PASSEIO EM SÃO LUÍS



Vamos querida, dá-me tua mão
Vamos descendo agora a escadaria
A escada da Fonte do Ribeirão
Esta fonte histórica do século dezoito
Onde o Poeta Romântico passeou com sua Ana Amélia
Olhe os peixes, veja nós dois no reflexo d`água...
Vamos agora para o Teatro Artur Azevedo
Veja essas sacadas azulejadas da Rua do Sol
O Teatro da prosa e poesia
Mas cuidado, agora vamos por aqui, veja...
Olha ali a Academia de Letras
Em que o Dias é o Patrono da Cadeira de M. Meireles
Pois é, lá é onde estão reunidos meus confrades imortais
Entremos agora para o Salão Literário
Vamos querida seguindo! Já chegamos...
Chegamos na Praça João Lisboa, veja lá a Igreja do Carmo
Onde vamos casar no futuro, quem sabe... em papel...
Vamos descendo querida, vamos ao convento
Convento das Mercês e Cafua do Negro... Museus...
Onde eu já lhe mostrara em tempos passados, lembras? 2006...
Vamos seguindo agora para o Reviver
Vamos REVIVER tudo... tudo...
Veja querida a Casa das Tulhas
Vamos beber uma cachacinha, pouca coisa...
Vamos comer camarão e saputi... ouvir um Reggae...
E beber só uma cerveja, pouca coisa...
Vamos seguindo, páre aí! Você gostou desse vestido?
Leve que eu pago, só pra você querida...
Você gostou dessa camiseta dos casarões históricos, leve que eu pago
Veja querida as janelas e sacadas
O artesanato, leve que eu pago...
Leve como minhas lembranças dessa bela São Luís
Mas sobretudo leve mesmo as lembranças de mim
Vamos querida para o Teatro João do Vale
Assistir Romeu e Julieta, juntinhos... no escurinho
Onde há de brilhar o nosso encontro
O Encontro além das doze badaladas
O Joel e a Irene agora personagens reais...
Vamos querida para a Praça Maria Aragão
Vamos até lá na Feira do Livro
Vamos alimentar nossa alma intelectual
Veja querida essas obras, esses livros...
Mas vamos agora querida...
Para outro lugar, parque a noite está chegando
Vamos passar agora no Palácio dos Leões
E do seu muro veremos a sol se por traz do mar
Num horizonte infinito e belo
Agora não dá mais para esperar
Me abraça por favor! Porque quero cantar pra você os meus versos de amor
E “Mar Portuguez... de “Pessoa” da Escola Modernista...
Descemos amada essas escadas porque já é noite
Agora vamos para a Praia do Olho D`Água
Longe de tudo, bem distante de tudo...
E sobre a areia escrevemos nossos nomes agora
Nossos nomes para sempre... sempre no Panteon da glória
Quero sempre... sempre...
Querida já é tarde, o tempo passou tão rápido
Gostei desse Passeio em São Luís do Maranhão
Gosto de você... só de você...
Amamos para sempre... sempre...
Para toda eternidade.



Bastosandero65@gmail.com

                                     José Antonio Basto
                                     XXII – XI - MMXI















Na falta de ar, de oxigênio, de UTI, dos excessos de burocracia

Nossa esperança



Eu falaria hoje de qualquer outra coisa, escreveria sobre a chegada do Papa ao Brasil, das manifestações avassaladoras ou outros movimentos que estão em evidencia nesse momento, porém, há dez dias trago parte desse texto em minha cabeça, reorganizo  a cada dia, acompanhando uma matéria aqui, outra ali,o texto lateja,  sinto-me em condições (na medida sensata) para escrevê-lo; não resta nenhuma dúvida de que estarei tocada pela emoção, aliás, escrever para mim, nunca foi tão difícil. Escrever não é  tarefa fácil  para quem está com um paciente em UTI, mesmo assim com poucas palavras, trago meu grito de socorro.
Mas hoje eu preciso escrever sobre o dia em que meu pai passou mal, com problemas respiratórios e teve que ir às pressas para São Luís, era quinta-feira, dia onze de julho; dia da Festa de São Bento, no povoado de onde minha mãe é natural, depois da saída dele do hospital municipal, lembrei-me justamente de algo que ele gosta de nos lembrar “temos mania de chamar São Bento só depois que a cobra morde”. Pois é, desde o dia quatro de julho, mais precisamente meu pai estava sentido dificuldades em engolir, engasgava-se com uma gota d’água, às vezes evitava, dado o sacrifício que havia se tornado em digerir qualquer alimento, convivemos com ele, e sabemos o quanto o Mal de Parkinson tem afetado seu organismo, sua capacidade motora, seus neurônios, enfim... em nós, não passava pela cabeça que de uma hora para outra ele pudesse ter crise de falta de ar. De verdade, naquela hora, não sei por qual tipo de sentimento fiquei mais tomada.
Os primeiros atendimentos foram feitos aqui, com o uso de oxigênio, com a atenção médica e de enfermeiros, com os cuidados com a nebulização durante a madrugada, com a indicação para que viajasse imediatamente e até mesmo com a sua própria voz quando apresentou “melhora” e dissemos que viajaríamos, concordou, perguntando: “Será que eu aguento?” Sobreviveu, graças a Deus.  Ficou os dois primeiros dias, na CTI da UPA da Cidade Operária, depois, transferido para a UTI do Carlos Macieira, muito boa, conforme vários depoimentos,  não preciso dizer que a equipe multiprofissional está formada, os leitos são bons e novos, monitores mecânicos, modernos equipamentos, estação cardio-pulmonar, contento-me que haja tudo isso, mas e a equipe médica, está realmente completa?  Chegando lá, dia catorze, para a visita noturna, o médico do plantão já pedia que autorizássemos a Traqueostomia procedimento que ajudará na recuperação e evolução de seu quadro respiratório, mas, até agora ou pela falta do anestesista ou do cirurgião, não foi possível realiza-la. E hoje já são onze dias com a respiração mecânica. No meio de milhares de brasileiros que precisam de atendimento urgente, está meu pai, que talvez nem lembre o que está sendo discutido pelo CFM, nem saiba que as últimas pesquisas apontam que no Maranhão para cada dois mil habitantes haja apenas um médico, não saiba que o governo federal propõe o Programa Mais Médicos com a intenção de melhorar as infraestruturas  e levar mais médicos para as regiões mais carentes.
        Em meio a tudo isso, está nossos corações, nosso pulso, nossas vozes que a cada visita demonstra esperança e atendimento digno naquele local, está o quase cansaço de não ver o dever cumprido pelo que estabelece as normatizações, está o descompromisso de algumas equipes em não querer dar as informações precisas,  a nossa impotência humana , está a nossa dor, ao ver nos olhos de meu pai, o desconforto e inquietação com toda aparelhagem, está a nossa fé e a busca pela excelência através da oração.  Está o  nosso apelo para os atendimentos urgentes  que  “é de poucos dias, de poucas  horas para ser mais preciso”. Por isso,  falar da falta de ar ou dos excessos de burocracia, é falar de milhares de pessoas desprotegidas em seus direitos,dos descontentamentos, das perdas irreparáveis,  é falar de deveres não cumpridos...Eu até falaria sobre outras coisas, mas, ficaria desprotegida, incompleta, indigna  e aos que criticam a importação de médicos, julgando uma violência à legislação, concluo com algo bem simples “ o melhor é falar de flores”, porque em nosso país os excessos e os descumprimentos de leis valem muito mais.

Um pouco mais, nem tanto!!



Começo hoje meu dia com o pensamento voltado para Deus, agradecendo por todas as bênçãos que fui capaz de receber e por ter o discernimento de manter viva a minha fé, a minha integridade. Construo essa minha releitura a partir de uma passagem de um poeta reconhecido “existe uma idade certa para ser feliz e essa idade se chama presente, ” logo fiz a escolha de ser feliz a cada amanhecer, a cada dia conquistado, a cada encontro com as pessoas próximas; a escolha de não remoer as dores e os empecilhos da vida, de não deixar se abater diante das tristezas e dificuldades.
Embora pareça estranho a maneira como resolvo parabenizar-me, possuo nesse momento de minha fala a ideia de que já fui capaz de escrever sobre tanta coisa, de prestar homenagens, de retirar lições, de lembrar sem muita dor da impunidade no caso do assassinato de nosso irmão, de ensinar e aprender, de que amanhã será o aniversario de minha irmã Soraya, depois o casamento de nossa sobrinha Fernanda,  da proximidade dos 80 anos de meu pai; lembro-me das poucas ferramentas que sempre tivemos e de que em alguns momentos fomos capazes de fazer a diferença na vida de pessoas. Estou feliz, sou feliz. Quantos desagravos! Quantas conquistas e ganhos nesse espaço de tempo! Quanto tenho sido abençoada ! Cuido para que a minha passagem não seja um mero acaso, cuido para tornar-me a cada amanhecer, mais humana, mais cristã, cuido para que a minha vida seja pautada pelo bom-senso e pela serenidade, cuido para ter mais motivos para agradecer, para ser e permanecer, cuido para enxergar melhor as qualidades daqueles que de mim se aproximam, cuido para que o meu abraço seja sempre fraternal e sincero. Enfim nessa nova idade, cuido para confiar mais nas pessoas.
Costumeiramente não faço festa, não me dou muito bem com fotos, houve um dia em que tive vontade de me esconder, de inibir minhas esperanças, de desistir de projetos e sonhos, de recolher meus recortes e escritas, de manifestar minha incredulidade diante de todos os fatos, vontade até de parecer mais tola e menos especial. Graças a Deus não vivo esse tempo! Graças a Deus hoje acredito na sensualidade da mesma forma que acredito na solidariedade; a futilidade às vezes necessária não me faz bem, nunca fez. Hoje meu aniversario ganha outro significado: começou bem cedo, à meia noite, chapéus de palhas, enfeitando as paredes; canjicas, mingau de milho, frutas, ponche, bolos de milho, tudo sobre a mesa anunciavam a importância dada à data e à pessoa. A discrição das pessoas,  a organização da surpresa, sinalizam a grande data, o que mais posso exigir de presentes? Resta-me praticar a aceitação de coração aberto, resta-me pensar no outro sem julgá-lo e sem querer prejudica-lo, resta-me manter os pés firmes no chão, resta-me a inevitável transformação, resta-me o sentimento de agradecimentos, a sensibilidade para o reconhecimento.
Portanto, sei que não mudei de uma hora para outra, sei que ainda tenho muito da quietude interior, porém sei que evolui e que posso ser mais humana, respeitando e aceitando o outro. Ao final, com essa minha simples homenagem, só posso mais uma vez agradecer a Deus e trago uma passagem dita pelo salmista “ensina-nos a contar os nossos dias para que nosso coração alcance sabedoria”, aos demais, irmãos, filho, parentes, amigos, colegas que expressaram o sentimento de alegria com a passagem de meu aniversario, muito obrigada! Aos que pensaram, escolheram ficar no anonimato, com mensagens mais discretas ou desejaram apenas no coração, obrigada! Aos curiosos, desejando saber sobre a idade, só adianto uma coisa: hoje estou um pouco mais velha, nem tanto! Agora, faço questão de dizer que as minhas renuncias e meu amadurecimento são o fermento para minha nova idade. Parabéns, Nilma!

Oitenta e quatro anos:alguns sentidos, minha história

Fonte:Iran Avellar




Ao falar sobre minha cidade, quando resolvo homenageá-la, a cada vez trago uma adesão, outros sentidos, um novo olhar, outra história.  Pelo que acompanhamos aos que estão atentos e parafraseando Heraclito nós não somos os mesmos a cada amanhecer; dia após dia somos “obrigados” a pensar de maneira mais otimista, a adotar outras prioridades, solidarizar-se, conviver, tolerar, fazer escolhas, e com a cultura de um povo essa teoria defendida pelo filósofo não podia ser diferente.
 De leve, dou uma breve olhada nalguns textos que escrevi ao longo dos tempos para homenagear Urbano Santos, vejo momento de extrema incredulidade, num round  entre o que temos de bom e o que queremos para nossa cidade; momentos em que minhas palavras soam bastante emotivas ao falar de nossos rios, de nossos descasos e as agressões constantes. Fiz textos em versos, em prosa, usei outros modelos, sempre mantendo minha identidade, de iniciante ou aprendiz; outras nuances não representam alienação ou desapropriação de conhecimento;  para mim, mesmo os que não gostam de minha escrita, vejo como uma maneira inteligente de fazer suas escolhas. Hoje quando escrevo, por exemplo, falo a respeito de minha poesia, de meu comportamento diante dos fatos e das histórias de meu município, é uma opção minha. Afinal, o que ficará de nós nesses anos todos de trajetória se não tivermos uma única vez coragem de posicionar-se diante de um fato? Mesmo não sendo pesquisadora, qual sentido pretendo dar para a minha participação nas comemorações desse aniversário?
Em 2012, aliás, quando escrevi “Urbano  Santos terra prometida...” provoco em nós a necessidade de rediscutirmos as oportunidades; de pensarmos nos desafios sem as frustrações pessoais, de continuarmos sedentos pelos compromissos; de preferirmos os ganhos coletivos; de desejarmos a festa, as inaugurações, mas de escolhermos o modelo de gestão que pretendemos construir; de sabermos  olhar para tecer vidas, para sermos  multiplicadores; de propagar que  o lugar é nosso; de que  o cuidado pela prosperidade depende de nós ! Ninguém dá conta ao mesmo tempo de todas as coisas, a cidade cresce, as mídias são outras, as divisões administrativas e geográficas sofreram alterações. De repente, depois de tantas mãos talentosas, passaram-se oitenta e quatro anos, e nossa cidade não são só dissabores, nos índices, não apenas maus  tratos, descompromissos ,gestos provincianos,  violência urbana, “pão e circo” , somos capazes de fazer parte dessa reconstrução; os tijolos e alicerces tem as nossas marcas; as tecnologias nos levam para tantos lugares. Se olharmos um pouco para trás encontraremos em nossas lembranças, fatos que estão apenas em nossa memória, como se fossem lendas. Outros olhares, outras determinações contribuíram para nossa chegada até aqui. E então: esse pequeno recorte não faz parte da história?
         Logo, depois de ouvir e ver cada uma das homenagens, de louvar  e agradecer na Santa Missa, de cantar ao som do  Coral São João, das bênçãos de Maria, das lembranças de São Pedro entendi com uma mensagem bíblica  Enviarei à tua frente o meu mensageiro; ele preparará o teu caminho”, confio que essa história e todas as relações nela contidas agregam valores para uma melhor  qualidade de vida, para o alavancar da prosperidade econômica,  por uma valoração digna de bens patrimoniais, pelo crescimento agrícola, pela superação de defasagem e distorções sociais, pela adoção de melhores atitudes, pela constituição da alternância de poderes, por outras vozes, nova aquisição de direitos, pelo cumprimento de deveres, pelas projeções acadêmicas, pela massificação da informação,pela democratização de mídias,  pelas revitalizações ... é claro que esses meus sentidos não completam os mínimos desejados por nós,  porque almejamos e merecemos muito mais, “porque ninguém dorme nossos sonhos”. Assim... e para você quantos sentidos e quantas histórias  cabem nesses oitenta e quatro anos da cidade de Urbano Santos ?Parabéns, minha terra querida; essa é minha homenagem.

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  N esse mês  da Mulher minha voz vem através da Rita de Cássia filha da Madalena , e para começar , minha tentativa não definirá os aspecto...