que rezam e não se doam, que “zelam” por nosso sono, mãos que se articulam tão bem, mãos que se fazem de santas no entanto, usam todos os argumentos tomadas pelo inimigo, dominadas pelos males que detonam a humanidade: a inveja, a ganancia, o egoísmo, os ciúmes exagerados, as vaidades sem fim ! Pedir perdão, voltar atrás em uma decisão, ninguém quer; comprometer-se em ser mais amoroso e gentil com quem precisa é um desperdício, promover um gesto concreto em favor dos mais humildes é um despropósito, exceto se for para as redes sociais... eu diria muito mais e porque sou humana,  também fico dominada pela raiva, pela total indignação,  contudo esbarro na frase do Papa Francisco: Quem sou eu para julgar!? Quem somos nós para dizer que na ausência do amor real, as pessoas vivem umas relações forjadas, encenando sorrisos e prontidão? Quem somos nós para falarmos de tantas outras carências sem quem antes falemos das nossas? Quem somos nós e o que temos semeado ao longo dos caminhos por onde passamos? Quem realmente somos e como tem sido nossas representações?
Nesse quatro de novembro, eu narraria qualquer outra história, porém fui tomada por essa  ingrata surpresa nas redes socais... depois em conversa com uma amiga, quis me situar e poder dar essas respostas:  “EU como tá TU” manifestação de carinho de quem olha para o outro com a fraterna intenção, “eu” está aqui escrevendo pela dor de tantos outros, estou aqui ainda sem acreditar de que TU foste tirado de nosso convívio tão tragicamente, penso que TU deves está no céu perto do Pai que te chamou mais cedo porque tens aí outra missão, penso que TU estás  aí “impressionando os anjos” como a canção que escolheu a jovem na bonita homenagem do vídeo, TU ao chegar na cidade em que tua mãe se naturalizou e ajudou a construir com os demais professores no mínimo te perguntaste: Por que tanto fogos e música  em minha última  despedida? Na escolha da canção de Asa Branca... na harmonia dos sons que misturavam-se com os soluços entalados,  na interlocução TU pronunciavas     “ adeus amigos, guardem consigo meu coração”! Porque todos aqueles que te viram indo e vindo nesses 20 anos  de estada de teus pais, disseram-no de tua alegria, de tua franca amizade, do jeito simples de ser! Doce Novembro Escuro, “a gente” não imaginou que houvesse sangue! Não imaginou que  houvessem lágrimas e tantas dores nessa passagem de aniversario da cidade de Belágua... não imaginou que houvesse tanta perversidade ! Eu o conheci tão pouco, travamos breves diálogos , entre eles, “o fato do carro de nosso amigo em comum , não ter redução de marcha, sorriste com essa desfeita”; de teu respeito, ao dizer que eu havia tirado um longo cochilo naquela reunião, mas que não faria a minha foto! Ei, tem alguém aí que se incomoda contigo, com teu sorriso, com tua espontaneidade, foi o que pensei! “Que terrível arma, querido, valente de Deus, foi usada para paralisar tua fé”? Quem meu irmão, deixou de lado, “a vitória em comum” e não quis mais sondar o coração de Deus?
Li quase todas as mensagens e homenagens, eu também fui ferida brutalmente quando executaram nosso irmão, todos foram atingidos quando tiraram a vida da menina Maisa, da trágica morte de outros inocentes, temos sido todos os dias "executados" por tanta maldade; hoje são sete dias da ausência do filho, irmão, pai amoroso, cidadão benquisto na cidade de Belágua... na residência dos pais, o acolhimento dos amigos e conhecidos, a pronta resposta da mãe, “eu o recebi com fogos e com músicas porque meu filho era alegre demais”, diz que guardará apenas as boas impressões e lembranças, “eu não o vejo morto”; comigo mesma lembrei de uma canção que se parece muito com meu querido compadre , cantada dia 02 de novembro, “amor tão grande , amor tão forte, amor suave, amor sem fim, que a própria morte , transforma em vida... mais do que a morte é mais forte esse amor” assim será porque ele viverá nos corações de homens e mulheres de bem por longos anos, pronunciava-se a irmã. “Para não ferir ninguém, eu vim te procurar, alguém me machucou e eu não pude nem chorar...” Que esse luto que agora sentimos seja nosso substantivo, para que outros irmãos, pais , filhos e amigos acolham a cultura da paz, do exercício da oração! Meus queridos irmãos, com que armas LUTO?




Diver (sas)cidades: onde moro __ soma, resgata e multiplica!?

“Palavras não mudam o mundo”, bem sei; uma boa iniciativa agregada às atitudes do bem isso sim transformam diferentes realidades! Dia desses aí, em minha página social, postei uma bobagem , dessas metáforas que não te acrescentam em nada , preciso repeti-la (infelizmente) para poder adiantar a conversa: “entendo de semântica do mesmo jeito que compreendo de álgebra”, e essa onda de transversalidade sempre me assustou; ainda assim nesse meu post vou na direção contrária daquilo que afirmo anteriormente, para adquirir confiança e por admitir que a prioridade absoluta em todos os campos são as parcerias, a coletividade, o bom senso, a cooperação!

Em meio a tantas artes e culturas importadas, quero falar de nós, de nossas essências, de nossas expressões, de nossos trabalhos, falar de centenas de “gente” que se propõe a contribuir, a somar e multiplicar, apesar dos percalços, da nocividade disseminada pela crise! Nossa história, nosso município. De onde falo, na condição e no exercício da função, desde que comecei , incito para o compartilhamento de experiências, para sairmos das quatro paredes, dos quadros e dos papeis  para,  em posse da informação, irmos para os anais de nossa instituição,  de nossa cidade. Fiz esse prólogo e quase me antecipei nas repetições, sou prolixa na construção da escrita, mania de repetir o óbvio, alegro-me com as reações positivas, acato sugestões  e quando me sinto acuada diante de qualquer desafio, busco a tese para que iluminada encontre os argumentos necessários. Ressignificar as diferenças e sobretudo as diversidades das quais tanto falamos; em colegiado compreender que toda e qualquer cultura ou  tecnologia inovadora não substituem a prática do diálogo e do consenso para um bem comum! Quero falar de uma coisa, e falarei: de nosso imaginário, desde que planejamos as primeiras ações, muitos de nossos pares tem demonstrado melhor autoconfiança, para a maior parte deles é indiscutível que os trabalhos apresentados nos Saraus que promovemos há cinco anos, dão-lhes novos conceitos, promovem em si próprios a autoestima, sobre coadjuvantes .... eles também aparecem na fita, do contrário, a olhos nus não seriam identificados.
Pois bem, trago como objeto de apreciação e crítica, meu olhar sobre o Fórum de Leitura, de algumas propostas modificadas, da valorização do profissional que executa as atividades na sala de aula, das possibilidades de interação e troca de saberes, de uma cultura que é nossa e que por alguns descuidos desconhecemos, da desapropriação do Projeto para que outros olhares identifiquem conceitos! Muito fácil para mim, desestimular meus colegas em se tratando de diversidade, da soma de culturas e do resgate das histórias quando eu mesma não promovo essa valorização! Quando penso que em  fazendo a minha parte (como alunos secundaristas) terei mais ou melhor reconhecimento!  Fácil demais reproduzir a fala de alguém que ouviu dizer de que o projeto “um passeio na roça, o cotidiano das comunidades rurais” não acrescenta em nada meus conhecimentos teóricos, não ajuda na leitura de meus alunos! Facílimo dizer, sem sair de minha comodidade que precisamos planejar melhor nossas atividades, dividir em qualidades nossas atribuições se dentro de mim pairam as dúvidas sobre meu exercício! Superlativos me faltariam para engradecer e elogiar nosso trabalho, é minha opinião, baseada em minhas leituras, e possibilidades expostas! Aplausos, sobretudo aos alunos expositores dos trabalhos trazidos! Obrigada Andressa de Sousa, Marcos Willian, Alex Lisboa, Graziele  Sousa , Samara Brito e Thaisa Evangelista  a participação de vocês engrandeceu ainda mais nosso  V FÓRUM MUNICIPAL DE LEITURA, precisamos nos orgulhar de vocês ! Destacar a contribuição do meu amigo, sociólogo Professor Iran Avellar, sublimar mais essa vez aqueles “piquenos” do Ana Angelica com a releitura de Lampião e Maria Bonita de Raquel de Queiroz; nas “vozes que fazem a diferença”, ouvindo os moradores, a diversidade cultural em cada detalhe, que compreendem que nossa cidade tem história, que auxiliam na redescoberta de novos conhecimentos,  que saem da sala de aula para atravessar os rios e visitar as palmeiras, quer seja de juçaras, quer seja de buritis ; Balaiando, deu trabalho e altivez , de ver e participar, das interações e da vaidade coletiva,  conversando, resgatando e apropriando-se literalmente de novas cidadanias,  pedindo abrigo noutros municípios, nas trilhas de nossa cidade ! O despertar dos talentos nordestinos hoje faz parte do repertorio dos nossos jovens do Polo VIII acrescentou o repertório dos alunos; penso que movimentamos e conseguimos incentivar para a leitura... De agora sentada, defronte o notebook, me veio a mente a Sétima Arte, essa linda arte, como se eu estivesse vendo todas as exposições, ouvindo minhas próprias palavras de incentivo, de gratidão, de reconhecimento, como se eu estivesse lendo as mensagens que alguns colegas lembram de nos enviar “tudo muito proveitoso, mas na ausência da perfeição, pode ser melhorado”! Minha cidade tem histórias, outras tantas, na participação do evento em Itapecuru na AGRITEC com nossa tiquira natural, com nosso artesanato das senhoras de minha cidade; na reconstrução das estradas que dão melhores acessos; tem histórias, trazendo nossos meninos da zona rural, e eles mesmos enunciarem “ nunca imaginei que pudesse está aqui , defendendo um trabalho para tanta gente”; tem histórias participando do projeto Balaiada com vistas a colocar nosso município numa rota de turismo, de valorização de cultura, na descoberta da fatos, do conhecer a Geografia; respeitando os profissionais nas diferentes áreas ! Quantas histórias ! E nessa edição de Fórum, nas coreografias culturais apresentadas, na voz e violão da menina Larissa Mesquita, nos stands ricos de artefatos, de alegria, de cores, de significados e grandes significantes, nos detalhes, nas observações necessárias apresentadas por quem adora compartilhar...
Encerrei minha fala naquele momento oportuno, agradecendo a Deus, fazendo uma citação feliz de nosso pai, agradecendo a nossa Prefeita Iracema Vale, aos membros do legislativo, a todas os colegas que compõem nossa equipe, estendendo aos que dirigem ou coordenam,  agradecendo aos professores de modo muito particular; e ainda  com uma passagem Biblica que diz “dai a Cesar o que é de Cesar”,  para reforçar a leitura, o sucesso e o desmembramento das expositoras que se colocaram a serviço para facilitar “o caminhar” daquelas crianças, do terceiro ano, no processo, na harmonia do trabalho entre as três colegas, nos depoimentos dos pais, na aceitação do desafio, sinto orgulho de nossa classe,  nesse exemplo e tantos outros que acompanho por aqui  “mérito vem com o tempo, vem com a humildade da doação”.  Minhas caras, em nome de vocês Francisca Claudia , Divina Dutra, Gildemar Batista reforço minha reflexão: Minha querida cidade , como tenho feito para somar, multiplicar e compartilhar? No quesito diversidade, não me basta dizer todas as conjugações se me faltarem "os papeis"! Lancemos as redes sejam quais forem as profundidades das águas; a par disso, semear é preciso apesar dos joios! Na repetição das palavras: “Eis-me aqui”!


As emoções, a lógica, a (ir)racionalidade: a supera(SÃO)


Créditos de amigos: Canção Nova /Prof@Nona
Procuro  desde que comecei meus primeiros escritos defini a modalidade que melhor caracteriza meus “treinos”, considerando as liberdades poéticas, escrevo em prosa e em verso, faço homenagem, adquiro concessões graduais de ou outro leitor, e assim vou sustentando minha página, desse modo publiquei meus dois livros. Queria muito para cada data especial trazer um tributo, deixar em relevo os méritos merecidos de profissionais gigantes que temos espalhados por esse município afora, entre milhares que espalham amor, alegria, distribuem emoção; frutos da vontade quiçá de pequenos agentes transformadores. E nos últimos dias, me faltou disposição, sobrou o tempo para a devoção. Sinto-me lisonjeada quando depois da penúltima escrita recebi manifestação pessoal de alguns leitores! A gente sente quando faz parte da história!
Da festa "Uma noite em Paris! Gratidão
Estive ausente de minha cidade entre os dias nove e dezesseis de Outubro, mas usei meu caderninho para duas ou três passagens sobre o que eu  pretendia escrever... com pesar no inicio do mês fomos notificados e tomados em choque pela triste noticia do incêndio que vitimou fatalmente uma professora e oito crianças em uma creche num município de Minas Gerais, os municípios ficaram de luto; todos se emocionaram com tamanho gesto de crueldade, o país inteiro chorou e aprovou a conduta heroica e destemida daquela professora , “doou a própria vida como Maria” em luta corporal com aquele desconhecido para ser  serva “por amor” por escolher a vida daquelas famílias, daquelas crianças, por amor à profissão . Não foi assim quem ela quis, formou-se e desde que iniciara sua profissão pensara com muito zelo nas atividades e muito especialmente nas pessoas para quem trabalhava, assim noticiaram todos os jornais, testemunharam as pessoas que a conheciam. Nessa minha homenagem,  pensei em nós, e nas homenagens que o representante de nossa categoria nos oferece, pensei  naquele senhor doente que com pequenos sinais demostrava desequilíbrio mental, ausência de propriedades físicas! Pensei em nós, e em nosso “quintal” as preocupações e cuidados com que nossas autoridades executivas e legislativas dedicam aos nossos colegas! Pensei em nossas indicações e propriedades para que nossos pares canalizem bem os diferentes impasses, verbalizando melhor seus títulos e experiências  ! A relevância de nossa função do lado por onde “enxergo” está em pensar no outro!  E por lá... quem se importou com aquele senhor!? Nos mais diferentes cantos quem tem verdadeiramente se envolvido nas causas que são referentes aos professores? Toca-me profundamente reconhecer grandes profissionais, envolvidos nas mais distintas áreas que não demostram um mínimo de atenção a esse profissional, daqueles que se convencem com suas “teses” e nem olham mais para trás para agradecer, daqueles que na alfabetização as condições eram mínimas  ainda assim aprenderam a tratar com desdém os que por lá ficaram e tantas outras irracionalidades , há quem nos chamem de desocupados, que detestem profundamente toda e qualquer manifestação de professor; atravessamos tudo isso para dizer que “nem sempre precisamos morrer para dar a vida aos outros”.
Em tempo de agradecer e comemorar
Nesses meus recortes de reescrita, tipicamente promovo o incentivo para a leitura, convoco a esperança para o surgimento de novos escritores, penso que não somos concorrentes de ninguém, achei lindo lá em Aparecida quando Padre Fabio de Melo apresentou as artistas nacionais com canções marianas, tematizado “As Marias do Brasil”, e uma das amigas disse olha aí, professora, somos nós! Sim , somos! Viajar para qualquer lugar desse país, me faz aprender sobre todas as áreas do conhecimento, porém me traz lições de solidariedade, de altruísmo; intima-me a olhar por quem está mais por perto de nós, e esse possível véu da invisibilidade é apenas uma reflexão intrigante de que não há superioridade que vença qualquer ser humano, dentro da profissão que exerce do que ser humilde!Trouxe como lembrança uma imagem de quando eu reproduzia meus textos,  há dez anos, passava para um ou outro colega, timidamente, temendo a reação, na minha dificuldade de inovar, recebia algumas críticas necessárias, isso se converteu em estímulo para que eu aprendesse a ler melhor e tivesse mais humildade! Perdi, nesse ínterim algumas amizades e sei que já não posso contar com elas, mas exponho com gratidão e orgulho aquelas com quem pude contar , que me ensinaram indispensáveis exercícios; é nessas fases que “ a gente” aprende a lidar melhor com nossas limitações ! Queria muito que todos nós de alguma forma nos lembrássemos das noventa e nove vezes que fomos agraciados, sentir satisfação em mencionar os nomes e fazer disso um gesto de superação... [ ]  estamos aí, entre um episodio e outro construindo uma imagem de confiança , “aprendendo a conhecer e a ser” como estudamos nos pilares defendidos no final do século XX e conforme desenvolvemos em projeto na Escola, aprendendo com uns e outros teóricos renomados, estamos aqui, nas sugestões de livros, de filmes,  nas falhas, no esforço do trabalho, “achando” que caminhamos na direção certa, reconhecendo que toda e qualquer realização conta com outras parcerias! Trago como lição, a festa no povoado Lagoa dos Costas , "Uma Noite em Paris" , quando nós mesmos nos homenageamos,  nas citações, nas lembranças, nas danças das cores, nas distribuições  dos pães !
Trouxe umas trezentas lições dessa viagem de Aparecida, queria nessa leitura compartilhar o Mosaico Artístico do Santuário da Comunidade Canção Nova, a mensagem é retirada de São Lucas na Parábola do Filho Pródigo, e parece que ouço a voz da missionária dizendo “é o caminho da conversão, o Pai de Misericórdia” que está em evidencia”, destaco isso, para que continuemos dando prioridades às nossas convicções e abraçando de modo otimista as oportunidades, para que outros saibam que mesmo errando todos temos a chance de voltar atrás, para que na história, nossos nomes fomentem a vocação, o respeito a hombridade! Espero de verdade que todos nós que fomos chamados para essa missão, trabalhemos com afinco, usando nossa vez, para dar ao outro o direito de aprender ! “Superar SÃO” todos os ensinamentos adquiridos na casa de meus pais e com eles, superação é adquirir maturidade para vencer e reconhecer que outras tantas pessoas lhe oferecem ombro amigo e lhe estendem a mão para que caminhem juntos, é agradecer  aos  professores tradicionais que grifavam em vermelho as lições que  não conseguímos  “decorar”. O meu relevo está para nós PROFESSORES que dedicamos nossa disposição na colheita e no interminável plantio!  OBRIGADA!

“Perdoa se eu não sei rezar... que eu caminhe tocada pela fé”



Há muito mais de trezentos e sessenta e cinco dias fomos “chamados” para, por providencia  participar  com muito privilegio da festa de 300 anos de devoção a Maria através de uma viagem à Aparecida com vistas e visitas ao Santuário. Imitei os demais devotos e peregrinos, (antes do encontro) com a imagem, já compreendia que Ela faz parte de minha vida, faz morada em meu lar desde a mais tenra idade , pelas instruções de meus pais, na orientação cristã. Tenho essa humilde vocação “para o escrever” ,  com a vocação, seguramente a inspiração divina para que minhas composições soem bem, ademais nunca tive  nenhuma dúvida de que Deus se manifesta em nossas vidas das mais diferentes formas; sinto suas mãos tocarem em mim para que minhas proposições tragam algum afeto.
A nossa viagem ocorreu bem no dia do aniversario de minha mãe, que tem sido nossa Maria cheia de graça, de amor e muita fé; sem alarde, peguei o voo com sinal de que boas revelações eu teria para disfarçar meus medos, identificando o maior: acrofobia; pois isso não conturbaria minha confiança em conhecer Aparecida , a cidade , a história, o Santuário, os milagres , os devotos, as canções, os peregrinos....  o anseio em confirmar de que tudo é a misericórdia do Senhor! Fui do mesmo jeito que estou aqui agora: pés no chão; apoio das pessoas com quem convivo e trabalho diariamente e para quem trabalho; na hora da decolagem tentei de todas as formas lembrar aquela canção cantada pela banda Dominus aqui em 08 de setembro, cujo refrão ecoou em minha cabeça por alguns dias   “ Vem me abraçar vem me curar, meu Deus, contigo não estou sozinho; vou me entregar, em Ti me encontrar , meu Deus, contigo não estou sozinho”  fechar os olhos, cerrar as mãos , tentar não olhar para os lados, nem ouvir nada : assim viajei! Quão boa a sensação de estar em terra firme! Quão maravilhoso atravessar a Via Dutra e ao longo do percurso vê os milhares de romeiros, fieis ao amor de Maria, atravessando fronteiras! Que bonitos gestos daqueles cristãos praticantes de outros “credos” sendo solícitos com os que atravessavam cansados, machucados, desidratados! Eu não assistir ao globo repórter, minha identidade e pessoa estavam ali presentes com todos que visitaram o altar santo.  Na chegada da cidade, é emocionante passar e sentir a presença viva de Maria nossa Mãe, impossível não se emocionar. .. a gratidão, o emocionante gesto de quem mesmo acometida de doença  grave (em tratamento) chorou ao ver a imagem e poder dizer : que bom  eu vivo isso agora , a minha fé!
Fotos cedidas pelos amigos
Lembrei-me durante o voo de ida e de volta das mãos santas que nos ajudam a realizar sonhos, estando em Aparecida entre altos e mais altos, tudo na paz e tranquila ordem; dali, visitamos Campos de Jordão, bem no coração da Serra da Mantiqueira como disse a guia “a mil e setecentos metros de qualquer preocupação” ! Empolguei-me e usei aquele básico de frio, mas não fiquei só, quis provocar meus amados filhos, que daqui do Maranhão aguardavam ansiosos por qualquer “gafe” dessa nordestina que vos fala! Eu rio de nossas coisas, de viagens, de lembranças, do tema das férias do próximo ano... nossa caravana de peregrinos , nas filas dos almoços, no uso de banheiros coletivos , todos ali eram do mesmo tamanho porque sempre fomos ! Não tenho sofisticação comigo, tampouco assiduidade nas pastorais, daí vez ou outra me bate umas indagações  : quais roupas combinam mais e melhor com nosso estado de espirito? De que lado estão expostas nossas preces e nossa forma de fazer oração? Deparamo-nos com algumas repostas, durante a viagem na hora de voltar da Serra ... ninguém disfarçou  o medo de retornar para casa naquele ônibus que apresentou problemas nas marchas logo cedo, ali percebemos o sentido do canto “ é de sonho e de pó, o destino de um só” depois disso , a evocação para a prece, para a sintonia com nossa força espiritual; era Maria nos convidando a orar e ir literalmente para perto dela, disse uma amiga;  alguns naquela noite participaram da festa de coroação, outros recolheram-se para recuperar as energias ... e a noite não foi longa, romeiros chegavam de todos os lados, de nosso hotel víamos o santuário, ouvíamos as vozes, as orações e a noite vira dia em véspera de festa, avenidas movimentadas, fogos, foguetes, procissão, lembranças, tudo é manifestação de  fé.
fotos cedidas pelos amigos de viagem
De nossa passagem , tenho certeza de que foi para nos ajudar a ser “gente melhor”, reconhecer nossas falhas e renovar nossas forças convictos da oração a qual fazemos. Naquele show do dia 12 de Outubro, fazer coro com Padre Fábio de Melo e outras milhares de vozes no refrão “Me cobre com seu manto /enxuga o meu pranto/perdoa se eu não sei rezar/estenda sua mão/me abre o coração/me ensina a saber amar...” Estar ali em tempos de grandes conturbações, desafios e atentados à vida é um chamado para que saibamos enfrentar as situações de vida com a sabedoria de Deus; valeu a pena a viagem, valeu a pena o sentimento da amiga que agora “sabe o que é sair da caixinha” valeu a inclusão de outros nomes em nossas orações, e vale por todas as oportunidades que o Senhor nos concede, valeu por aqueles que pediram intercessão pela saúde de meus pais,  de minha parte, gratidão a Deus, aos demais pelos incentivos para escrita, aos que nos percebem entre milhares de devotos , nos estendem as mãos. Gratidão aos demais das cidades vizinhas pelo companheirismo e  solidariedade! Nunca pensei que meu sonho se materializasse ali, ouvindo a pregação de padre Zezinho, exemplo de santidade viva, compartilhando da posição justa de Padre Fábio ao pedir que rezássemos uma Ave Maria pelo povo brasileiro e dizendo “merecemos um país melhor, nós pagamos altíssimo por um país melhor”! 
Fotos cedidas pelos amigos
Tão bom viajar, tão bom ter para onde voltar, meu retorno deu-se no dia em que íamos nos confraternizar pelo aniversário de nossa mãe, de minha pernoite com nosso pai, do amanhecer, provocando um bom dia para poder ouvir Parabéns Professora Nilma Sodré, hoje você merece presentes” era dia dos professores ! Felizes sejamos todos nós, na vocação, nas intenções e nas orações ! Perdoa Nossa Senhora se na falha da emoção, se no convívio da multidão eu me esqueça que não estou sozinha, quando tuas mãos se ausentam, milhares de outras, na humildade se estendem a nós! Minha singela....





Cidadãs de um mundo, por direito: “como estrelas na terra"


Representando a Profª  Nilma!
            Crédito Blog Aconteceu Virou Noticia
Passado dia primeiro de julho, fui ali à quadra para assistir a semifinal do jogo de futebol de salão, envolvida nos lances do jogo, clássico importante: Pharma x Santo Antonio, na mesma arquibancada sentou-se uma ex- aluna para falar sobre os trabalhos do Sarau Literário feito na escola e da curiosidade de sua filha em conhecer a escritora a respeito de quem a professora falara durante as atividades. Chamou à pequena e disse: _está aqui, essa é a professora Nilma! Mesmo tímida, demostrou satisfação em ter conhecido “a escritora” , cumprimentei-a e disse-lhe de minha  alegria em poder incentivar novos leitores e que enviaria um livro meu para que aumentasse seu interesse pela leitura. Dali  mesmo conjeturei:  “não é sobre esse clássico” que escreverei, mas do quanto na condição de professora e promotora de leitura, sinto realização e altivez em ver autores e protagonistas apontando de quão grandioso tem sido nosso incentivo, nossa participação na vida de pequenos cidadãos! Tomo a liberdade de ser repetitiva e enaltecer o grandioso trabalho do Sarau que meus colegas professores de tabela com seus pequenos trouxeram para nos apresentar.
Crédito: Blog Aconteceu Virou noticias
           representando Chiquinha Gonzaga e
Prefeita Iracema Vale 
Impossível não reconhecer que novos ciclos se definem, outras oportunidades surgem, impossível não citar o deslumbramento daquelas crianças que nos seus imaginários fizeram muito mais do que arte e entretenimento, aprenderam e ensinaram muitas coisas. Nosso trabalho não começou “grande”, veio com a pequena Elba Ramalho, vinda do Povoado Cocal do Zeca Costa, não se acanhou, ganhou aplausos e fez valer a apresentação de todos que lhe acompanharam; a voz marcante com  desenvoltura da  destemida Maria Bonita, protagonizou sem olhar um papel, leu em voz alta, aquilo que havia compreendido; a entrada inconfundível da menina que encenou  Alcione,  sabia todas as músicas que lhe foram solicitadas; as lições e exemplo de Maria da Penha grande defensora de nossos direitos; a humildade e  doçura de irmã Dulce; o histórico de luta e inúmeras conquistas da presidenta Dilma, em versos, em leitura, em refrão; a musicalidade de Chiquinha Gonzaga, incorporada ao “Eu conto, tu contas, nós contamos” tudo tão bem contextualizado; os traços biográficos da desconhecida Maria Firmina; escritora negra que sofreu os preconceitos daquela século; as leituras de Ruth Rocha; a política de Ana Jansen,  desconstruindo a história do Maranhão; outras cidadãs do mundo, mais perto de nós, são exemplos vivos de quem faz a diferença : Professora Selma do Povoado São Raimundo , emoção, envolvimento, leitura , contextualização e quantos desafios até ali, da roça para a sala de aula; as trajetórias contadas e encenadas sobre nossas Professoras Betinha e Anita Batista. “Nós já acrescentamos muitas esperanças”, “eu não percebia que seria uma pessoa que fez a diferença e pudesse receber homenagem”! O depoimento de nobreza da determinada Professora e Advogada Norma Silva, dela a provocação e incentivo para o estudo, através dela a vocação para que cada um busque seus sonhos, contou-nos de que não é fácil, para nós um exemplo de que através do foco nos livros podemos fazer grandes diferenças; impossível não admitir que o cenário é outro e as proposições tem sido diferentes;   na encenação pessoal e politica da Prefeita Iracema Vale, sobre os desafios, as conquistas, as oportunidades coletivas ; na administração dela muitas iniciativas foram mais valorizadas,  admitimos que com ela nosso aprendizado tem sido constante, “os terrenos permanecem férteis”, é sempre oportuno plantar!  “Precisamos admitir nossos meninos tem feito bonito e nós sentimos muito orgulho deles”, nossa gratidão aos professores, nossos colegas que protagonizam conosco essa bela história! Quem não se sente lisonjeado de ver seu nome estampado, relacionado a algo relevante capaz de transformar outras vidas? Qual de nós não se envaidece em saber que serve de “combustão” por  compartilhar  novos conhecimentos?
Créditos :Blog Aconteceu virou noticias 
Ademais, clássico do futebol em baixa, mas ainda ouço boas expressões e referencias positivas  sobre meu jogador mais amado, de suas habilidades e posturas; clássico na literatura em alta : nossa Ruth Rocha com seu desfile gigante de obras para a montagem de nossa biblioteca, nossa Chiquinha Gonzaga, “Ó, abre alas”, que eu quero contar”; contou e encantou; nós temos nossos nomes registrados, e com um pouco mais de insistência, tornaremos “nossa cidade leitora” , escolhas brilhantes como a canção “Cajueiro Velho”, uma metáfora à vida, à trajetória e ao Povoado; a interpretação e profunda verbalização da canção “Privilegiadas” nela, detive-me nos nomes das grandes mulheres na história da Bíblia, no entanto é do refrão que retiro  a mensagem “ quer mais, recebe aí, quer mais, pode pedir, Jesus trouxe bênção pra mim e pra ti”. Daqui com analogia ao refrão, trago a sensação de discernimento , para dizer: no âmbito profissional ou pessoal  todas as bênçãos que desejarmos para nós mesmos que sejam igualmente capazes de otimizarem a vida de outros! “A gente” sabe que não é fenômeno, e nem é o nome mais respeitado entre os demais colegas de profissão, sabe do tamanho de nossa ótica, das lacunas que deixam de ser preenchidas,  sabemos disso; porém preciso admitir que algumas atitudes, diferentes competências foram mudadas, isso é fato;  e nesse VI Sarau Literário em que eu não sou autora sozinha, mãos humanas e cristãs juntam-se às minhas para que importantes resultados sejam alcançados! Dou-me conta quase encerrando, de que não citei as Marias, nomes bonitos, grandiosos e importantes em nossas vidas que fazem grande diferença, em nossa equipe há inúmeras, centenas, e só  não encerro esse meu ensaio com elas  porque apareceu um “José” ... Meu destaque para a encenação de que Maria é uma professora “que forma cidadão, que cuidou para que o menino Joaquim não se sentisse menos capaz, destaque duplo para as encenações, e as vidas dadas às personagens, e na escolha do tema : “ Na educação somos todas Marias”, nas  vozes, que aplausos! Nossas sugestões de leitura, nossas chamadas para a arte, nossa perspectiva de que o futuro começa agora,  por nós, com nossas atitudes ! Nossa luz! Somos iluminados! Continuemos fazendo nossa parte! Eu nasci “há cinquentas anos atrás” e percebo que na vida o que melhor edifica nosso caráter é saber evoluir com humildade, estudar e saber retribuir, compartilhando aquilo que nos foi permitido aprender.
Representando Iracema Vale
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Encerrando a minha tese, de que a escolha desse tema “Mulheres na história: nomes que fazem a "diferenÇa”, seria  o divisor de águas na história dos Saraus que já promovemos , de que não será fácil superar a aceitação e a grande troca de experiência com que convivemos nesses dias, deparo-me com a feliz noticia de que um de nossos, Josés foi aprovado em Direito para UFMA! Eu não Caibo em mim, Kaio nesse trocadilho de palavras para dizer de nosso orgulho, de nossa alegria em continuar defendendo de que o estudo, com foco e muita determinação fará a grande diferença em nossas vidas! “ O filho sábio dá muitas alegrias aos pais” ensina Salomão, deve igualmente ter ensinado os pais de Kaio Sousa! Eu falaria de todas as Marias, e citaria as que estão por perto de nós diariamente, nos ajudando a fazer diferente...   falho no superlativo e excedo-me nas verborragias para descaracterizar o que aprendi sobre hipérboles;  realizadíssima, ( respondeu-me ele) porque somos cidadãos do  mundo, com direitos a Direito,  nesse pequeno lugar, “como estrelas na terra” abençoados por Deus, fazendo uma enorme  diferença! Quando escrevi minhas primeiras linhas, um sonho ficou para trás! Obrigada Senhor! Minha alegria, minha homenagem, minha gratidão aos demais companheiros de trabalho, àqueles que estão na sala de aula, “professores, protetores” das crianças de minha cidade! Na ausência de outdoor, eu cito a Clésia Maria, um dos nomes entre nós, mãe que nos orgulha e me ajudaria a compartilhar mil vezes dessa postagem, e ainda a “soltar mil foguetes.” Na família, na sala de aula, na Igreja, nos corredores, na roça; pés no chão ou bem calçados, em diferentes lugares a gente forma bons cidadãos! Minha prece, minha obstinação, com a oração de São Bento : “Não me aconselhes coisas vãs”; sendo muda, ora surda, ela murcha, mas não muda a gratidão!


Trajes Traqueias Trajetos : de um reflexo à reflexão


Não sei se cumpro, mas faço um esforço para recompensar meus leitores com boas escritas com um nível de leitura capaz de estimulá-los a compreender o mundo além das pequenas rodas... Há outros insights no âmbito dos trajetos corriqueiros que nos ajudam a perceber que toda conquista depende do quanto colocamos de nós mesmos e de nossa capacidade em sermos mais solidários. É preciso importar-se mais com o outro, em todos os lugares há pessoas que nos querem bem, há quem deseje nosso fracasso, no entanto não é desse último que devemos extrair nossas forças. Compreender que nossa presença será notada, desde que edifiquemos o que houver de melhor em nós,  lançando um olhar positivo em tudo que tocarmos nossas mãos!     “De mãos dadas”, orienta o poeta!
Há um mês escrevi em meu status de rede social “já tenho as 365 peças de roupas com as quais eu sonhei um dia, mais uma, em caso de ano bissexto; sou muito grata, no entanto, nessa tarde, nenhuma delas me serve”. Quando escrevi, servia de prólogo para uma grande escrita, naqueles dias, à espera da maior grandeza de espírito para celebrar os sete anos da passagem de vida de nosso irmão cabo Sodré, grandeza ainda  para receber a fatídica noticia da morte de nosso irmão em Cristo, Edinaldo Costa; com quem criamos laços de afeto, através de quem recebemos os primeiros olhares de Nossa Mãe Aparecida;   sentimentos embaçados por deparar naquela data pessoalmente com aquele porque manifestei  muita raiva após a execução de nosso irmão. Parei por aqui, recuei, e em se tratando de trajetos apenas troquei o itinerário; dito isso, deparo-me com parecença do conto de fadas de cujo título é “ A nova roupa do rei”, muita gente já leu e sabe sobre o tema do conto; na postagem recebi um bom incentivo: tente misturar as peças! Sobre o conto, em detrimento da postagem, antes mesmo que eu o lesse papai já nos contava sobre ele, em se tratando de trajes, nunca gostou que pedíssemos emprestada alguma peça para colegas, “cada um usa o que tem” e não adiantava retrucar que estava “repetindo”. Misture as peças! Arrisquei no mês de Maio escrever “Para que nosso irmão foi chamado”, nesse ano fez sete anos de sua partida e nossas renuncias tem sido no investir em outras vidas; outros irmãos precisam de nós; na melhor das hipóteses decidir por enfrentar as dores juntos .
Esse texto vem sendo escrito há mais de um mês, a gente vai aos poucos fazendo as somatórias das coisas, (não para o acumulo de ressentimentos) quando em 2013 papai teve aquela crise respiratória, foi internado , ficou quatro meses na UTI, até ali, só sabia da palavra “traqueias” das recordações de aulas de ciências no fundamental, agora eu sei para que servem. Nessa trajetória os períodos foram de muitas turbulências, mas de lucidez, equilíbrio e fé, essa última nunca perdemos; depois, não faço dessa minha escrita dogma para criar mais comoção em que a lê, trago aquilo que construo para aprimorar minhas impressões e relações com o próximo, recorro às lembranças...   por exemplo, no dia 28 passado próximo,  quando nos preparávamos para ir à missa , papai havia dito naquela madrugada de um sonho que tivera com um filho que havia sido morto. Crianças também tem sonhos, diante dele pensei: “a vida é um sopro”, é esse improviso que fazemos todos os dias. De certo que não encontraremos nessa escrita, as coesões necessárias em todos os períodos e parágrafos, por mim, a sucessão do título já me traz essa clareza, quiçá a coerência, isso basta. Chorei mesmo naquele dia em que disse sobre as 365 peças de roupas, porém não usei pseudônimos para ir às redes, nem me fiz de vítima, o que às vezes mexe comigo, mexe também com quem está por perto para se agigantar ou não diante de prováveis percepções! Temos todos, dentro de nós capacidades incríveis para a resolução de problemas, aceitar a existência de outros caminhos, a possibilidade de novas escolhas nos torna mais fortes, porém o forte também chora!
Algumas de minhas histórias não teriam “essas graças” se não fossem os breves diálogos nos plantões de minha mãe e outras aprendizagens adquiridas  sobretudo com meu pai, dia desses quando opta por pedir uma música , ele vai lá bem nas  antigas , claro, e pediu Evaldo Braga, daí eu pergunto : e tem esse cantor? __ Sim, e eu quero a música da cruz ! Melancólica demais a melodia e letra, pequenas lágrimas escorreram de seus olhos! “Sinto a cruz que carrego bastante pesada”.  Quantas lembranças e memórias passaram naquela cabecinha! Quantas!? Não me fará bem descrever a sensação, porque toda nossa perplexidade se dar quando nos deparamos com pequenos desejos de meu pai e não o realizamos; “o bebê pede e chora, outras vezes pede e cala-se” porque ninguém escuta sua voz! Quando escuta, é dolorido, ouvir dizer que está assim porque sente fome!  Não há lei que explique! Em nossa condição de mãe, só sabemos dizer que o amor de Deus por nós é imensurável. Há virtudes que não aparecem nas fotos, outras que mesmo descritas nas falas não encontramos explicações! Já fiz outros cinquentas
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, eu e Deus sabemos até onde fui leviana e de quanto fui capaz de estender a mão, apenas Ele sonda nossa coração e sabe do nosso agir ou do nosso julgar! Por último, porque preciso completar meu raciocínio, somos todos leigos diante de certos "enfrentamentos" o prodígio está na capacidade que cada um tem de manifestar amor! Nem sempre quem decora todas “as passagens” as usa como reflexo em sua vida, tudo é relativo , já disse o antigo cientista! Meus trajes mais longos ou mais novos, não definem minha trajetória ou camuflam meu caráter, alguns podem ser recriados... sobre o deserto li pela primeira vez no livro de Saint-Exupéry, aprendi um pouco mais nas passagens bíblicas ,contudo é no dia a dia , em nossos percursos que compreendemos porque o poço é tão fundo! Minha profissão,  parte de minha vida! Minha função, minha escrita uma percepção sobre a vida! Nesses tempos de sermos mais solidários, se não posso ser CRISTO , irei de Lavoisier, com gratidão,  “porque só serei aquilo que dou conta de ser”! De onde estou, minha, toda reflexão!

Naquele 28 de maio... para que nosso irmão foi chamado?




"Mês de maio: mês de Maria, mês das mães,  de irmãs e também das filhas  mês de todas nós, construtoras dessa hegemonia ;para uma boa parte da população brasileira que não chega a ser grande maioria ,mês do milagre, da superação da imagem pela fé; na passagem da Santa Mãe Aparecida por nossa cidade, fomos surpreendidos por diferentes gestos de fé, vários pela devoção, outras bem grandiosas pela emoção, e tenho clareza de que não é idolatria. E “veio cantando entre nós , Maria de Deus Senhora de Paz, e veio, orando por nós a Mãe de Jesus” ; reconhecemos Maria como nossa mãe, em praticamente todas as orações que fazemos; na passagem bíblica em João, esta descrita, que Ela estava perto da cruz, essa deve ter sido a pior travessia ! Que dor inimaginável para uma mãe , vendo seu filho crucificado!
A história e o papel de Maria em todos os fatos bíblicos merecem nossa reflexão, o que aprendo, e até minha transgressão ponho aqui, em 2010, por exemplo, quando meu coração endureceu mais ainda devido ao fato da execução de meu irmão cabo Sodré, recebi uma leve crítica por conta de uma publicação que tornou-se pública cujo título era : Por que mataram nosso irmão, porque? Na composição, obedecendo aos descontroles emocionais impus meu olhar unilateral, mais apegada aos valores materiais não me dava conta de que todas as coisas de Deus são mistério, enfatizei minha enorme raiva e incapacidade de exercer o perdão por longos dias! Não havia serenidade em minhas falas, imbricada em minha “razão”, não reconhecia  discernimento em minhas escutas; só tinha olhar para quão trágico havia sido aquele assassinato: era nosso irmão! Mataram-no! Mataram nossas vaidades pessoais! Tiraram a alegria do semblante de nossos pais! Nos diferentes canais e mídias faziam críticas e aberrações a respeito do contexto sobre o qual o crime estava envolvido, e eu não compreendia porque aqueles homens, vestindo as mesmas fardas , quiçá marchassem no mesmo pelotão, porque mascaravam a verdade ! Entendi depois de alguns dias que eu precisaria harmonizar minha fé cristã, entendi através de Maria, nossa mãe, que “Deus envia um filho amado para morrer por nós”, entendi que essa nossa fraqueza humana é provisória porque o Senhor nos mostra que somos fortes e todos temos  dentro de nós um certo dom para a eternidade; entendi e atendi mais uma vez ao pedido de meu pai: não adiantaria brigar com “os poderosos”  ou autores da operação, os males estavam com eles, não entre nós! Entendi que não há necessidade de prever o mal para o outro, é preciso perdoar-lhe. Nessa expressão parecia uma voz materna ao repetir, “ Pai, perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem”! Entendi sobremaneira a cada invocação de uma Ave Maria particularmente nesse mês, o poder da prece, e de quantas vezes a Mãe intercede por seus filhos! Isso são gestos de amor; tem poder de cura e libertação!
Quanto ao fato, depois da brutalidade do assassinato, fomos prudentemente celebrando as missas, na intenção; no apego às orações; por mim, comecei a modificar meus olhares em torno dos sentimentos iniciais, fomos trazendo aos horários de refeições, todas as melhores lembranças; ríamos juntos e ele não deixou de ficar presente entre nós, dos hinos que ecoavam não viraram fantasias  em minha vida“ Deus me trouxe aqui para aliviar o meu sofrimento, Ele é o autor da Fé,”  e era disso , apenas disso que precisávamos naquele momento. Hoje quando escrevo já se passaram sete anos! Sete anos! E temos muita certeza de que não há um só dia que nossa mãe não se lembre de sua presença, e quando o evangelho traz a expressão “até setenta vezes sete” é possível que nos diga: sejam misericordiosos uns com outros; não esgotem dentro de si mesmos as chances de reconciliação! Não deixem de perdoar e esquecer aquilo que pareceu o mal que lhes fizeram! Sei que a realidade é dura demais, custa muito para nós, vermos um ente querido acamado e não se indignar caso não receba o devido atendimento ; dói demais ver um irmão assassinado e antecipar o julgamento  em achar que foi providencial; dói ainda perder pessoas queridas em vida para arrogância ou  nas disputas de poderes! Mas qual de nós estaria isento de pecados “ e atiraria a primeira pedra”? Quem de nós?
Confiantes de que naquele 28 de maio de 2010, pode ter sido ou não uma operação equivocada resultando na execução, pode ter sido um chamado, celebraremos mais um ano de sua passagem para outra vida; confiantes de que outras alegrias temos recebido; a contar, os “bons dias” vindo de nosso pai, quando abre os olhos ao acordar, contar ainda da disposição, da benevolência de nossa mãe e todos os cuidados que tem tido conosco. Minha demanda é essa: pedir em prece à Maria que ilumine nossa vidas,  acalante nossos corações e nos direcione para a prática do bem! E quando o Senhor nos convida a reunir em qualquer templo, pede comunhão e ensina a todos o mesmo mandamento: “Nisto todos saberão que vós sois os meus discípulos; “Amai-vos uns aos outros como Eu vos tenho amado”, para que prova maior de amor do que essa de colocar-se e doar-se ao irmão?  Nos dias atuais, chama-se a isso de tolerância! Todos os destinos são pós, e eu cumpro as ordens de meu coração. Nessas lembranças provoco as lágrimas mas não excluo as alegrias de tantos aprendizados em vida, terei dito: quem tem Deus no coração, não terá tempo de maquinar e em expressões desejar o mal ao outro! “Nossa Senhora escuta o nosso silencio, nossa oração”






Ela não é da silva, é dos santos: mas (ENTA) é Graça!

Começando essa minha página queria dizer que primeiro dei-lhe o título, comecei a escrever já faz um dias,  encontrei as justificativas , apresentei mais perguntas do que respostas, fiz uma lista de coisas com as quais eu supostamente encontraria no decorrer da história: será isso mesmo que pretendo escrever como dedicatória para alguém porque nutro  amizade e respeito? As cenas ora apresentadas aqui não começam pelo simples fato de admitir que toda convivência humana nos proporciona uma espécie de transformação. A gente sabe que é possível conjugar no plural quando estabelecemos em nossas vidas as conquistas que nos satisfaçam, mas, sobretudo algumas que sejam capazes de ajudar na qualidade de vida de outras pessoas. Não trago evidencias, evidentemente  com a mesma convicção com que escrevo , serei capaz de dizer ainda que houvesse desaprovação.Lembrei-me quando estava escrevendo, da fábula da abelha irritada quer na imitação da fábula quer de  alguma parábola, depende de quem com sua essência ou na inocência desperte para outras intenções.
Fui “parar” no mesmo local de trabalho da pessoa sobre quem falo, ainda em 2011, foi minha aluna, (nem sei,, somos quase da mesma idade) sou numa dessas horas , pessoa de estirpe não muito boa para começar a fazer amizade, ressabiada, esmoreço na primeira conversa do “ouvir dizer” ou do “disseram”! Nesse mesmo ano, orientando um trabalho de literatura com alunos de Ensino Médio, fiz a maior campanha entre os colegas para que o visitassem e acompanhassem a defesa oral de cada um deles. De verdade, sempre fui convencida de que meus alunos escreviam e argumentavam muito bem; depois dessa fragmentação nos afastamos! Continuamos colegas é bom que se diga! Passado esses dias , e meses... em 2013 voltamos a nos encontrar no mesmo campo, dessa vez, meu nome não soara bem por aquela mediação; cheguei muito mais desconfiada! Mas eu fiz a politica da boa vizinhança, comecei com minha atuação cidadã e cristã; fiz uma adequações aqui e ali em meu modo de pensar e ver as coisas, fui sendo repetitiva nalgumas palavras , porém o melhor de mim não era enxergado __ eu resmungava demais. Não me ative a dados e números , ative-me à missão para a qual fui convidada e com o mesmo ímpeto para compreender o âmago das coisas mais implícitas, tornei-me mais humilde para digerir melhor todos os cenários, e sobretudo para relacionar-me melhor e por entender que os cristãos em paz consigo mesmos precisam da  a grandeza de seu próprio espírito, (sei que não sou fácil) ! Precisei um dia desses  dizer: a gente não é feito de papel, de cadeiras, de mesas e de armários, e o que faz com que a nossa presença seja notada são os gestos de alegria , ou de bondade, o jeito peculiar de compartilhar informações e as constantes manifestações de gratidão! Aprendi a agradecer mais! Destratá-la por conta do excesso do salto, do exagero da maquiagem ou do colorido e preferencia do preto daquelas blusas e calças do dia a dia, não a tornam menos importante do que tem sido no decorrer desses anos! Aprendi a agradecer! Aprendi a reconhecer! Aprendo de verdade a ser melhor pessoa! Obrigada, dos santos, mas eta, você precisava também ser da silva!
Obrigada , dos Santos!
Inspirada noutras publicações, e porque Deus não dorme, através dessa pequena página, trouxe os dados dos primeiros atendimentos dados ao meu pai quando teve as crises respiratórias, há quatro anos, e a presença dela em minha vida intensifica, cercada das preocupações , das palavras de animo, das sinceras expressões e chamadas para todo e qualquer real perigo; ajudou-me na escolha  de qual pior defeito eu preferiria.. Discordamos em tantas posições e defesa de “tese”, já fui áspera ao extremo, quando mal compreendida! Já a deixei falando sozinha quando pretendia apenas manifestar um carinho, nesse ínterim, penso depois ”meu desequilíbrio emocional”  “não é desse mundo”, nunca fui normal! Eu não precisei  subestimar sua competência : é inteligente, forte, competente, estudiosa, batalhadora; é mãe, amiga, professora, irmã... vai às lágrimas quando se vê acuada por algum desafeto! Tem outras tantas e dezenas de amizades maravilhosas que lhe acrescentam alegrias; que também compartilham outras cores; acha espaço e tempo para aconselhar-se e para dar bons conselhos! Nesse inicio de ano bem como nos demais , depois de 2013 é aquela que sonda as entranhas e traz acômodo necessário para diferentes dores. Ela e toda a sua  família sabem do orgulho que tem trazido para alguns de nós e para  todos eles! Eu não comecei minha escrita hoje, porém recolho-me  especialmente nesse dia, em detrimento do Dia do Pedagogo  para trazer essa homenagem necessária. E quando estive debatendo sobre o tema de nosso sarau desse ano, eu a ouvi, e trago para ela uma breve reposta “ Mulheres na história: nomes que fazem a diferença”; para mim, na minha vida, em minha profissão , no exercício de minha função , você é um nome que tem feito toda diferença, tem igualmente convencido outras pessoas que há “ de algum modo uma porta destrancada esperando por nós , por nossa mão e poder adentrar"!
E como essa publicação está em meu blog, que é  "tão bem acessado", você só  terá três  opções, a começar pelo  interessante,  bem alertou meu novo mentor intelectual! Por último, eu nem queria  discordar  no entanto,  “ há coisas que  são só da personalidade, outras, do caráter," sou muito grata nas vezes em que me orientas no uso da razão, muita agradecida pela disponibilidade , grata pela amizade! Você está em minha história! Você é uma dádiva! E eu não perdi a fé! Toda conquista vem embrulhada e tudo vai passar, não é mesmo?! Sandálias baixas, pés no chão, vestidos coloridos ... podem até não nos enxergar....Em seu nome Gracineth Santos agradeço e parabenizo aos demais profissionais que tem na pedagogia a capacidade de multiplicar e compartilhar!  Na bíblia diz que "o amigo é o milagre do calor humano que Deus opera no coração"; sinto isso, sei disso e se eu ficar afônica porque é triste ficar sem voz, usarei esse espaço, para ouvir o eco de suas palavras ao dizer: "Estou aqui"! Se não houver harmonia em minhas palavras, queria dizer... "Nossa Senhora Aparecida rogai por todos nós"!

Uns registros, uns ensaios... minhas CEM histórias !

Obrigada Kaio Sousa 
Há cinco anos eu idealizava a construção dessa página por aqui, em minha sala de aula, o caráter em sua proposição era outro, quis de algum modo provocar para a prática de leitura e escrita, não apenas pela obrigação em fazê-lo, porém não mudei de todo o rumo , nem a uso como termômetro para influenciar melhor meu “status”! Comigo mesmo apenas exclamarei: Quem me dera de lá para cá ao menos uma página por semana! Quem me dera a capacidade de intuir e ter inspiração suficiente para promover melhor essa página! Quem me dera a aderência de outras mãos para conjugar e estimular novos ensaios! Porém, sento-me só, e quando escrevo sinto a expressão divina não apenas nessas palavras; sou inteiramente agradecida em saber que em minha missão , tenho conseguido algumas reflexões necessárias. No itinerário há sempre alguém para ler, ouvir sua própria voz ao invés da minha. E chego à marca dos 100 (cem) textos publicados. Somente isso! Pois é, e alguns deles nem são meus, trago escrito de colegas meus, amantes da literatura.  No cerne dessas minhas cem histórias há homenagens aos bons nomes de amigos que tornaram mais possível sonhos que pareciam serem só meus; e tenho dito: em minha profissão e no exercício das funções para as quais fui convidada, se eu a deixar hoje, minha passagem terá valido a pena! Não faço sensacionalismo, nem publicações para execrar nome de ninguém; sou titular do blog e esse espaço às vezes, é minha armadura ! A par disso, uso a fé!
Fiz aí há uns dias, uma metáfora , como diz uma amigo meu, no embaralhar de palavras , a trajetória dos rios e sobre as pancadas de chuvas, com a maturidade , vamos percebendo os clichês necessários: “a vida não teria essas graça toda se tudo estivesse ao nosso alcance”!É preciso que eu tenha esse medo de chuvas torrenciais, a fobia incontrolável de fogos e foguetes... Caminhos espinhosos, posições contraditórias todos atravessamos para testar nossa capacidade física; nossa condição humana: não somos santos!  A gente não agrada todas as vezes, e ainda que tenhamos acertado as noventa e nove, toda graça e gratidão estaria na centésima vez; imersos em nossos próprios egoísmos não aceitamos as conversões necessárias ... e infelizmente  a empatia não é habilidade comum porque  até que se adquira essa consciência, muitos laços terão sido desfeitos, a rigor, nem mesmo eu,  tendo em vista meus exercicios, conseguiria essa façanha facilmente! As minhas inevitáveis limitações humanas, os acúmulos emocionais, os despropósitos na administração de minha vaidade, maculam meus desejos de querer “olhar através do outro” ; há coisas que são culturais, impedindo-nos de usar o bem de nossas falas em atitudes diárias, e como diz a letra da música : é “você querer a frente das coisas, olhando de lado”!
Obrigada Kaio Sousa
Essa minha escrita é continua  nem sei o tempo em que peguei nesse caderno para começar as primeiras linhas; mas “faltava um pedaço” , deixei outras impressões na reabertura das aulas do Chagas Araújo e Andrelina Carvalho, tive a chance de fortalecer minha audição para poder ouvir melhor minhas próprias palavras, e o que está latente dentro de mim, depois disso, não pretendo compartilhar aqui nessa página (não agora). Passado esses momentos, fui lembrada para expressar minha gratidão e ser interlocutora de fé quando da passagem da Mãe Aparecida em nossa cidade, fui testada e pedir ao coração que acuradamente me desse um retorno. Meu curador intelectual me disse que ouvisse a voz do Espirito Santo! A afinidade cria confiança, eu não terei melhor forma de comemorar meu centenário na escrita se não nessa gratidão à Aparecida pelo tamanho da festa, da manifestação dos fieis, pelos registros, pela emoção, pela santidade! Ali consegui concretizar minhas previsões mais intimas, fomos todos nós, cristãos, sensibilizados com as recepções: as crianças representando as comunidades, aos demais,  representando as escolas, os homens do cárcere, aos irmãos internados no hospital, sobretudo do Edinaldo Lima, dada sua fragilidade física, seu histórico,  sua emoção... aprendendo a rezar mais para poder perdoar; para compreender os propósitos e desígnios! Cantei e me emocionei com nossos  cantores Mirins logo pela manhã, à noite com nossa cantora Meyre Soeiro, em seguida com Fernando de Carvalho e eu queria também cantar, rezar, agradecer ... “sou caipira”, “me disseram, porém que eu viesse aqui para pedir em Romaria e prece paz aos desaventos, como eu não sei rezar” só queria expressar meu sondar, escutar, meu calar, “meu olhar, meu olhar" ! Arrisquei um paradigma: o milagre não está no pó, não está no chá, tampouco na imagem; o milagre esta em nossa fé! Em não havendo perdão quando em mim estaria a chance de acertar na centésima vez, tenho certeza de que minha voz não será esquecida de  uma  hora       para     outra ... aos que compreendem as noventa e nove oportunidades na voz, nas mãos, na escrita: minha gratidão!E enquanto o "cara lá de cima" compreender que mesmo com meus erros, meus pecados e tantos limites,ainda terei chances de escrever seguro no Manto de Nossa Senhora e sigo firme na missão! Por último, em nossa devoção à Maria, cabe o cantar e entoar pelas ruas da cidade “ Santa Mae Maria / nessa Travessia, cubra-nos teu manto cor de anil,/ guarda nossa vida, Mae Aparecida/ Santa Padroeria  do Brasil”. Em tese,  fico sempre com as boas impressões  de fé! Como incentivo para o uso e bondades: "o céu que nos cobre não cobra nada"! Cem histórias , quantas mãos me ajudam a chegar até aqui?



AS MÁSCARAS NOSSAS DE CADA DIA



O presente texto parte de uma reflexão a respeito de uma singela observação acerca do comportamento humano em seu contexto social. Não apenas situada em nosso tempo, ou em um determinado tempo especificamente, mas parte de numa análise diacrônica da humanidade. Neste sentido, não revela dados científicos e nem tampouco tem o propósito de “persuadir” o leitor a respeito de ponto de vista, mas de conduzi-lo a uma reflexão crítica sobre as diferentes posturas por nós assumidas em determinadas circunstâncias de nossas vidas e de nossa história.
Nesse sentido, sempre que alguma ideia me ronda a cabeça com desejo de materializar-se, a primeira dúvida que me surge é sobre a indefinição de que máscara  terei que usá-la para a realização de tal intento. Haja vista, que, em maior ou menor grau, as ações humanas carregam sempre em si, certa dose de dissimulação. E desta forma, considerando-me um sujeito dito normal, agente de uma “sociedade ética e moralmente exemplar” e, sobretudo, um sujeito pensante e formador de opiniões, penso que para cada ideia em que nos propomos a defender, teremos que utilizar uma máscara que corresponda a tal propósito. Assim sendo, assumir a condição de um ser mascarado, talvez seja a forma mais simples e, portanto, mais fácil de nos fazer compreender por nossos pares. Não é uma tarefa simples, porém, necessária. Pois nesta empreitada torna-se imprescindível assumir essa condição de um personagem, nivelando-se, não somente no concernente às ideias, mas principalmente na forma linguística, aos nossos “semelhantes” de modo que se possa atingir o que se pretende.  
Inicialmente, torna-se importante ressaltar que, para muitos essa ideia “meio maluca” poderá até causar alguma estranheza, porém, a concebo com a mais absoluta normalidade visto que à medida que me dedico a tentar compreender o comportamento humano, mais me persuado dessa realidade: o “homem” é um ator da vida real em contínua atuação no grande palco do mundo!Destarte, sendo a dissimulação uma das principais características do homem civilizado, e levando em consideração de que para cada ação que realizamos fazemos uso de diferentes máscaras, associo-me ao pensamento de Lissa Price, que brilhantemente afirma, “Ninguém é o que realmente parece”. E nesse sentido, o que não nos deixa ser, viver e demonstrar o que realmente somos, são “as máscaras nossas de cada dia”. Pois nesta perspectiva, a máscara nada mais é do que um véu invisível que encobre e esconde a nossa verdadeira identidade, aquilo que verdadeiramente somos.  Alguns as usam para encobrir o rosto; outros, as atitudes da alma. Pois aqueles que mais se jugam justos, corretos e intocáveis, são, geralmente, os que mais utilizam as máscaras para esconder o que realmente são. Cabe salientar, que não nos cabe aqui, e nem teria eu a pretensão de julgar especificamente a ninguém, porém, não podemos negar que elas existem e que todos nós as usamos de acordo com as nossas conveniências. Quando não pela intenção de encobrirmos nossas fraquezas e defeitos, ou de vendermos uma imagem daquilo que não somos, mas pela exigência da falsa moral e decoro da sociedade na qual estamos inseridos e dela fazemos parte, “exige” de nós. 
Os tipos das máscaras nossas de cada dia são os mais diversos. Quanto mais máscaras se têm ao dispor e delas se sabe fazer o adequado uso, melhor se sobressairá naquilo que faz e consequentemente, na vida. No entanto, é importante lembrar que não nascemos mascarados, pois é de acordo com o tempo e o meio em que vivemos que as adquirimos e aprendemos a usá-las. Rousseau sabiamente afirma que “O homem nasce puro, a sociedade o corrompe”. Desta forma, desde muito cedo somos corrompidos ao sermos modelados para servir a esse universo de dissimulação e mascaramento social. É de nossos pais, ou seja, no seio de nossas famílias que recebemos as primeiras lições e, portanto, as nossas primeiras máscaras. “O decoro social ordena” e a educação que recebemos se encarrega de nos lapidar, modelar, polir e enquadrar-nos ao modelo social vigente! 
Não tenho dúvidas de que pouquíssimas pessoas se deliciarão ao ler este texto, desagrado que julgo ser absolutamente normal. Primeiro, porque para muitos esta ideia poderá retratar de uma visão extremamente negativa e pessimista da humanidade. Segundo, porque esse tipo de leitura costuma não ser o que a maioria das pessoas gosta de ler. Pois grande parte de nós tende a se sentir atraída por leituras mais fantasiosas e superficiais, o que imperceptivelmente nos ajuda a sedimentar e solidificar nossas máscaras. E isso fortalece ainda mais a tese das máscaras nossas de cada dia.  Porém, torna-se indispensável salientar que não se tratar aqui de uma visão negativa e pessimista da humanidade, mas de uma visão realista do “homem social civilizado”. Portanto, nesta perspectiva, negar a dependência de nossas máscaras é assumir uma condição inversa. É comparável ao homem que arrogantemente estufa o peito e bate dizendo, “eu jamais menti sequer uma só vez em toda minha vida!” Argumento que por si só já imprime uma das mais terríveis e também das mais comuns mentiras que se pode dizer. Pois o homem, por sua natureza, e acrescentando a isso, as condições sociais as quais é submetido, por mais verdadeiro e transparente que seja, não estará isento de mentir, fingir, ocultar, dissimular, a depender das suas conveniências.
As máscaras nossas de cada dia podem ser caracterizadas e entendidas das mais diversas formas, e concebidas como positivas ou negativas a depender da subjetividade e da conveniência de cada um. Elas não existem desde o início da humanidade, portanto, não são inatas. Mas passaram a existir a partir do momento em que o homem passa do seu estado de natureza ao estado social. Assim sendo, não fazem parte do estado de natureza humana, mas do estado social do homem. Nesta perspectiva, estão intrínsecas aos nossos modos de convivência social e, portanto, caracterizam toda e qualquer ação do homem como ser social. Entre os tipos de máscaras mais comuns em nossas atitudes cotidianas, destacam-se: a máscara da hipocrisia, da espiritualidade, da riqueza, da arrogância, da força, da eloquência, da superioridade, da fragilidade, da vitimização, da beleza etc. (a ordem aqui apresentada não significa ter uma mais importância que a outra). Todas elas têm como objetivo, intencional ou não, esconder uma realidade que não se pode, não se deve ou não se quer revelar. Exemplificar aqui cada ação nossa de acordo com os tipos de mascaras acima citados, julgamos não ser necessário, dada simplicidade que esse exercício requer. Pois qualquer pessoa minimamente atenta será capaz de tal proeza.
É inegável a utilização das máscaras em nossas vidas. Seja para o bem ou para o mal (potencialidades que também são relativas). Thomas Hobbes, um filósofo contratualista do início da modernidade, diz que “o homem é o lobo do próprio homem”. Para este pensador, “O homem em seu estado de natureza, vivia em permanente estado de guerra de todos contra todos. Porém, seu agir era natural. Já no estado social civil, o homem passou a agir coagido pelas regras contratuais acordadas e estabelecidas pela sociedade civil,” e todo agir coagido configura-se um agir artificial, portanto, mascarado.Já, para Rousseau, o progresso das “Ciências, das Letras e da Artes”, ao invés purificar, corromperam ainda mais os costumes da humanidade. “Ninguém mais ousa parecer aquilo que é.” Diz ele. Para este filósofo, o homem desenvolveu uma capacidade tão grande de simulação que: “Precisamos, pois, para conhecer um amigo, esperar as grandes ocasiões.” E completa ainda o filósofo, “As suspeitas, as desconfianças, os temores, a frieza, a reserva, o ódio, a traição, hão de ocultar-se sempre sob o véu uniforme e pérfido da polidez”. Nesse sentido, torna-se possível afirmar que quanto mais urbanidade e polidez adquire o homem, mais capacidade de dissimulação e disfarce terá ele.
Usamos máscaras para tudo na vida. O aculturamento dos homens está muitas vezes tão intrinsecamente ligado ao mascaramento, ao ponto de tornarem-se indissociáveis e ao mesmo tempo, imperceptíveis. Para ilustrar esse pensamento, basta um singelo olhar sobre alguns clássicos da literatura mundial, dos quais fazemos inquestionáveis usos, desde os infantis ao nível mais elevado e complexo, incluindo inclusive, os textos sagrados. A lição que nos ensina a identificar e as astúcias do “Lobo mal” da história da “Chapeuzinho vermelho”, é a mesma que nos ensina a agirmos como o próprio lobo.   A lição que nos ensina a identificar e a nos defendermos das malícias da “Serpente do Éden”, é a mesma nos ensina a agirmos como tal. Desta forma, evidencia-se que, tanto a “Madrasta da cinderela”, com toda sua malícia, astúcia e maldade, quanto a própria “Cinderela”, com toda “pureza e ingenuidade”, utilizam-se de seus disfarces e artifícios (máscaras) para levarem vantagem uma sobre outra.
Desse modo, distinguir o falso do verdadeiro no que diz a respeito a natureza das ações humanas, é uma meta praticamente inatingível, dada a capacidade de dissimulação e mascaramento desenvolvida pelo homem. Pois como diria o próprio Rousseau, “O falso é suscetível a uma infinidade de combinações; a verdade, porém, só possui uma maneira de ser.” Assim, além de toda capacidade de mascaramento desenvolvida pelo homem ao longo da “história civilizada”, existe ainda a incapacidade de capturar por parte do outro a essência da verdade a respeito daquilo que se apresenta. Nesta perspectiva, se tratando da capacidade de dissimulação e mascaramento, o Filósofo diz ainda, “Como seria agradável viver entre nós, se a aparência fosse sempre a imagem da disposição do coração, se a decência fosse a virtude, se nossas máximas nos servissem de regras.” Porém, como disse anteriormente, ninguém é o que realmente aparenta ser; quanto à decência, adotamos aquele velho ditado “faça o que digo, mas não faça o que eu faço”; e por último, adotamos de nossa tradição cristã, apenas o discurso, e descartamos o próprio Cristo. “Amar o teu irmão como a ti mesmo” ou “jamais faça ao outro aquilo que não gostaria que alguém fizesse a você”. Isso como princípio bíblico! Todavia, não costumamos em geral, agir desta forma, pois devido as nossas máscaras, os nossos discursos, geralmente segue por um caminho e as ações por outro, havendo uma considerável distância entre ambos.
Exigimos sempre a verdade, mas não a suportamos. Gostamos de tudo daquilo que nos são agradáveis aos sentidos, menos da verdade. Alguém que por acaso tente ser inteiramente verdadeiro, em poucos minutos terá atraído milhares de inimigos e talvez até a morte. Como diria Martin Lute king, “Para atrair inimigos não precisa declarar guerra, basta falar a verdade!” Com isso percebe-se que a verdade não costuma ser agradável, ter belo sorriso, não dispões de muitas atrações. Ao contrário, às vezes costuma ser insuportável. Como, por exemplo, a morte! Pois ela é uma das poucas verdades indubitáveis que se tem na vida. Alguém por acaso sentir-se-ia atraído por ela? Portanto, a busca pela verdade, como diz Evandro Guedin, “deve ser uma constante em nossas vidas como horizonte último de nossa existência.” Desta forma, mesmo diante de toda dificuldade de se encontrar, mesmo sabendo de sua temporalidade, sua incompletude, e que ela não é e nem pode ser absoluta, negar sua existência, seria negar a possibilidade de se chegar a ela. Assim como não se pode negar as máscaras, também não se pode negar a possibilidade da verdade.

Professor Jurandi Pedrosa

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