Um trintão de milhares, de milhões... sem filtros




 

Eu bem que pensei em escrever concordando com a frase do Mestre Suassuna “tudo que é ruim de passar é bom de contar”, no entanto não é sobre isso, nem devo considerar esse viés. Destarte, considerando meu temperamento, ou minha personalidade trato de recompor minha postura e com espirito mais elevado dizer: Trintamos !  O (des)conforto quiçá que morasse dentro de mim, ficou para trás; nasceu então  dentro de nós , Dulciane , Norma, Nevinha a sensação desejosa de que pudéssemos celebrar essa data.  


Deve ser horrível começar a ler uma história a partir do meio (rsrsrsrs) de praxe o contar, o começar deve ser do inicio; pois, não contaria essa arte sem antes dizer que pulsa em mim um coração humano que se fez homem e mulher para enfrentar algumas indiferenças e contrastes em relação a profissão, ao papel, ao nome, ao histórico ; e como sempre digo há sempre uma mão daqui outra dali, os empurrões  chatos e necessários dos pais “transformar a dor”.. era inicio de 1992, hoje entendo que por incapacidade minha sair desastrosamente de uma relação conjugal, alguns desafios, fatos, oportunidades perdidas e uma intelectualidade por muito pouco não fora jogada em declínio . Contudo, nesse mesmo ano, uma nova chance, uma referencia surge quando veio minha aprovação para o primeiro concurso público do estado do Maranhão; no dia da prova , por providencia sentei-me perto de Professora , e grande Advogada Norma  Silva  com quem aprendi multiplicar  inúmeras lições; estudei e já sabia muitas coisas , mas devo admitir que por osmose adquirir energias para mais conhecimentos . Minha gratidão a tanta gente e quantos esforços para que eu recebesse identificável lembrança e algumas vitórias; não sou somente palavras; sinto que todas elas, mesmo quando ambíguas tomam forma e conteúdo; ganham força, e todas as histórias nos marcam , e vejo que ainda que pareçam conhecidas devem ser contadas, sim.

Sou lenta demais para algumas coisas, já admiti isso; porém absorvo com facilidade muitas coisas ! O ano de 2022 veio cambaleando com novos marcos e desafios, de sujeito oculto, vivi o ano de luto pela morte de nosso pai, mentalmente traduzia-se em mim a expressão da Canção de Belchior  “ ano passado morri mas esse ano não morro”, fui afetada pelo COVID 19 e quão difícil é viver o gradual distanciamentos de quem queremos bem, Muito otimismo, mensagens de positividade,  o caldo,  a água de coco, o cuidado da família, e vencemos ..  sem mais preâmbulos estávamos cada um em seus lares quando dia 13 , nossa amiga Dulciane provocou a todos , divulgando em seu status, de forma positiva,  o DIARIO OFICIAL de 13 de Maio de 1992 em que fomos chamadas, o contracheque de quando éramos contratadas , e fez um histórico bonito do que foi aquela época..., amiga, profissional responsável como todos os demais colegas, emocionada me contou um pouco do quanto marcou aquele concurso público em sua vida ; e todos nós, praticamente tivemos as mesmas impressões, fizemos escolhas e entendemos que foi feito muito mais do que nossas inteligências permitiam, época em que apenas o Magisterio nos habilitava para lecionar.  Em nós a esperança de que  tudo fosse bem realizado. Nesses anos todos, tudo nos fez um bem enorme, criamos uma legião de seguidores, fomos responsáveis por preparar tantos outros, possivelmente milhares de pessoas que seguiram na vida e em profissões tão grandiosas quanto a nossa. De minha parte, é encantador ser chamado Professor/ Professora! Quanto orgulho! Há imagens e impactos saudáveis que não saberemos mensurar, quiçá tenhamos “podado sonhos”, no entanto, providenciemos nos questionar: quantas sementes e a realização de quantos frutos  temos deixado? Essa passagem me faz lembrar o nobre escritor professor Raimundo ; me faz lembrar com respeito e gratidão dos ensinamentos da Professora Idelvanda Correia , quando me diz que de certo faço parte do time de Professores 5% encho-me de  ânimo entendendo, que é tempo de plantar.


legenda da foto, Dulciane
Permitam-nos celebrar! Permitam-nos vibrar com bonita esperança de que ser professor é tão lindo e tão grandioso como toda e qualquer outra profissão e por isso mesmo, dia 14 de Maio por intuição e telepatia a convocação feita por Dulciane Meireles , foi fazendo a chamada de um a um daqueles listados no Diário Oficial , teve retorno de alguns , outros pegaram falta, e fizeram falta ainda assim a reunião com as três rendeu muitas lembranças e histórias ; Nossa comemoração deu-se no Espaço BEBERIKAR , ao som de  Kelciane Cruz; bolo lindo e saboroso da Kellen Lopes, a emocionada proposição das companheiras ,nossos vídeos cantando, agradecendo, celebrando ! Que dia memorável ! Das tradicionais lições às inovações com bons resultados. Fontes inesgotáveis de outras sapiências que também estavam nesse rico momento : Professora Laura Alice , Professora Maria de Lourdes, Professor Zezinho Araujo ,(in memorian)  todos tão queridos e lembrados por nós,; do inicio ao fim, falávamos com orgulho de nossa trajetória; das pessoas que nos estenderam a mão e da forma especial com que sempre fomos tratadas ...Arremato nossos trinta ,com o desejo de dias cada vez mais felizes a todos os companheiros listados; à amiga Norma  Silva, um trinta de milhões  pois breve fará dez anos de OAB; dias alegres e saudáveis para nós, avós lindas e de modo especial às presentes Nilma, Nevinha e  a avó  Dulciane Meireles  que está prestes a completar SEs(senta), por fim,  rogando ao nosso Senhor que nos dê capacidade cognitiva suficiente para cuidar de nosso terreno e continuarmos grandes mulheres e homens capazes de cultivar, acreditando que ainda há tempo de plantar. Aqui , deixo dito que toda caminhada tem renuncias, agrada uns daqui outros dali; mas enche nosso coração de gratidão a Deus, gritamos : é trinta, uma riqueza que somente nós sabemos o quão valiosa é! Esse é o enfoque pode valer milhares de questionamentos, para mim, experiências que alcançamos trilhões! Feito.

 

 

 

 



Celebrando o Nordeste, de nossa parte: ARTE


 

Em Junho de 2019, as professoras Antonia Rodrigues e Nilma Sodré naturais de Urbano Santos –MA participaram da Antologia Literarte Celebra o Nordeste, na ocasião , a obra coletiva foi publicado no Espaço AMEI, com a participação de outros nomes e grandes escritores maranhenses! Para elas, foi uma alegria enorme  participar do projeto , cada uma ao seu modo deixou registrado sua escrita, Professora Antonia participou com um poema; Professora Nilma com um texto em prosa.

Hoje, pode-se dizer que a façanha se repete, as duas vivem a expectativa, ansiosas para mais uma vez serem representatividades em  um evento literário em São Luís promovido pela Literarte com indicação de homenagem pelas publicações de 2019; receberão um diploma de reconhecimento pelo valor literário das publicações anteriores;  o evento organizado pela Associação, será aberto aos escritores e sua família, e para os convidados dos escritores  homenageados ; na mesma data , Professora Nilma Sodre estará entre outros escritores maranhenses lançando Vozes Femininas 3 , com o texto   “Guarde essa voz, todos precisam de um estou aqui.”

De nossa parte, posso dizer que a arte tem estado cada dia mais perto de nós, estamos muitos felizes de mais uma vez sermos  lembradas  pra participar de uma evento em nível estadual , considerando que a Antologia e toda obra tem repercussão nacional , o que engrandece nossa cidade , nossa cultura e nossa literatura, nossa arte! No campo literário, ambas  ainda são desconhecidas , mas tem colocado suas divulgações e artes como forma de construção e motivação para si mesmas. Celebremos o nordeste, o hoje, a cultura , nossa literatura. Viva!


AULCA: Sensibilização e sensibilidade dos idealizadores e participantes

Registro de foto Denice 

Na noite de segunda-feira;  dia 04 de Abril , na sede do Sindicato de Professores ocorreu uma sensibilização para Criação da Academia Urbano Santense de Letras , Cultura , Ciências e Artes , um evento cultural que reuniu amantes da literatura, feitores de diferentes artes , alguns nomes ligados a Cultura de Urbano Santos , fotógrafos,  escritores locais  e o mais distinto público !

Movimento liderado por mim, na condição de  professora e escritora,  atualmente sou membro correspondente da Academia Vargem Grandese de Letras e Artes a convite de Nossa Presidente Jucey Santana , o evento
contou com os apoiadores na divulgação e debates de ideias professores Domingos Dutra, Laurilene Correia , Fernanda Carvalho, Noemia Souza , Antonia Rodrigues , Idelvanda Santos , Fabrícia Valentim e com a logística dos representantes do Sindicato de Professores , Simone Santos ; Ozelita Leite , Luziene , Manoel Vieira; Secretaria de Cultura do Municipio em nome de Wilson Souza  Feita a abertura com as boas - vindas, o  Grupo de mobilização trouxe para o público , um pouco do que ocorreu há 100 anos na Semana de Arte moderna no Brasil; evento que rompeu com alguns paradigmas no cmpo da arte e da Literatura no inicio do Século 20 , trouxe algumas ilustrações com  um contexto histórico necessário para o momento atual ; depois falou-se de quantas provocações e edições foram feitas de Chás Literários, alguns nascidos dentro da sala de aula, e da extensão de convites pra nossos municípios vizinhos : Belagua e São Benedito; há três edições por exemplo , que contamos com a presença do amigo, escritor  Antônio José de São Benedito ! E como foi dito por nossa equipe de mobilização pra esse fato, é que temos potencial suficiente e grandes nomes e contribuições para criarmos nossa Academia e vislumbrar a “imortalidade” através da arte que representamos !

com a talentosa Clara
Por fim, foi falado de forma objetiva o que é a academia , qual seu papel no contexto social de uma sociedade , e quais pessoas podem contribuir e serem membros ! Abriu-se espaço para perguntas e sugestões, anotadas por nossa Secretária da reunião , Professora Simone! Fizemos destaque para alguns itens do Estatuto e do quanto sera importante que o maior numero de representantes leiam e conheçam os detalhes legais para instituição de uma  Academia.  Dali saímos com as ideias organizadas pra nosso próximo momento, criou -se uma Comissão Provisória, acrescentando ao grupo já existente entre eles alguns nomes que já colaboram com  eventos similares : Dona Betinha , escritora; Norma Silva , Advogada ; Mateus , Professor Graduando de História; Julia Almeida , Assistente Social;  Darlene Bastos , Professora ; Ezequias,  músico ; Marcio Dourado , músico ; Antônio José , Professor , Escritor ; Simone Santos, Professora; Manoel Vieira ,Professor;  Noeme Barros, Advogada; Ana ,Historiadora ; Nevinha Ramos,Professora. Ao encerrar, a equipe organizadora do evento, considerou bastante proveitosa a reunião e ficou de marcar nova data para os próximos passos. Registro de fotos feitos pelo amigo Luis Veras e Denice , a eles nossa gratidão.

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Guarde bem essa voz: todos precisam de um “estou aqui”


 

            

Sobre escrever: minha situação atual é a de que há dias não escrevo uma linha, engoli alguns choros de outro dia para cá, mas nada que não fizesse parte de minhas próprias porções; é minha cota, minhas contas! Atravessei por aí algumas terras, mais perto e mais longe, uns mares e ainda por pertinho de um deserto, mas fui resgatada por um ser vivo que nem anjo é, mas tem nome de santo, me fazendo acreditar no protagonismo, opto por testar possibilidades, e assim sigo, pretendo ser
escutatória  e ainda a voz que diz: estou aqui!

Em principio, digo que esse capítulo versa sobre a voz feminina, algumas vozes; um tributo às mulheres que merecem e devem ser imortalizadas. Comecei a construir meus pensamentos, idealizar minhas leituras, com minha chegada ao Chagas Araújo em 92, fui apresentada às disciplinas, e pela lacuna deixada substituiria professora Nona Oliveira, mulher forte, nome respeitadíssimo entre todos;   essa voz, pensei comigo mesma já está imortalizada; depois Anita Batista , leiga em Historia , mas que sabia e contextualizava como ninguém, professora de quantas gerações!? Quem sabe  professora Maria de Lourdes, pela defesa de aplicação e uso da língua culta em todos os ambientes, da sintaxe à semântica, ninguém ousava desafiá-la! Quantos outros nomes! Outras dezenas de mulheres! Mulheres fortes, conhecidas por seus próprios nomes, das oportunidades para as possibilidades; do sol escaldante da estrada para a sombra de uma sala arejada! De sombras e disfarces dos egos mais humildes!  Dos diálogos; da aceitação de sugestões!  É o conviver, o aprender e o compartilhar, das teorias para as práticas! Arrisco dizer (fruto de alguma leitura) entre nós, mulheres, tudo merece ser celebrado, de machismo disfarçado, nossos dias estão contados.  No entanto,  um dever me chama, delimitar uma voz e tornar harmoniosa todas as outras lembranças e vozes que me ajudaram a crescer e tornaram mais leves as diligencias.

Antes mesmo desse preâmbulo eu já decidira sobre as vozes que eu pretendo eternizar, em cada palavra que escrevo, ouço de perto a voz de meu pai que repetia por milhares de vezes “gravem bem essa voz pode ser que mais tarde sintam falta” e minha mensagem não se trata de uma metáfora, mas da sensibilidade da Maria mãe que atende por nome de Raimunda; das filhas, a única que não tem no registro o nome Maria por engano talvez, de nosso avô! Professora leiga, da primeira turma do Curso Normal em nossa cidade, minha primeira professora; valores e ensinamentos que nos servem diariamente, noções de responsabilidades, do cultivo da paz desde a mais tenra idade., mãe de treze filhos,(três partiram ainda bebês), de cálculos matemáticos que segundo papai vem das divisões na hora de fazer prato de tanto menino; até hoje com oitenta anos, consegue como ninguém fazer a maior parte das contas  “de cabeça”;   dividia-se entre os afazeres domésticos e as tarefas profissionais; não aprendeu a cantar, nunca fez coro em nada, nem se interessou em andar de bicicleta; no entanto arriscava-se nas pequenas prosas e trovas na escola ou ainda na igreja , de coração bom, tem papel de inspiração fundamental para todos nós; com seus passos e ações bem reservadas; sem os cliques de quem almeja mais sucesso; de pele branquíssima, ( resumo de uma doença chamada vitiligo)!  E foi nossa mãe, essa voz  marcante que já é imortalizada que lutou por nosso pai até o último dia; sem reclamar um dia sequer, só agradecia;  nós mesmas vez ou outra nos dávamos por vencidas, numa dor daqui ou dali; e ela, firme na fé em Deus, servia de esteio para todos nós, ainda serve ; qualquer que seja nossa dor, recorremos a ela! É a voz de nossa mãe que agora ecoa e nos mantem unidos para contemplar melhor a caminhada.   Talvez não saiba muito sobre empoderamento mas nos deu a chance de sonhar, de estudar, de seguir e agir! “Ter bondade é ter coragem”! Acolher , cuidar, desapegar-se são rotineiras na vida de nossa mãe .

Em minha mente, nas minhas limitações e impressões, imortalizar o nome de minha mãe que por natureza já é imortalizado é transbordar os sinônimos de empatia, de amor, do testemunho de fé em Deus, dos cuidados com o próximo, ainda assim , meu reconhecimento e minha participação na escrita estará incompleta se eu não citar todas as Marias, na passagem de hoje, na Carta de São Paulo “ como o corpo é um , embora tenha muitos membros ... formam um só corpo” canalizo com essa leitura , para refrescar minha memoria e poder admitir: vozes e mãos marcantes tem minhas irmãs Tania Maria, Ana Claudia , Soraya, Dulcivane, Gisleana, cada uma de nós em nossas “essências imperfeitas”  salvamos nossos dias, o corpo e o coração;  os nossos,  de nosso pai, de nossos irmãos, de nossa mãe ! Tudo é uma questão de crer. Eu havia começado meus primeiros parágrafos quando a  voz da amiga Conceição de Jesus foi embargada , ao canto da Ave Maria, seu filho partia... e no nosso hoje podemos ouvir algumas vozes: sim, estou aqui e não é apenas poesia. Eternizados. Imortalizados nomes e vozes...

 

Dois filmes : SALVA – dor, nós e as travessias

             Idealizar essa escrita me remete à lembrança da minha primeira viagem de avião, indo     à Brasília, não abri os olhos nem para olhar para os lados, sensação estranha de medo e de náuseas, e quando aterrissamos quase “botei os bofes”  ... depois tornou-se o sonho bom, a viagem esperada, o casamento de meu primo, e , outras lindas viagens pude realizar, para outros   lugares embora com as sensações bem parecidas

                                                                                                                Por mim, desde a mais tenra idade, encontro sentido no “lugar comum” , não escapo das interrogações, ouço de um que eu sou esquisita,  intrigante, entre elas, guardo ainda de que sou interessante! Tenho fascínio pelas historias aprendidas com meu pai, não consigo compartilhar todas, porém quando escrevo algumas delas, entendi desde pequena o que significa dizer “ dois rastros com um pé só” e há certos campos em que se deve ter cuidados “ para entrar com os dois pés e não sair de lá de quatro”! Essas metáforas nem combinam aqui nessas passagens! Tenho a experiência vivida em conhecer o santuário de Aparecida, a oportunidade impar de ter superado o passeio de Catamarã para conhecer os Cânios de Xingô, ter sido contemplada com a viagem a Belém do Pará, ter visto de perto como vivem as pessoas na Ilha de Combú,  já podia me dar por satisfeita ´porque de História e Geografia, muita coisa eu só conhecia através dos mapas ! Retomo minha leitura, ao estado inicial e agradeço! Obrigada meu Deus por tanta concessão e alegrias! Por tantas emoções, ouso escrever para repetir: “Você está em tempo de testar possibilidades”! Agradeço!  Não importa em que campo do conhecimento, em minha vida, de viva, útil e animada, encontro espaço pra realizar sonhos! Soa estranha a expressão de quem nos diz quando viajamos “só para quem pode”, sim nós podemos; a impropriedade da fala, é uma falha na promoção de quem opta por outras vaidades! Aqui, posso dizer que conheci mais uma capital, uma fonte de juventude e inspiração para mim, destino bom, com muitos pontos a serem explorados, mas recrio a mensagem da amiga “as turbulências começaram mesmo antes de pegarmos o primeiro voo”. Sem detalhes e sem espaços, entre vírgulas pra manter o fôlego em contar até o final meus recortes e impressões sobre os filmes
Na igreja da Sé 


Não tracei objetivo para contar sobre monumentos, historias e memoriais, mas contarei e farei alerta sobre alguns passeios, e a necessidade de informar-se sobre as previsões do tempo antes de “navegar”! No primeiro dia de nosso passeio, conhecemos um pouco do centro Histórico, Elevador Lacerda, Mercado, Igrejas, Santuarios, Pelourinho, Memorial de Irmã Dulce, Farol da Barra cada destino bonito, escondia outro mais lindo, íamos descobrindo umas histórias dali, perguntando quando ficávamos na dúvida, debatendo, concordando , aprendendo, nos sentindo à vontade para não cairmos nas ciladas... mas ninguém tem “mapa da alma  de ninguém” e com a natureza por mais previsível que seja, não cabe ao homem definir ! Refletir muito sobre esse nosso passeio, pensar nas escolhas, e não se punir quando algo parecer está contra nós,  noutras vezes, seguir a ordem do coração. Há todo momento recebemos sinais. De um filme, tive a oportunidade de conhecer de perto o Memorial de Irmã Dulce e suas obras, ouvir os relatos, além das simbologias exibidas nas telas , a espiritualidade da presença, vê de perto suas vestes intactas, conheci não apenas a rebeldia da irmã ante as autoridades do convento, mas o amor se revelando em cada ação que ela praticava, ali estava presente a Santa, eu senti: na exposição a cadeira em que ela dormiu por quase trinta anos, cumprindo uma promessa; nos anos 80 a benção do Papa João Paulo II em seus dias finais, agora já sei o que a Bahia tem: uma  Santa que intercede por todos que recorrem a ela ! Saímos de lá renovadas! Entregamos nosso dia seguinte nas mãos do Senhor...


          E nosso Novembro apresentara os prenúncios de um futuro incerto; doce e inseguro ao tempo em que atravessamos a Baía de Todos os Santos rumo a Ilha dos Frades;alegria contagiante, felicidades em poder viver aquele momento impar,  atentas  às informações do Guia, Ilha linda, lá subimos a escadaria para visitar a Igreja de Nossa Senhora de Gaudalupe...   e para cada travessia, uma Ave Maria,  pensei comigo mesma por que não para cada alegria? Em meus cinquentas foi emoção demais pra um dia só! Quanto posso estender a mão, evoluir além das formas quando estou em perigo? Nosso retorno, incluía outra Ilha, a de Itaparica, e de lá, até chegarmos em terra firme “ o vento balançou nosso barco em alto mar”; sussurro de que um vento sul estava vindo em nossa direção, antecipou nosso retorno. E minhas crenças iam diminuindo quando vi que as pancadas de água eram cada vez maiores, fugiu de mim por alguns minutos a capacidade de discernir, pânico; concentração do comandante a cada declínio de nosso “barco”  transportavam-nos para outro local, foram os quarenta minutos mais intensos, divididos entre os choros, os gritos, expressões de desespero...  fomos escutados em nossa oração, até que o mar tenha se acalmado, e naquele hoje por questão de segundos , não havia esperança de um amanhã ! Naquele dia, julgamos que nosso guia bem que devia ter nos poupado de passar essa enorme travessia, emoções fortes podiam ter se transformado em uma enorme tragédia, um filme de histórias e lembranças vieram à tona em minha memoria, estranho saber que “somos instantes”, depois em terra firme, trouxemos para o centro de nossa conversa a lição da senhora da banca que nos atendeu e deixou de cobrar um item: “ dinheiro não compra vida” , ontem mesmo, o filho de deputado Y estava aqui, à noite num acidente veio a óbito... as algazarras de outros turistas desdenhando das forças da natureza, e por vezes ate ironizando nosso nordeste deram espaço para outro som, divagando em outros pensamentos, vi a Laura se transformando em várias para conter as irmãs que ao seu redor sentiam cada vez mais pavor! Era essa historia que eu pensei em contar em Novembro... Laura, Lene, Ozelita  e porque só “temos o hoje” outras sensações nos ocorreram, mas Novembramos e de uns dias pra cá quando me perguntam como estou, digo: cheia de vida, agradecida,  “ testando possibilidades” para fazer referencia a quem lembra-se de chamar pelo meu nome! Sem aliteração, e por menor que seja a fé: nossa gratidão!

 

 

 

 

Professora Lourdes , até aqui quantos doutores?


 


 Mês de Maio, mês de Maria de nossa Mãe que tem nos dado a mão nas travessias ... e  até aqui quantos Josés , quantas Marias partiram para o plano Celestial? Vivenciamos a intensidade de dias de dor, de tristezas, de saudades, de ansiedade, dias seguidos de luto, mas todos recompensados pelo amor de Deus com boas e bonitas lembranças;  cada um que nos deixou abriu uma lacuna em nosso coração, deixou uma marca. Na data de hoje em meu nome, em nome de milhares de pessoas que foram alfabetizadas, em nome da Ordem Terceira Secular, (Franciscana) devotos de São Francisco, em nome das centenas de profissionais da educação de nosso Munícipio, deixo registrada minha homenagem.

Professora Lourdes foi professora leiga de muitas gerações, a primeira turma do antigo Ginásio contava com ela pra tirar muitas dúvidas, foi a luz, foi a mão estendida, a critica literária, antes mesmo de sua formação, conjugar de cor e salteado em tempo e todos os modos. Quem ousaria desafiar? Morou por mais de uma década em São Paulo e quando retornou carregava no VERBO  e poucos de nós dávamos o devido valor !   Urbano Santos deve reverencia para com seu nome querida Professora Lourdes ... Tive a dupla honra de ser sua aluna por quem fui alfabetizada e sua colega de trabalho. Passamos no mesmo concurso em 1992.  Em 2007 , na escola Chagas Araújo organizei sua festa simbólica e cheia de carinho de seus 70 anos! Quanto de alegria e satisfação sentiu naquele dia, na ocasião pude dizer do quanto eu era grata pelas lições e os necessários puxões de orelha. Acompanhamos de perto sua lida até quando em 2015 participamos com você da Formatura  de seu filho, Enfermeiro Maycon Soeiro, a vitória chegou e você não cabia em si de tanta satisfação. Quanta alegria! Era seu maior orgulho. Mas somos testemunhas do quanto amou e preservou a amizade e carinho de todos os sobrinhos, deixa um espaço em branco em todos nós, nos irmãos de  sangue, nos irmãos da ordem Franciscana,  com quem compartilhava os momentos de oração e doação, era uma presença notável em todos os campos. Deixa lacuna nas escolas por onde contribuiu, deixa um espaço no coração dos irmãos em Cristo. Quando nos falamos ainda na ativa, eu dizia Professora , se aposente! Que nada ainda posso contribuir. E sua vida fez-se doação entre nós! Quando soubemos de sua internação, eu estava em recuperação, e soube igualmente de todos os cuidados e atendimentos , estávamos confiantes de que retornaria para nosso meio, até,  que o quadro se agravou e não resistiu ... Ficamos todos mudos e muitos tristes! Esse inimigo  maldito que tem levado tanta gente querida , veio traiçoeiro e lhe atacou ...


Assim nos diz a escritura, “Enquanto estamos tristes por causa da morte de um santo, o Senhor está se regozijando. Em uma certa ocasião, o Senhor orou dizendo:“Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste, para que vejam a minha glória que me conferiste” (Jo 17:24)

Professora Dulciane escreveu em sua página “alfabetizou a maioria dos médicos, engenheiros, psicólogos , advogados, professores, assistentes sociais filhos de Urbano Santos, sua historia será lembrada por todos nós”. Seu nome , sua historia, seus ensinamentos nós os contaremos.Ficamos tristes com sua partida, e mais entristecidos ficamos quando da chegada de seu corpo na cidade, quase todos dormiam. Era madrugada, um silencio na avenida, em todos as ruas, era um cenário de luto, o cortejo passou na porta do Chagas Araújo uma das primeiras escola em que você contribuiu, depois uma paradinha de um minuto na porta de sua irmã Raimunda e seguiu para sua morada final. 

A noite do dia primeiro de Junho anunciava sua chegada ao céu  e nossa tristeza . Em sua partida na conversa ali na praça, até aqui quantos doutores, professora Lourdes ?  E para não ficar em falta, e nem lhe colocar falta, em  tempos de pandemia não é permitido : Professora MARIA de Lourdes, PRESENTE ! Calei-me! Foi nosso adeus, nossa palavra final!  Descanse em paz ao lado do Pai! Conforto ao nosso Coração!

 

Missa de Sétimo dia de Professora Maria de Lourdes

06 de Junho de 2021

 

Vem pra cá José, Capitão ... “O Senhor te Chama”

Exemplos de Amor e fé
Era uma tarde de chuva quando ele partiu, todos os dias eram lindos porque ele sorria, e naquele dia 30 de Abril, era dia de comemoração, de aniversários, de lembranças e tantas gratidões  ! Queria poder retomar minhas escritas com uma boa reflexão, com uma indicação de novas leituras, somente afirmações saudáveis de como me curei da COVID,  algo que pudesse prender a atenção de que a lê. Mas no que tange à escrita desde já sou suspeita, e como dizia meu pai, “ dons mediúnicos” ou sobre profecias só mesmo o Jeremias.  Esse ano, em Julho mais precisamente faria oito anos da queda física de nosso pai, nossos esforços nunca foram em vão, por onde passou nos Hospitais Públicos sempre fora bem tratado, depois, em São Luis, conseguimos inseri-lo no Programa Melhor em Casa.  

nossas mãos não ficarão
vazias
Na tarde do dia 20 de Abril quando os sinais vitais de meu pai já não  eram perceptíveis, o médico do melhor em casa, ali já nos disse que chamar a ambulância podia ser muito tarde, “cuidem para que não haja intercorrências” mas José é forte  e Maria nossa mãe, cheia de fé, arrumava as coisas pessoais , os medicamentos, sabia que ainda não era a hora final . Na confiança fomos para o Hospital, e ficamos por ali, ate umas horas da noite quando o medico nos disse que naquela noite ele ficaria na Semi UTI .  Dia seguinte retomamos para fazer os plantões, até que na noite de  Trinta  o Senhor o chamou: vem para cá Capitão Sodré, alegrar o céu! Nós nos entristecemos, choramos, nossos lares perderam o encanto; o Margaridas, a Rua da Graça empalideceram com sua partida! Nós choramos tristes porque é da natureza humana; mas quanto de suas alegrias, de seus ensinamentos, de suas lições, de suas palavras e gestos concretos em nossas vidas e na vida de outras pessoas! Lembranças maravilhosas! Orientações para a retidão, nos dizia com muita frequência “ não basta aparecer sem ser”.   Testemunhos de lealdade e fé. Testemunhos das dificuldades que passou na infância e adolescência, não foi em vão sua passagem, meu pai! Foi em vida um grande exemplo para nós, deixou a farda por conta de perseguição politica, mas não perdeu o brio. “ Combateu o bom combate, acabou sua missão e até último segundo guardou a fé.”  Por aqui ainda deu tempo de encantar-se com  Maitê , por vezes ela mesma foi a fonoaudióloga, outras a fisioterapeuta, a médica do amor; o diálogo fluía, tudo era graça, par todos nós, encantou-se com as visitas de rotina do Theo, apenas trocavam olhares.  Imagino meu pai, nosso pai, chegando ao céu; deve ter sido uma festa.  Nós só temos a agradecer a DEUS pela caminhada  , pela missão que cumprimos juntos, pelo privilegio de ter tido um pai tão amoroso e cuidadoso com filhos , netos e bisnetos. Nós só temos a agradecer a DEUS porque nos fez entender que as nossas vidas precisam ser de doações e de solidariedade.  Obrigada às orações de fortalecimento de nossa mãe! “O normal é que a dor de teu irmão também te abata, assim nos dizia”! Obrigada a todos os  corações que juntaram-se aos nossos pra nos encher de força e esperança ! Obrigada aos nossos irmãos, a nossa mãe, aos nossos filhos,  aos nossos tios, aos cunhados, aos nossos primos , aos nossos amigos...  A vontade do Senhor é soberana e por mais que sintamos saudades , nosso coração se acalanta em saber que estás em paz. Nosso pai era carismático, personalidade marcante, sempre havia uma palavra de incentivo, quer fosse para nós mesmos, quer fosse para conhecidos e amigos . Foi nosso herói, um santo homem, um apaixonado pela  vida . Não se deixava abater ...  E nosso bom José fez sua última viagem no dia de São José operário, de quem era devoto. Nas horas de oração, no final da tarde, todas as vezes lembrava-se de São José  ! E eu teria páginas inteiras para contar sobre as alegrias, os orgulhos, missões , doação,  solidariedade , tanta coisa que aprendemos com nossos pais, mas o Senhor o chamou,
 José..

Marias 
E nosso luto se misturou a tantas outras dores, juntou-se a outros irmãos que no mês de Maio perderam filhos, pais, irmãos, amigos; e nosso luto foi de provação , logo dia 05 de Maio nosso sobrinho Victor nos deu um susto, teve que fazer uma cirurgia às pressas, depois do seu Sétimo dia, tive um mal estar, febre e dores no corpo, fui fazer o teste, estava positivo para Covid, e quando visitei o médico pela primeira vez, ele disse que eu não podia chorar. Como não chorar!?  E fui sendo fortalecida nas orações, nos cuidados de minha própria casa,  nos recebidos carinhosos: do café da manhã, da água de coco, do caldo de ovos, da sopa,  do almoço, do bolo, do mingau de farinha, do chá, do mel, na consulta com os Médicos,  na viagem para fazer o exame.  Muito grata a Deus porque não nos deixou sós, depois de mim , todos estavam doentes, exceto Maitê. E ali no quarto, ora a dor da saudade , ora a dor da doença, o abatimento emocional aumentava com as noticias de quem partia por conta do vírus , nosso querido amigo Raimundinho do Arrocha, lutou e não resistiu, e tão jovem foi também a querida Darlene Abtibol, e nossas lágrimas não secariam assim, e antes que eu tivesse alta médica , pelo vírus foi o irmão José Altanizio! Quem consolaria quem? 
   
da lição para a missão

                                                                E nosso luto, já era coletivo . E no dia do velório de meu pai, nossa tia nos lembrava dessa passagem “Senhor, permite-me que vá primeiro enterrar meu pai .Mas Jesus respondeu: Segue-me e deixe        que os mortos enterrem os seus mortos ; tu vais e anuncia o reino de Deus” . Entristecidos  ficamos com a partida da nossa companheira Professora Claudicéa Granjeiro, pessoa forte e tão querida cidadã de Belágua.  Antes de concluir, lembrei-me da história de José do Egito de suas visões e previsões e o Senhor, meu pai, nos dizia de outra forma “ quando a gente tem, lembrar-se de quando não tem”. E eu já estava sem palavra para encerrar minha crônica, quando soubemos da viagem final de seu José Pereira, pai do Professor Raimundo; tão logo essa nota; a profunda tristeza da partida precoce também pelo vírus da Nelcilene  Abtibol, a Nilcinha; e pra engasgar a fala, para calar ou protestar a sala, nossa tão querida Professora Maria de Lourdes foi chamada  e não faltou...Foi a triste partida.  Por aqui em nosso egoísmo nos abatemos e ficamos tristinhos, e o céu ganhou o Capitão, o Irmão, o Cantor, as Princesas, o Rei, a Cidadã, a Rainha, a Professora... e se até o último dia eu tivesse perguntado e como é meu nome: Coração e pulmão enchiam-se de orgulho:Professora Nilma Sodré!Nem oito nem oitenta, oitenta e oito, porque não é em nosso tempo! Obrigada ao nosso Deus pela missão na terra de nosso pai. Obrigada por nossa recuperação!José nosso pai, nosso filho, nosso irmão... saudades e gratidão! Rimos e choramos em nos lembrar das tantas chances que nosso Pai do céu nos deu. Não queremos nos perder no caminho! Estamos em paz ! Estejam em paz!


 


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