Das Águas mansas do Rio Mocambo às inquietações dos “Ribeirinhas “




Até outro dia mesmo, pelas leituras que fazemos, todas as coisas estavam em conformidade, tudo nos “eixos” ou estariam para confundir os leitores “fervendo aos noventa graus, tal qual um ângulo reto, segundo anedota contada por Ariano Suassuna ? Remontar esse texto, inclusive para mim mesma, mais parece uma sequencia, um conteúdo linear que prefiro concluir;  porém começo de outro ponto, sob outro aspecto, noutro tempo e local! Para mim, as definições de ali e de aqui , convergem! Só quem nos acompanha de perto, sabe por onde estou... Há uma leitura que fiz de Lya Luft  “ O tempo é um rio que corre” nele a autora traça as mais distintas relações, traz consigo uma suscitação de para “onde encaminhamos nossas vidas e tantos “afazeres e obrigações” que é comum ouvirmos ou dizermos: Me faltou tempo! Se eu tivesse tempo! No meu tempo! Foi-se o tempo! Já era tempo! E sobre essa última expressão tenho pensado um pouco.Há sete dias fiz minha penúltima postagem
Nossas mãos
Em se tratando de tempo, dos rios e das águas, nosso poeta José Antonio Bastos, publicou logo após a pequena enchente que houve nas nascentes de nosso rio em seu poema “ O rio Mocambo de memorias e esperanças / o mesmo Rio que ultrapassa as páginas da história e do tempo”! Daqui de onde escrevo, trazendo a cronologia, nem tudo são poesias: houve um tempo em que tínhamos nosso próprio rio no fundo de nosso quintal; ao lado do nosso; o rio de dona Biluca,(com uma canoa ancorada) mais adiante o rio de dona  Minuca; outros tantos rios com donos e denominações... e quando nos deparamos com os rios ocupando seus espaços, assustados , tentamos comprar brigas com ele ! Mas quantos de nós temos as lembranças saudáveis dos banhos demorados em nossos  rios? E se hoje , me ligo nas noticias , calendários e agendas tudo isso é atemporal, o que há são minhas memorias , minhas histórias e reinvenções! Para mim, tanta coisa que parece que foi ontem, ficou muito tempo para trás: do triste fato da noticia do assassinato de nosso irmão cabo Sodré que já completará dez anos;  da feliz aprovação de meu filho no concurso do INSS , há oito anos; das doses contadas de desafios e possibilidades na est(r)ada na função que estou e se  confundem com a recaída de nosso pai, há sete anos; as viagens que tive oportunidade de fazer com meu filho, com sobrinhos, com minha nora, com minha neta, com meus amigos, todas, todas  muito especiais; da publicação de meu segundo livro que já completa cinco anos; do casamento de meu querido filho, do nascimento de minha adorável neta  Maitê, já olho bem ali na frente fazendo dois anos; do nascimento de nosso pequeno Theo que breve, muito breve fará um ano;  outras tantas  memorias e as contextualizações de fatos que não caberia nessa página!  E o tempo não parou, aliás “ o tempo não para”, não dar trégua, continua sendo o rio que corre !
Estamos nos reinventando porque os tempos exigem de nós, respondemos quando somos perguntados sobre qualquer assunto, vivemos tempos sombrios, respondem outros quando perguntamos como estão; nas páginas vimos algumas alternativas sendo apresentadas, por aqui, através dos status, dos canais de Youtube, nos Facebook, nos Instagran ! Para qual tempo esse vírus invisível nos encaminhou?  Por coincidência ou providencia recebi esse Salmos hoje:  do  SENHOR é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam. Porque ele a fundou sobre os mares, e a firmou sobre os rios. Quem subirá ao monte do Senhor, ou quem estará no seu lugar santo?  E  nessa nossa reinvenção, mesmo quando usamos as passagens bíblicas , temos tido surtos de sofisticação, disse-me uma amiga! Temos visto as nossas imposições através de nosso cargos e  posições; temos assistido  às arbitrariedades, as contravenções, os desapontar,  as idolatrias, as conspirações, entre outros dissabores,o inflar dos egos,  no entanto,  a mim caberia repetir Papa Francisco “ QUEM SOU EU PARA JULGAR? Porque caberá nesse espaço, dizer que há sinais de solidariedades, e não são poucas.
Rio Mocambo: foto cedida
Volto para algumas releituras para não perder os costumes, no início da década de oitenta, fomos surpreendidos com as águas do Mocambo invadindo as ruas, deixando muitos  desabrigados, algumas famílias da Rua Monsenhor Gentil abrigaram-se na escola Chagas Araújo, bem aqui perto de nós,  em nossa imaturidade de adolescentes, parecia tão normal e natural, não senti a inquietação que sinto agora; há um medo estranho que nos ronda , estamos sendo vigiados por onde formos , sem ao menos saber por quem, nossas vidas , embora protegidas de máscaras permanecem numa linha tênue! Há máscaras caindo, outras que não cabem nos rostos; há outras que sobram; embora metáfora, a confiança no outro não é mais a mesma, o inimigo invisível anda de mãos dadas conosco! E quem somos nós? Além de nosso nome, de nosso sobrenome, de nosso CPF, quem somos nós? Perguntei-me por aqui, por essas horas enquanto digitava... Enquanto isso “um velho cruza a soleira” ,em duas rodas,  de olhos vivos, sem poder fazer seus rastros, (porque já deixou milhões), amparado por quatro mãos; aqui ele não é invisível , tal qual a canção é indivisível! E nosso nome é gratidão! Nosso velho, é nosso pai, nosso bisa, nosso avô! Meu ringo, meu ringo... saio da palavra certa , porque esse apelido... Está nas mãos certas!  Limpemos as mãos e os corações; essa minha inscrição, vem daqui de uma fonte em  que as águas são profundas!




Ajudas a disseminar esperanças!?




Cedida Pela Paróquia
Naquele tempo não é o meu tempo...li recentemente numa crônica de Adelia Prado que “ a memoria é contraria ao tempo, ela traz de volta aquilo que realmente importa”; em tempos de pandemia, puxei conversas dia desses com minhas irmãs , lá em casa , das lembranças da casa de nossos avós lá  no interior; lembrei também de que na minha primeira infância morávamos à Rua Monsenhor Gentil  (que era de meus avós) e houve uma briga , nas vizinhanças, envolvendo balas , e papai pediu que todos nós ficássemos debaixo da cama até que tudo se acalmasse (éramos quatro) ! Dentro de mim, por esses momentos, ainda guardo a sonoridade de sua voz: Há cuidados, há proteção! Se hoje abrirmos as páginas sociais uns dos outros, em boa parte delas teremos a mensagem do Pai : “Meu povo vão para suas casas e tranquem as portas; escondam-se...” ´Ecoar essas vozes agora  que há tempos vem sendo dito para nós: há os mais diferentes sinais! Quem teve o devido tempo para ouvir as inúmeras recomendações que nos foram enviados ?
crédito Naryelle
Quando de quinta para sexta-feira, arquitetei esse projeto de escrita, havia pensado em falar dos judas que existem em nós, porém em tempos insurgentes , e dada nossa ansiedade atropelada pelas mídias com cargas de informações, pendurei essa escrita para um momento de vitória ! Quero deixar na memoria algo mais produtivo, de meu convívio, de minhas leituras, e de minhas reflexões! Quando em Março publiquei És pin! Em mim, em nós: dem(i)ais tive naquela momento a sensação de uma desordem enorme no mundo inteiro de que tão pouco ou nada sobraria para contarmos historias , estava meio desanimada, coisa de momento para aquele escrita, pensei! Depois , ouvi , vê ou ouvir dizer de que o Papa Francisco rezou sozinho na Praça São Pedro para milhões de pessoas, que estendeu sua bênção, seu perdão, auscultei mais de perto para poder dizer: sim , nos preparemos para um novo mundo ; de que os mais diferentes líderes religiosos clamaram entre seus fiéis de que era momento de muita oração pela cura do mundo, fieis se prostraram para clamar a misericórdia, algo está fora da normalidade , tenho lido sobre isso! Li, vi e acompanhei varias cenas no mundo inteiro! Orações pedindo pela contenção do vírus; outras tantas pedindo saúde e proteção a todos aqueles que diretamente estão na linha de frente atendendo aos pacientes, orações pelos mais vulneráveis, orações por nossas autoridades para o verdadeiro equilíbrio e serenidade! O mundo inteiro (parece) que parou para agradecer! Agradecer porque todos voltamos a ser dos mesmos tamanhos, a ter a mesma importância! Agradecer porque compreendemos agora que a onipotência não nos pertence! Agradecer por sermos exatamente do tamanho que somos! Agradecer porque tantas vezes nos foi dada a chance de olhar para dentro ou olhar para os lados, mas nos faltava tempo! Agradecer para admitir nossa (i)mortalidade; ninguém está imune! E esse é o meu tempo, nosso tempo! Tempo de ouvir com sensatez para disseminar a esperança! Tempo de filtrar toda informação! Tempo de se reinventar!   Que a mídia e o vírus se espalhem se for da natureza delas, mas que entre nós haja tempo de reflexão e compaixão; que a histeria e o medo acenem para nós, no entanto que eles nos encontrem vestidos de nossa fé!Não deixemos o ódio nos contaminar!  Não nos assustemos mais; há(via) tanta coisa fora da normalidade e nem por isso manifestamos  pânico ! Se não souber bem  o que fazer porque sucumbiram todos os seus afazeres , as suas posições sociais: leia um livro, cante, dance, invente, escreva, demonstre solidariedade só não se desespere, esse deve ser o último imperativo
 Não inventei tudo isso que escrevi antes para dizer que eu mesma negligenciei a quarentena para passar uns dois dias aqui perto de minha neta Maitê, se eu contar os detalhes de minha vinda para Urbano Santos após vinte dias em São Luis onde vivem meus pais, debaixo de todos os cuidados, sou instigada a repetir as mesmas coisas... em nossa casa há sete anos , nosso respirador são nossas mãos, um nebulizador portátil , muito cuidado e atenção ! Enquanto isso ouço os depoimentos positivos, os números são bem menores, as redes sociais não sabem, a mídia nacional não tem interesse em publicar em “garrafais “ que está havendo pessoas que saem curadas “porque preferem vender as mazelas humanas “ poucas vezes temos visto exemplos do achatamento da curva apresentados por elas quer seja através da empatia , da generosidade quer seja por algum medicamento paliativo! É tempo de Pascoa, de renascimento, de ressurreição, se não entendermos que é preciso oferecer o que houver de melhor dentro de nós, de que fomos chamados a celebrar de outros modos, e se imbricados das velhas práticas  para satisfação de nosso ego, não adiantará clamar por um novo mundo, para que renasçam novos homens  após pandemia ! Que eu comece o exercício, porque a missão sempre fora maior do que a convenção! Tenho compreendido, sobremaneira nesses sete anos, na doce vida de cuidados com meu pai, que nossa purificação é alcançada mediante nossa fé, estivemos perguntando a ele sobre tudo isso que esta ocorrendo no mundo, já nos disse que não seremos atingidos: estamos dentro de casa, dessa vez sobre a cama, embaixo da proteção do Pai!
Crédito Naryelle
Enquanto isso, aguardando aqui na porta, a procissão passar , fico com o diálogo que Maitê provocou com o pequeno Pedro, ao modo dela, dizendo o motivo da cruz ali na porta , a gente já vem de outras cargas de emoção, fora a parte o medo (imposto pelas más noticias) quando de longe ouve o refrão do hino   Prova de amor maior não há, maior não há que doar a vida pelo irmão...a sensibilidade não vem só, em seguida a imagem do Cristo morto para que nos transformemos verdadeiramente , porque foi por nós, por todos nós que Ele deu a vida ! Em minha memoria, um tempo que não volta, (há dez anos nosso irmão fora chamado por nós) mas um presente que pode ser refeito; e a procissão seguiu por varias ruas da cidade, os Padres pararam defronte o Hospital para conclamar bênçãos dos céus aos pacientes, aos cuidadores, aos munícipes , às autoridades ! Uma lembrança que marcará por longos tempos essa geração! Por aqui diante dessa pandemia, nem devia ter a distinção entre quem prega o Evangelho de uma forma ou de outra, todos, sem nenhuma exceção, porque creem  entoam a mesma canção  “ Porque Ele vive, eu posso crer no amanhã, porque Ele vive temor não há. Mas eu bem sei que o meu futuro está nas mãos de meu Jesus que vivo está”. Estamos tendo mais uma chance, penso assim, e que essa disputa entre as mídias, as vocações religiosas e os poderes não sejam um  infortúnio para todos nós ! É tempo de desapegar, e o epílogo precisa ser a nova versão do ser humano. E até que a empatia contamine a todos, fiquemos em casa e “com a beleza das respostas das crianças, é bonita, é a vida ”! E o sentido da vida está nessa reinvenção, me perdoem se sou repetitiva... por novas Páscoas em que desapareça o Judas e permaneça: “ajudas”, a solidariedade, a esperança, o afeto! Criemos coragem e compartilhemos nosso Ovo da Páscoa com aqueles que não assimilam  o sentido dessa convenção!  Compondo laços com as escrituras e com a vida para que a Páscoa seja todo dia!





És pin! Em mim, em nós: dem(i)ais


A despeito de qualquer outro fato, há exato sete meses não escrevo nenhuma linha para meu blog, fui adiando, adotando os “status” os “stories” e quando me dei conta não sentia vontade de sentar-me à mesa para escrever praticamente sobre nada ! Há sete meses! Há nesse ínterim sete anos que estamos nesse revezamento sadio com os cuidados com meu pai ! Há “outros sete“ embutidos e imbuídos de outras histórias, não serão parte .. Nas passagens bíblicas, sete, representa a plenitude, a promessa! Tranquei-me para tratar de outro assunto, de nossas vulnerabilidades, de nosso egocentrismo, de nossa disputa por poder, de nosso empenho em sermos ou termos mais; digo, nossas, porque de um modo ou outro, em meio a tudo isso não devemos apontar apenas para o lado do outro.
No tocante à vida, inicio de Março (para nós) o orquestrador do universo acrescenta no volume das chuvas, às boas águas de Março, a vinda de um vírus desaguando por aqui, de outros continentes, e veio sorrateiro, invisível, tornou-se o primeiro inimigo do homem! Estava eu, organizada para viajar, não havia me ligado muito nos noticiários, achei no primeiro momento que não seria demais manter o planejado! Fomos! Depois quem somos nós para julgar!? Não nos adiantaria no processo da cura, apontar culpados, não é?  Em 2016 já éramos convidados através da Campanha da Fraternidade a cuidar da “Casa Comum” que desde sempre é responsabilidade nossa; e começamos a achar assombroso que o vírus nos aponte para um novo tempo; tempo de união e de distanciamento; tempo de reflexão e de ações imediatas; tempo de se encontrar nos nossos próprios lares, tempo de prolongar os diálogos e conversas nos grupos virtuais , tempo de ser sem necessariamente aparecer, tempo de rever algo que já era previsto . Ponderar respostas; e filtrar informações  ! Em mim tempo de emoção! Como escreveu alguém em sua página  “ há momentos em que eu preferia não esta na historia” ! Posso pensar agora na literatura, principalmente bíblica,  na historia , na matemática, nisso ou naquilo, meu filho mesmo quando nos explicou sobre a evolução do vírus, nos falava em “progressão aritmética e progressão geométrica”, e a gente não precisa detalhar conceitos, e qualquer que seja a dimensão de minha história, penso com equilíbrio, com sensatez, e acima de tudo apego-me a minha fé ! Do ponto de vista da estética, dos olhos de quem ama, temos contatos frequentes com pelo menos quatro: nossa mãe, primeira e melhor cuidadora de nosso pai; nosso pai, seu José, homem forte, vindo de uma avalanche de pneumonia, paradas respiratórias, perto de seus oitenta e sete anos; Maitê minha querida e amada neta que ainda não completou dois anos e nem sabe do que se trata; e de nosso sobrinho neto Theo, com apenas oito meses, a todos eles, queremos muita saúde e proteção e faremos o que estiver ao nosso alcance para protegê-los; em mim, não cabem mais medições, lido com a emoção , porém, procuro ser sensata em meus pronunciamentos ! Tudo é providencial! Não dependemos de opiniões rasas, tão pouco pretendemos espalhar o pânico, aqui a dimensão está em algo intocável, invisível e irrevogável ! Há quantos anos Raul Seixas escreveu que houve um dia em que a terra parou ?  Foi em um dia comum, desses contados pela cronologia,  foi um dia “como se fosse combinado em todo planeta , naquele dia, ninguém saiu de casa”! Chegou esse dia para nós: pais , mães, filhos,  irmãos, tios, sobrinhos, autoridades, professores, alunos, pastores, sacerdotes, artistas, ambulantes , todos foram convidados a ficarem em suas casas ! Por que essa convenção ?
No cenário mundial, quantas historias já atravessaram gerações antes das nossas?  Da convenção, há escolhidos e capacitados: médicos, enfermeiros, farmacêuticos , bioquímicos,  soldados, biólogos, guardas municipais, auxiliares de limpeza, vigilantes , técnicos de enfermagem , biomédicos, feirantes,  bancário,  gari,  faxineiro,  frentista,  ambulantes, caminhoneiros, trabalhadores informais, motoristas etc, etc ; e antes delas, nossos gestores, líderes escolhidos por nós,  que se manifestam , tentando encontrar uma saída menos dolorosa para seu povo, e principalmente,  entre aqueles que não tiveram como parar  ! Há corredores cheios em todos os lugares, há outros vazios, há vidas latentes por perto de nós; há sobreviventes,  no entanto parece que nunca nos importávamos com as pessoas, até que o vírus tenha surgido! Somos invisíveis ,  muitas pessoas eram invisíveis para nós; a pandemia, via de regra, nos apresentou isso, infelizmente: a insensibilidade ! Li os mais distintos exemplos, daqueles que nossos colegas mais próximos divulgam às diferentes conjeturas, cartas abertas, documentos oficiais de estado para definir providencias e prioridades, e nosso município não está por fora! Não nos omitimos, temos tomado os cuidados necessários! Dessa vez, não estamos com medo de nosso próximo , mas com medo de que nosso próximo seja o transmissor do vírus, e a cadeia não pare... e cada vez mais nosso pavor aumenta, de que sejamos o próximo .
Por último, não menos importante, ilustro com os filmes Epidemia, em que um vírus mortal foi levado de forma clandestina para outro país , mas quando o cientista encontra forma de ajudar a população é afastado do caso; e o  Ensaio sobre a cegueira , sobre ele, os críticos acrescentam “ não é apenas uma história, mas uma reflexão daquilo que realmente somos” e sobre esse modelo de homem que vive no agora , das coisas imediatas , dizem “ é o desmoronamento moral, traduzindo a confusão dos conceitos em um tempo em que todas as informações tem o mesmo peso” ! Assistir aos filmes é uma sensação, conviver com a carga emocional do que ditam as redes, as mídias, o sistema, as organizações, não dar para explicar em meia dúzia de palavras ! Para ser sincera, eu me encarrego de criar minhas próprias dúvidas, não responsabilizo outrem, trato de cuidar e curar meus medos, afastando de mim, essas possibilidades apresentadas, não pretendo acreditar nem duvidar de nosso Presidente,   quero ser parte dos que “achatam a curva” ! A gente nunca sabe o que a história contará depois de nós...Deixemos nossas ideologias de lado, nossas crenças, nossas opções, nossas melhores escolhas e cuidemos uns dos outros, coloquemos nossos corações em eterna oração e sobre essa linha tênue,  curva tão perigosa  “ a gente ensaiou aqui nesses dois dias, com a saída da cânula de papai”! Estamos todos, praticamente todos tão assustados com tudo isso, embora alguns de nós já vivêssemos uma grande guerra, só agora nos demos conta da ausência de paz!  E o que tem acontecido com nossa fé? Grata por mais esse ensaio, por todo aprendizado, pela chance de depois de tudo isso , tornar-me melhor; porque eu creio num novo amanhã; porém, custa-me muito dizer “ Eis-me aqui Senhor”!





De meu quintal : um 13 maior que o mundo


Ouço as palavras , ouso nalgumas ,  uso-as como parte do papel para compor a outra parte de meu silencio , recorri a  Manoel de Barros para falar de minhas crendices e narrar mais uma experiência  e antes de qualquer manifestação contrária houve um tempo em que eu acreditava nessa onda de “treze número do azar, do medo ou  da superstição, numero da derrota ” , ficou para trás , embora seja familiar  para quase todos nós o que dizem as teses na teologia cristã“o treze representa o número de discípulos presentes na última ceia, faz ainda  uma referencia ao que chegou por último e  traiu nosso Mestre ! Pensemos nas somas dos números como resultados positivos; pensemos nos números sem que a eles tenhamos de associar nossas ilusões...
Pois bem seria exaustivo falar de outros antecedentes ou analogias por quais passei relacionadas ao treze, de testemunhos, depoimentos, prefiro pois falar das positividades , das conquistas, das melhorias e quando alguém pergunta sobre qual meu número da sorte, digo-lhe que número 13, para não ser apenas vitrine , por muito pouco ano passado quando saímos do  Maranhão para conhecer as águas lindas do Velho Chico, não era um  dia treze;  contudo, para quem tem fé não há essa de ter mais ou menos sorte, se  é dia de lua cheia, se o gato é preto, ou a escada esta virada ... a gente segue! Em 2018 quando fui motivada a conhecer os Cânios do Xingó, atravessando todos os estados nordestinos para chegar ao Sergipe , meu irmão que mora em Porto Velho estava no Maranhão e tão logo eu chegava , retrucava entre si  “Ir bem ali em Porto Velho me visitar não quer”, fiquei por ali matutando!  Tem razão, o  mundo é tão pequeno , e não vale mais a velha desculpa do medo de avião , há sempre alguém na poltrona ao lado par nos dar a mão ... e assim nesse ano, por incentivo de meus tios  Jesus e Sueli que moram em Brasilia , logo no inicio desse ano começamos a dizer: esse ano vamos visitar Pardal e a família dele, sim iremos , sim podemos ,`se Deus permitir`! E Ele permitiu!Trouxe a lembrança os motivos pelos quais meu irmão viajara para  o estado do Amazonas há trinta e cinco anos , lembrei-me de ter ido com meu pai até a rodoviária para que começasse sua maratona ate chegar a capital , porque havia um percurso de embarcação , trouxe a memória alguns anos que meu  irmão deixara de dar noticias , das saudades, dos desencontros, `viver longe bate uma saudade , pegou malária dezenas de vezes, engrossou os couros, sofreu grave  acidente,  rotinas bem diferentes e pouco mais rígidas tivemos naquele inicio da década de oitenta! Meus pais acreditavam que saindo de nossa terra ` indo para uma Capital maior era sinal de “conseguir um emprego, uma perspectiva de vida melhor “, essa era uma das justificativas e  a capital que meu irmão morava foi ficando cada vez mais longe, mas desafiador.... Nesses anos todos de longas e duras experiências  alguma coisa foi sendo transformada dentro de nós, e porque a vida por si só se justifica, nos apegamos às alegrias,  às chances de encontros e reencontros
Por aqui, não prego algo que não tenha vivido, em nossa infância e adolescência tivemos limites, para perder os medos  , para ter grandeza no “ser”; para saber quanto valia um sim ou um não! [...] E assim, me organizei para a viagem e fiz o convite ao meu sobrinho Victor para que diminuísse em mim aquele impacto que é  fazer voos tão longínquos , de tabela , na semana que antecedeu a viagem tive uma crise de gripe seguida de tosse, e fiquei  visivelmente  abatida ... e nossa viagem seria dia 13 de julho  pela manhã, chegamos a Brasília e uma tão boa recepção nos aguardava, desfilamos um pouco pela capital , descansamos, ao final da tarde fomos à  Igreja de São Francisco, à noite nos preparamos para o voo, mais três horas à base do Dramim, com a sensação de que diminuiria  os enjoos e os medos, do alto me pegava às orações para evitar que “aqueles silêncios ” virassem destroços ! Ali não era um turismo comum, era um sonho pessoal nosso : de irmãos e sobrinhos para encontrar-se nas selvas amazônicas  e poder contar como nos disse o Mario: aqui não são só os matos, viu tia ! Sim , entendemos que há sangue de índios, há nosso sangue correndo por aqui e  são especiais para nós !  Ao chegar na capital, começamos a nos dar conta de algumas diferenças, a começar pelo fuso horário; depois ao descer do voo, a noticia congelada de que minha mala não havia embarcado, mas nem de longe me aborreci, ou associei isso ao nosso dia treze, dia de benção, dia de gratidão; fizemos uma viagem tranquila.  Antes de dormir, aquela pequena reunião da noite para um lanche: Juntaram-se a nós, nosso irmão, sua esposa Dora, seus “meninos Mateus, Marcio e Mario”, tudo era novidade e alegria, em tudo faziam uma piada ... dia seguinte fomos conhecer o balneário Cachoerinha; ali o sol nasce bem mais tarde, ainda assim , para todos.
E a nossa rotina naqueles cinco dias de viagem já estava mencionada: era a alegria do encontro, de conhecer novos membros, de vê a beleza do Pierre Gael , neto de nosso irmão, de citar com as frequências o nome da Maitê, minha neta amada ; das menções de nossos pais, sempre com uma citação, um exemplo...no outro dia pegamos a estrada até chegar em Guajará Mirin e  atravessar ”o pequeno Rio Mamoré”  para conhecer a cidade  do pais vizinho, para mim, seria aquela travessia, porém deu tudo certo, desfilamos na avenida daquela cidade, confundindo as vozes de outra cultura, empatamos nosso tempo, olhando uma coisa ou outra, retornarmos para almoçar do lado do Brasil , pondo em dúvidas as culinárias do país vizinho; mas registrei  tudo;   à tarde o percurso de volta mais quatro horas de viagem ate a capital !Ao chegar, repouso para o dia seguinte conhecer um pouco da historia de desbravamento de Marechal Rondon, em seu memorial, diferentes recortes  a respeito de suas viagens, de conquistas, lá a gente conhece sobre a  capela de Santo Antonio que fica com vista para  o Rio Madeira, e a nova  Usina Hidrelétrica do Santo Antonio, e aquele percurso no trem para saber outras narrativas com o maquinista; fizemos os nossos caminhos   e ao chegar ao Mercado Central encontramos uma conterrânea (nordestino a gente encontra em toda parte, firme e forte) ao que ela dizia: o mundo é muito pequeno, sim, pois é ! Quando de volta, chegando em  Brasilia, na mensagem, meu irmão disse: ficou a saudade, uma parte de mim vai sempre está ai com vocês! Sou grata, grata demais a Deus porque há eventos em nossas vidas que são tão instantes, mas tão especiais ; grata aos incentivos e companhias dos tios Jesus e Sueli e da prima Gessiana; grata ao apoio moral e o riso frequente do Victor; grata a toda recepção de carinho de nosso mano , esposa e nossos sobrinhos ... demos até breve a todos , nos despedimos de nosso irmão com aquele nó , de que eu não contaria todas as partes; as fronteiras são muitas e a nós cabe a decisão de acolher, de agradecer...
Essa foi a minha história, ela é impar, podia ter se encerrado dia 13 ou mesmo 31 de Julho, no entanto, sou gente de fé! E a gente se coloca no lugar do outro, daquele  que vive distante dos pais, dos irmãos, de sua terra natal; porém constituiu uma linda família à base dos ensinamentos cristãos , que aprendeu os sentidos dos “sim e dos não” para adquirir maturidade ; a gente perde uma coisa aqui outra ali, e vai aprendendo , e tudo que nossos pais, nos ensinam é para nosso bem...quando cheguei em Brasília já de volta para casa, dei por mim que meu treze foi mais uma vez o número da benção; da aventura consciente e necessária; trouxe comigo um pedacinho de cada , com a  sensação de saudade, de esperança , e que nesse mundo tão pequeno cabe a cada um de nós ousar e voar quando perceber a necessidade ou ficar em nosso conforto sem vistas a crer noutros encontros  , e quando nossa conterrânea nos disse : esse mundo é tão pequena , mas tão pequeno; pensei “daqui de meu quintal tenho  a chance de avistar o mar” ! Na plaquinha do Memorial Rondon, estava Mario de Andrade : estive aqui,  e em seu livro  O turista aprendiz deve ter feito boas transições ... saibam todos que também estive ; de todas as fronteiras: em encanto, o encontro, a superação e o meu coração com um TREZE que é minha oração de vitória! Instigo em todos a condição de compreender que minhas ideias fora do lugar dão sempre feição ao agradecer!



De Urbano Santos para o nordeste brasileiro : celebrando a vida





De Janeiro desse ano, de quando percebi que meu texto sobe a boneca Maitê havia sido selecionado para participar da Antologia “Literarte Celebra o Nordeste Brasileiro” especialmente quando recebi o flyer, com os dizeres do texto escolhido e a foto, encurtando a conversa, 2019 começa com a prerrogativa de que terei a chance de mais uma vez fazer cinquentas  e desse o “ melhor ano da história da minha vida”  e eu só enxergo motivos para agradecer ! Tenho sido agraciada com a presença de pessoas do bem, que desejam o bem, sido privilegiada de estar no trabalho e função que inspiram confiança, mas e principalmente com os cuidados de Deus comigo, com minha família porque sei que toda missão a nós confiada, passa pelas mãos do Criador; minha inspiração começa com o sentimento de gratidão porque nasce de mim, além da vontade em escrever  , a vocação, devo dar graças por tudo!
Como eu disse aqui anteriormente, não faço feitos sozinha, conto todas as vezes com outras mãos (https://contosetal.blogspot.com/2019/06/pelo-poder-das-palavras-ca-estou.html)  em retomar essa participação, não pretendo recontar todas as historias , já tive dias que não foram fáceis , por conta de escolha e decisões que em nada me acrescentariam ;  ainda bem que nossos pais são aqueles que nunca desistem de nós! E para falar de qualquer outro dia do Mês de Junho, terei que buscar o que é minha participação nesse contexto e alegra-me em todas as vezes de poder ter tido o merecimento de receber a Comenda Chagas Araújo indicada pelo  amigo Edinilson, mas com a anuência dos demais. Fiz aqui uma reflexão, e já fiz contestações que depois de ditas , me pareceram arrogantes  ao extremo; dei respostas transviadas para uma autoridade local por duas vezes seguidas , quando num diálogo, nessa última em 2000 se encerrou com duas frases dele e uma pancada na mesa:  “ aqui quem manda sou eu”, desafiada, guardei minha voz, esqueci “ o verbo para calar o medo”.   Fui para o enfrentamento através de Jornal e blog com outra maior autoridade, quando meu irmão fora assassinado em 2010; por conta disso amarguei alguns silêncios, papai sentiu-se acuado e teve medo de que outros rojões nos atingissem e ficasse sem mais “um filho”; foi dolorido silenciar sobre esse caso... Então fizemos as tentativas e nada é em vão, fomos na fé, no exercício da oração, porque não há o que compreender sobre a morte... no entanto quer na sala de aula, nas ações, nas execuções de atividades, quer nas conquistas coletivas, quer na defesa de teoria, usando minha voz compreendo que tenho pertinente participação, e como digo nalgumas vezes, “ a gente sabe muito pouco sobre que usa sua voz a nossa favor” ,sem o desgaste de meus equilíbrios porque desde que assumo sei que tudo isso  faz parte. Não trago nostalgia, trago lembranças e sei, bem sei das  vezes que estendo a mão e das vezes que  sou confundida demais pelo “não saber” ou  desarrimada, nalgumas vezes nem me enxergam, narradores é como se não fizessem parte das estatísticas,  são preços e passos que atravessamos para cumprir missões maiores: cumpro a feliz sina, do plantar ao colher, é justo que haja tempo para o regar! Colho a minha parte! Não me reclamo, nem exagero nas prescrições. A própria escritura diz que “ a cada um é dada uma manifestação em vista do bem comum”
Quero antes de tudo edificar meus dons! Falei dia desses sobre um tie break  considerando a arrogância de um governo de dez anos atrás , de uma parcela enorme de gente obcecada e a provocação constante ao Núcleo Sindical de Professores , na época sob a Coordenação do professor Clemilton Barros ; tratei também dia desses de dizer que há mais de dez anos eu publicara meu primeiro livro, de lá para cá, amadurecimento  necessário; brilhos especiais fazem parte de meu olhar, continuo com as mesmas esperanças de que meu lugar seja o melhor para se viver , e mesmo enfrentando as dificuldades tenha seu potencial, suas riquezas e esforço de seus gestores espalhados em paginas especiais! Urbano Santos celebrou a vida característica pulsante dentro de mim durante todo Junho! Urbano Santos escreve nova página na história, e essa não é a partida final! Senti-me demasiadamente gratificada em ter sido uma das escolhidas para participar da obra “Literarte Celebra o Nordeste Brasileiro, orgulho em dizer que há belezas em minha terra , mesmo quando as culturas custam um pouco a chegar; sair das fronteiras e participar com Antonia Rodrigues e outros renomados nomes de uma literatura viva,  de um cotidiano perto de nós!

Celebrei o Nordeste , mas antes celebrei a vida de minha adorável neta !  Celebrei a escrita e de igual modo a minha  própria vida naquele 21 de  Junho no Espaço AMEI; reinventei minha voz para falar das presenças ilustres :entre irmãos, filhos queridos, neta amada, sobrinhos, amigos , colegas de minha querida  cidade  que estavam ali conosco ; disse em meu melhor tom do trabalho dignificante que tem nossos colegas professores. Celebrei a vida, a escrita e a boa dialética visivelmente lembrada pelo meu sobrinho, fiz daquele momento o mais impar de todos, não para destacar meu aniversario, nem meu discurso mas para consagrar meu município, deixar registrado minha gratidão, e eu conseguiu! Brinquei com as palavras sem perder o foco no sentido do fato, debrucei-me sobre minha real arte para que a sensação de sensibilidade não se afastasse de mim! Que tudo isso não foi para colunas sociais, isso é fato, mas prestamos nossas homenagens, recebemos nossas placas de participação influenciamos os convidados  a conhecerem a fonte, a participarem conosco da construção da historia da “terra prometida”: Professor Manoel Ramos em sua rede social disse que Urbano Santos deu o tom da festa! De Urbano Santos para o “Nordeste” é tudo tão perto, celebremos a vida! Deixemos o orgulho de lado, e estendamos as mãos, o nordeste não são apenas os cactos, há flores espalhadas pelo chão! Agradeço a todos , centenas de pessoas que me ajudam a (e)levar minha mensagem adiante, agradeço as presenças e aos corações otimistas que nos  ajudaram na divulgação da Obra Literarte Celebra o Nordeste Brasileiro! Esquive-se de pensamentos negativos e calce os pés, a "leitura é acidentada", autoestima elevada, poder ver e ouvir, ser parte dessa linda historia, ache tempo para gratidão. 
             Celebro a vida! Desejo paz! Sejamos a luz! Tenhamos alguém para ao final apagar as luzes...Essa é minha chance , eterna será minha passagem.


Pelo poder das palavras: Cá estou ...


Do lado esquerdo,filho querido; e o amigo França
Passaram-se já alguns meses “ a gente”  vai se ocupando , vai se acostumando com essas ondas  quentes e de umidades de ar, vai se entretendo com redes sociais instantâneas e deixando de lado o canal útil e necessário para a construção de nosso perfil , para serenidade de nossa passagem aqui nesse território que é nosso por empréstimo. Como vês, caro leitor, cada um de nós tem papel importante nos processos nos quais participamos, sem nos distanciarmos da missão, há quem encante o mundo com suas palavras, há milhares que colaboram com suas ações; há vozes que oram para que o mundo torne-se mais humano, mais cristão! Não revelo descaminho, sou professora de rede pública, e quando final do mês de Maio recebi o convite para que comparecesse à Câmara de vereadores para receber a Comenda Chagas Araújo, muito mais do que lisonjeada, tornei-me me interessante ícone para nosso município ; nossa cidade fazendo 90 anos, nossas mãos construindo essa história, nós, por indicação do vereador Edinilson Moura sendo uma das homenageadas , como não se sentir orgulhosa? Receber presentes é de todo modo, uma alegria, para mim, essa medalha foi um grandioso presente.Muito obrigada querido! 
eu e meu amigo 
No último Maio, dia 28 guardamos as lembranças de nosso irmão Cabo Sodré que há nove anos fora assassinado, há lacunas enormes nesses espaços de tempo; são quase seis anos , na lida diária, nós e nossa mãe, com nosso pai (breve fará 86 anos) nessas e tantas outras leituras temos muitos motivos para agradecer , para comemorar ! O mês começa em festa, aniversario de nosso irmão Robson,  em nós a esperança de que prevaleçam todas as vezes os pensamentos positivos, as emoções otimistas; dia dezenove minha neta amada Maitê fez um ano, logo em seguida, eu fiz meus cinquentas; mas precisarei retomar ao inicio do mês de  Junho: dia 08 fomos ao Povoado São Bento participar da inauguração da Cooperativa da Tiquira Guaribas, uma valorização necessária para as pessoas da comunidade;  dia 09 pela manhã estivemos na Missa Solene pelos 90 anos de nosso município, o sentido histórico daquele momento não caberá em descrição alguma,  depois dos ritos, recebi a oportunidade de usar minha voz; (sem ter feitos anotações) fui falando dos inúmeros desafios que já enfrentamos, citei um exemplo de quando morávamos à Rua Monsenhor Gentil, fiz a devida referencia a dois  nomes importantes para mim e de suas contribuições para o município: Rosalina Araújo e Professora Nona Oliveira porque compreendo que em seus campos de atuação, ao tempo em que tiveram suas chances  deixaram suas marcas, colaboraram para que novas histórias surgissem, tem um pouco de suas mãos, de suas conquistas nesses noventa anos de nosso município. Sou grata , de coração aos que me ofertam oportunidades, grata aos que na construção coletiva nos estendem as mãos,  nos ofertam braços; disse isso ali, publicamente. Dia nove estaria só começando porque à tarde , hora de receber a Comenda Chagas Araújo,  na justificativa,  a medalha e certificado seriam entregues aos nomes que de alguma forma contribuem com nosso município presente, e quando fui chamada, mesmo sabendo que a minha gratidão primeiramente é a Deus, segundo a minha família , dela vem nosso apoio, nossa sustentação; se não podia, nem soube, fiz alusiva homenagem aos nossos companheiros do PT , da justa e merecida lembrança de que devo a eles a oportunidade de participar e contribuir na função, não protagonizo “feitos” sozinha; descanso vez ou outra para que no revezamento necessário, outros nomes possam assumir a liderança, assim tem sido meu exercício; minha passagem.
Amigos: Edinilsom , Clemilton , Jurandi, Paulo Costa , Raimundo
Que alegria ! Que enormes satisfações! Minha medalha era do mesmo tamanho da medalha do Desembargador, significativa medalha, semelhante a de nosso deputado Aluisio Mendes, tão importante quanto a de nossa Prefeita Iracema Vale; minha medalha era de igual modo respeitada quanto a do médico querido e amigo Christian Guzman; salvando vidas; medalha valorosa entregue aos nomes amigos e professores: José Raimundo, Clemilton Barros, Jurandi da Conceição; e quão importantes contribuições da nossa amiga  Advogada Norma Silva , outros nomes desfilaram e mereceram reconhecimento, com as devidas indicações e com os trabalhos prestados. Conheci dr. Christian Guzman era um menino, da minha amizade com a mãe dele, a guerreira Laura Alice, segundo ele, quando voltava da escola, passava pela porta do Hospital Público e dizia consigo: “já pensou eu um dia sendo médico em meu município” , repetia isso na sala, dizia entre nós e claro, endossávamos com ele a possibilidade; não foi fácil, nos disse ele quando retornou de Cuba, mas conseguiu! E para nós é um grande privilegio, contar com essa prata da casa. Quanto poder tem nas palavras, todas as forças se somam aos ímpetos do otimismo.
Nesse contexto, em que mudanças atuais chegam mais perto de nós, houve na tarde do dia nove de Junho importantes discursos, ressaltando o papel e a relevância do professor para a construção de sensibilidade de um povo., afirmações audazes fizeram nossos magistrados, que adquiriram suas “cidadanias” com muito boa vontade, mas sobretudo através de muito estudo, deixaram suas mensagens de que “somente a educação servirá de porta de entrada para maiores sonhos”; palavras ratificadas nas considerações da Advogada Norma Silva, a determinação, o desejo de “aprender e ser” são constantes no vocabulário de quem deseja vencer ! Daquela tarde, eu trouxe muitas lições, de meus equívocos com algumas pessoas mais próximas, do idealizar um sonho possível construído a muitas mãos, dos propósitos e desafios e nossa capacidade de lidar, visando o bem coletivo! Quanto de amadurecimento renovo diariamente dentro de mim? O “operário letrado” participa dessa vitória comigo e a Comenda Chagas Araújo devo mesmo aos meus pais, e ao meu filho, se me faltarem atitudes, (porque estou propensa a erros) preciso do poder das palavras,  por eles, cá estou! E dia dez foi a grande festa, eu pedalei, não por escassez de afeto, mas para desgastar todo e qualquer tipo de ego, testar esse coração que pulsa , reconstruir a confiança! Mês de Junho faço as pazes com a vida, e excesso de razão... a mim basta a gratidão ! Em seu nome Edinilson, deixo o abraço, a grata satisfação!














Da arte de (es) calar, de multiplicar e de comemorar uma década


foto cedidas por Jurandi
Encontrei aqui entre meus papeis, um escrito cujo título é “ Os judas nossos de cada dia”, escrito há exatamente dez anos, quando vésperas de Semana Santa, de nossa ida ao Povoado Cajazeiras para acompanhar uma sessão ordinária da Câmara de Vereadores em que o Presidente da Câmara pretendia em sua supremacia aprovar umas prestações do executivo, na ocasião, papai havia me alertado , caso escreva algo não fale sobre nomes; evite fazer citações sejam quais forem, eu (dez)obediente que sou, contei o fato. Marcante fato porque nomes grandiosos se fizeram presentes e compreenderam a sentido da luta coletiva. “ Em cada década um grande homem”,
foto cedida por Iran Avellar
Naquele ano havia sido deflagrada a greve de professores, considerando algumas arbitrariedades, entre elas, a retirada de uma matrícula de alguns colegas nossos, não foram dias fáceis, de um lado, o entendimento de que não lutávamos apenas pelas perdas salariais, de outro, a conivência de uns poucos que comungavam com a ideia do executivo e legislativo de que não passava de “insatisfação dos derrotados” no processo eleitoral. Coincidentemente nós vencemos! Os Professores Clemilton Barros  e Paulo Costa lideravam o sindicato de professores;  havíamos ajudado a eleger Professor Raimundo para a  Câmara (este foi nosso braço forte); nosso amigo,  o Sociólogo Iran Avellar havia criado um blog,  (nosso canal de comunicação) não tínhamos direito de resposta no canal de comunicação local, e “ a meia dúzia de baderneiros”  , uma forma de desqualificar a categoria, ia sendo execrada a todo instante. Não nos calamos! E com perseverança, confiantes na união e com apoios, nossa voz foi ouvida ! Nosso capitão, nosso querido José, era nosso aliado forte, dizia ao nosso coordenador  “falem nos quatro cantos, nalgum deles serão escutados”, não nos intimidamos porque houveram ameaças, rememorar mais uma vez esse ano, porque sei que outras gerações precisam lembrar desse feito! E a meia dúzia transformou-se em seis centenas e a respeitabilidade pode ser notada logo em seguida; tivemos orgulho daquele momento, nos sentimos representados, eu falava sobre isso com Professora Ivanildes Marques, com nossa Vereadora Alda, com minha amiga Francinete-Thana; com nosso representante sindical Jurandir Pedrosa ...O poeta deixou sua orientação para nós “ nossa vida, construímos a cada passo de mãos dadas”; e não temos nos afastado. Urbano Santos nossa terra querida , não é apenas a retórica de quem a administra ; é efetivamente o “orgulho e glória de sua gente”; mais do que as palavras e páginas nossa cidade tem sido construída por “várias mãos”, e é um lugar bom de se viver e quando aquela turma que ensaiou o motim para conclamar sobre direitos e deveres celebra uma década , minha querida cidade adulta que é, comemora 90 anos! E nós respeitamos tua história!
Foto cedida por Jurandi
Ousei escrever há quase dez anos uma metáfora sobre um recorte bíblico que trata da parábola da Terra Prometida: Urbano Santos: terra prometida , quem a respeitará ? , respeitar a sua história, reconhecer os nomes e personalidades que contribuem na realização de sonhos; agradecer pela contribuição nos avanços e ser parte do projeto coletivo,  estará aqui minha reverencia minha homenagem nessa década que nos deixa  um enorme legado! Seguimos dispostos a servir ao lado daqueles que iguais a nós desejam ver realizados sonhos e projetos de muito mais pessoas; e porque em nós não havia o medo de perder, em tudo houve ganhos, na alegria de ter encontrado o terreno fértil,  na conquista de aprovação do plano , na abertura de novos cursos e atendendo a muito mais colegas, na ocupação de espaço para o uso da voz , nas oportunidades de compartilhamento de informações, na experiência de fazer boas escolhas e ser protagonistas de novos ciclos; todo ou qualquer resquícios que trouxemos nos deu equilíbrio para transitarmos com mais lucidez.
Foto cedida por Jurandi
Nosso sentimento tem sido o de avançar , certamente não citarei todos os nomes , porém quero compreender que todos aqueles que participaram,  enfrentando as instabilidades de um retrocesso hão de saber que fomos vitoriosos, não pretendo conotar arrogância  no ganho; posso enxergar de maneira otimistas mesmo os maiores desafios! Eu sentir necessidade de registrar essa escrita para que  nossa luz não se extinga  assim de uma hora para outra , para que as gerações depois de nós saibam que fizemos parte de uma construção coletiva , numa metáfora da escrita de Bertolt Brecht “onde estarão aqueles que carregaram as pedras e tábuas, teriam sido os próprios  reis que as transportaram?  “ ; acrescentemos nossos nomes para que os livros tenham mais esse registro! E nossas seis centenas se multiplicam e celebram conosco outros ganhos, modéstia a parte em cada ciclo nos tornamos seres mais evoluídos , e a acuidade que se manifestava tão timidamente, tem sido frequente em nossas atitudes... porque não somos somente as palavras! A propósito não trago possibilidade de variáveis históricas, construo um pensamento e o descrevo do ponto de vista de quem conviveu intrincados momentos similares às ditaduras; e se em cada década há de se registrar pelo menos um nome, ou se para ser  mais exato devo destacar o nome que nos incentivou na caminhada; descubro aqui pelo alcance de meu olhar e permaneço com o nome de Clemilton Barros ... e nosso futuro está aqui nos átimos desses contextos, em nossas ações, no compartilhar de ideias, na configuração de sonhos! E assim se no tie break eu não estiver na partida, terei esbarrado na canção que fizemos ecoar nas mentes por tantos dias “professores, protetores, das crianças do meu país, eu queria , gostaria ...esse é o discurso que eu fiz ! Um brinde às credibilidades dos nomes que definitivamente são dez!



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