Tocando em frente



Depois de pronto, divulgado, publicado e oficialmente feito a festa de lançamento é hora de agradecer (quase tarde)! Gratidão pelo livro, por quem ajudou para que ele fosse editado, por todos que encontraram tempo para prestigiar, por aqueles que deram as mãos e ajudaram na realização da festa: ArteSingullar: momentos em prosa e versos veio para renovar-me, para restabelecer forças,  para assegurar-me de limitações e tomadas de decisões, para o sentimento de que há mãos que realizam e que multiplicam, para o entendimento de que todos nós temos um Deus que nos dá sabedoria e discernimento para o recomeço após cada lição, para optar por melhores escolhas ao final de cada ciclo de nossa vida. Obrigada Senhor, muito obrigada pela concessão do dom da escrita! Obrigada pelo dom da vida de cada um e pela alegria que fomos capazes de disseminar nesse dia! Obrigada pessoas que estiveram e fizeram essa festa bonita.
Tive durante a festa, motivos, muitos motivos para sorrir, para chorar; para alegrar-me e a chance de amadurecer. Tive ainda motivos e chances para a emoção, de promover o bem, de testemunhar a fé, chance de dizer o quanto minha mãe tem sido a fortaleza de nossa vida e na vida de meu pai (meu pai não foi à festa e uma Maria ficou de plantão com ele). Meu querido pai é de você que herdei essa capacidade de escrever, de sentir e de perceber! Vim de uma semana de debilitação física, ora febre; outras, dores; ora desequilíbrio emocional, depois um orgulho pela realização pessoal. E a minha vida, como tantas outras, tem precedentes, porém, não é essa a ideia que seduz minha mente; vivo em tempo de descobertas, de reconhecimentos, de gratidão, em tempo de aprender, compreender e compartilhar. Realizo-me com mais esse trabalho e não tento nessa passagem explicar nada, trago a sensação consciente de que as mães, os filhos, os irmãos, os colegas, os amigos, sentem orgulho em saber que momentos similares aos do dia 30, já trazem razões suficientes para celebrar, para alegrar-se, para agradecer...
Família
Hoje noto que há bastantes dias não escrevo uma linha, deixei-me conduzir por uns sentimentos de melancolia, sentir-me desprotegida, despreparada; desejei paradoxalmente esconder-me do lançamento do livro, sentir-me indesejada, impotente, por vezes até pareci incompetente. Perguntava-me, qual mesmo a importância desse livro para quem o lê? Que diferença fará nas lembranças de pessoas que foram homenageadas ou que estiveram na festa? É difícil para eu poder escolher, ainda assim encho-me de felicidade porque sei de algumas pessoas que demonstraram alegria ao tocarem a obra. Textos dedicados exclusivamente para pessoas que fazem parte de minha vida, histórias simples, riscos de outras retaliações, disfarces das esperanças e experiências, conclamação da alegria de ter chegado até aqui; sonhos, lembranças, memórias, histórias ... e essa minha nota é de agradecimento, não a tomo como triste ou com o tom de despedida, reforço-a com uma passagem que diz: “ Um coração grato deve ser uma realidade na vida de qualquer pessoa que se considera cristão”. É possível que essa minha arte apresente provocações para que outros nomes saiam do anonimato, obrigada também por isso.
Enquanto escrevo, lembro-me da canção Tocando em frente, de uns versos que me caem bem todas as horas: “ Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe, só levo a certeza de que muito pouco eu sei ou nada sei” como paradigma, convivo com essa ambígua precariedade (embora a Tana me diga vez ou outra que não sou muito burra) porque nem por isso, deixo de ter minhas virtudes, todos temos. De mais a mais, ArteSingullar... não entrará na história como um grande livro, espero cumprir pelo menos os desejos de incentivo para o Ler e para o Escrever, outras pretensões ficam a critério de cada um , o leitor escolhe o que deve ser mudado em si e o que mudaria se fosse ele quem a contasse. Só sei, digo, só afirmo que ninguém pode escapar de si próprio, oportunidades, gratidão e reconhecimento são para mim, palavras da vez e o não saber de nada_ é claro, não inclui mágoas ou ressentimentos em não ter podido aprender! Sou agora, mais uma vez, resultado de minhas escolhas; e os que afastam de mim, as hipóteses de posição ou de conhecimento; desviam de si mesmos a possibilidade de registrarem a sábia lição, numa paráfrase do pensador “tristes são aqueles que aprenderam a escrever e não o fazem porque vivem renegados ao sentimento de prejudicarem outros”. Só para lembrar, sou daquela meia dúzia que começou a enxergar que através da arte, nós podemos sim, fazer a diferença.

Antes sol:o canteiro está semeado





            Meu ideal...? Não , eu não tenho ideal para essa escrita. Não trago sátira, não serei engraçada nem dramática, não prescrevo nada sobre criatividade... fiquei aqui, por longas horas, olhando para esse papel em branco, lápis, caneta sobre a mesa; abri o notebook, reli algumas páginas do blog e me perguntava: Por que mesmo eu nunca mais escrevi uma página? Reli outras vezes, deparei-me com um comentário que atraiu minha atenção: "o canteiro está semeado". Lembro-me da observação de uma leitora :já está em tempo de publicar mais um texto.Pois é, em tempo.

          Desde alguns dias, tenho aumentado meu repertório para as escritas, através das conversas com meu pai ( e a Dulce diz:não sei como tu escreve, aí já é outra história) podendo ter outras motivações, é claro; aprendo a dizer  e um jeito de dizer que me fazem compreender e valorizar ainda mais a vida, por elas aprendo sobre história, valores, teorias filosóficas, figuras de linguagem; reconheço que o título de "escritora" não me valeria muito se outros nomes não fizessem parte de minha vida, e  assim que trago mais uma reflexão. Noto, que deixo de dizer muita coisa,tenho cuidado enorme na hora da oralidade, na interlocução; porém, assumo a posição de quem escreve e adquiro confiança nesses discursos quando organizo minha escrita. Fiz dessa página minha confidente, compartilho algumas respostas, quando as escrevo não sinto obrigação em trazê-las em todas as letras, no entanto, eu as trago. Ao leitor, caberá o cuidado e responsabilidade em criticar, comentar, admirar, com inteira liberdade.

Às Marias!
        Eis:   há anos, não sei precisar, por indicação de uma amiga, conheci a música " A lista" de Oswaldo Montenegro, de melodia não me chamou muita atenção, mas a letra... é impossível não admitir que somos vítimas dessa "lista" por nossas perguntas, respostas, por alguns percalços, por preconceitos; recortei um trecho para refletir melhor sobre ela "Quem você mais via há dez anos atrás?Quantos você ainda vê todo dia?Quantos segredos que você guardava?Quantas pessoas que você amava? Hoje acredita que amam você? No Natal do ano passado, lembrei-me dela, avaliando detalhes, momentos distintos de minha vida, de amizades, de relações, de círculo social,de tudo e de todos, de gente que se importa com gente.  Com quantos deles eu tive a chance de efetivamente "com o coração cheio de amor" desejar um Feliz Natal? Com quantos eu troquei abraços e lembranças com a franqueza e serenidade que cada um de nós merece? Nessa lembrança, provoquei a lágrima; reagi como se eu não tivesse aprendido nenhuma lição em 2014,como se tivesse exercitado a escrita sem nunca ter incitado ao exemplo,  numa hipótese excludente, ter sido de fato uma má pessoa... hoje treino meu Natal desse ano; reagindo, não me entregando,confiando,  escrevendo; aumentando as minhas chances de SER uma interlocutora melhor,de continuar acreditando nas pessoas de bem; de fazer da canção de Montenegro uma ponte e construir uma perspectiva de que novos desafios me apontam para uma   indagação otimista: Para correr entre quais canteiros ?

            Por coincidência boa, no Natal do ano passado, meu cunhado trouxe de presente para meu pai, um carro de brinquedo automotivo, nele um pen drive com algumas músicas já selecionadas, e na lista, estava "é por você que canto", meus olhos voltavam-se para os de meu pai, grandes, esverdeados, bonitos; lacrimejei e dentro de mim dizia: devia ser por você, só por você que eu devia cantar , porque quanto mais o tempo passa, mais aprendo com você... e o tempo que perdi, que não renunciei, que fui mal humorada, que me queixei das lições, que tornei-me impotente,que não tive humildade! Tudo isso o tempo transforma... ainda bem; e outras pessoas aparecem para dar movimento à lista e sentido à vida, ainda bem! Ainda bem, meu pai,  que o sol nasce, o terreno é fértil, o canteiro está semeado, ainda bem! E para não deixar passar em branco, em terreno de canteiro semeado  " o cuidado é para não se entrar com dois pés e sair de quatro" , porque antes sol. E essa pode ser mais uma metáfora, minha amiga, pode ser !! Porque meu pai me disse com quantos se faz a cangalha, mas sobre a arapuca!










Outubro Rosa: Por que o azul dourado?


Sinceramente não sei o que seria desse meu outubro se não houvesse "heróis"em minha vida capazes de acreditarem e oportunizarem momentos tão bons ! Embora alguns revestidos de estereótipos, na caminhada, conseguem adquirir e me dar ainda mais maturidade! Outros, de anjos! Que bom, essas figuras vivem! São de sangue, são do bem, são reais!
   Desde sempre (rssrsrsrs) quando começo a escrever, faço para mim mesma indagações absurdas,depois  colho uma opinião daqui, outra dali; quando em Outubro de 2013, inventamos o "projetando um novo olhar", tornei-me sem saber inteiramente responsável por pelo menos  uma pessoa que encontrou tempo e espaço para revelar-se e ajudar nas descobertas de uma filosofia de uma vida melhor, da inspiração pessoal,de decisões que nascem da coletividade e que podem ser compartilhadas. Não tenho oráculos, tenho presságios (dos bons)!E é através deles que dissemino essa experiência, essa sensação. Reinventando as palavras de um mestre: Como, meu Deus, não olhar a lindeza, a capacidade, os esforços que temos demonstrado na santa missão de ensinar? Como não reler a história da águia ao falar da grandeza que é ser humilde para ouvir, aprender e compartilhar?Como não sentir-se feliz e emocionada ao ouvir " Águia dourada", canção de 1987, que há tempo nos alerta para os cuidados com a natureza? Como não admitir que seja possível ser uma nova pessoa?
Hoje nossos cenários não são muito diferentes do que estiveram em outubro, do ano passado, nesse 1º de novembro fez um ano que nosso pai saiu da situação de hospital e está em casa, em nosso doce mês o desafio é testar nossa capacidade de amar sem murmurações, nós não somos exceções,e os nossos bens nada valem , o tripé daqueles dias de idas e vindas continua o mesmo. O que nos auxilia é o inalienável ensinamento, vindo das lições de casa. Isso tem sido uma de minhas inspirações. Nessa noite, em que escolhemos realizar o Fórum, meu pai nem soube que eu vestiria azul, e que depois opto por usar dourado; ouso para não me reprimir, apreciar as simplicidades, para não cair no modismo; conduzindo a vida no dizer de que todo dia é tempo de “cuidar do broto, para que a vida dê flores, frutos”. Nessa página, esse é meu paradigma, não cumpro demandas, mas, erro, tento, aprendo;  falo de minhas impressões. Aqui posso dizer que sinto enorme orgulho daqueles que reconhecem méritos, daqueles que oferecem braços e abraços, daqueles que conjugam no plural, dos que aproveitam sempre o lado bom das pessoas; de quem compartilha experiência, desejando uma qualidade para mais pessoas. Chego nesse ponto com muito mais contentamento.
Eis-me aqui!
Ao descobrir-me nessas crenças e poder identificar outras pessoas, posso bem dizer o quanto vale a pena defender que não somos apenas profissionais competentes e capazes, somos humanos, cristãos que à medida que adquirem novos saberes sentem prazer em comungar com os “amadores”, ao contar sobre os rios, ensinar as rimas, brincar, promover cidadania, orientar para a competição... com essa página, promovo a leitura, já é uma passo; os nossos colegas com as apresentações no II Fórum de Leitura , provocaram a reflexão; apresentaram metáforas. Nesses últimos dias, em que minha flor escolhida foi o cacto, o meu pássaro inspirador, o pardal; é da águia  que trago a liberdade da expressão, e para ilustrar, eis a citação bíblica apropriada: “mas os que esperam no Senhor renovarão as forças, subirão como águias; correrão e não se cansarão; caminharão e não se fatigarão”.  Aos que com autenticidade merecem reconhecimento, posso dizer que de nosso exemplo seremos capazes de mover outras gerações. Meu voo, minha montanha, minha fortaleza , eis-me aqui. Como, meu Deus, não compartilhar?








Dos quatro elementos: a água; dos pássaros: pardal!

          Umas de minhas preocupações quando escrevo é justamente encontrar palavras que combinem com o momento em que escrevo, justificar a transcrição do título e provocar nos leitores o deleite e a reflexão.É impossível dizer se consigo, pois ainda agora, encontro pessoas que ao lerem a página, indagam se eu mesma a escrevo. É compreensível,porque pesa sobre mim grande responsabilidade, dos dois um: ou o texto está bom e aí não seria eu a "escritora", ou está muito ruim...Sem murmurações, cumpro o que me vem à cabeça,ao coração.
          Na festa de encerramento de São Francisco, dia 04, lembrei-me fortemente de que há bastante tempo eu havia lido sua história e trajetória de santidade, por indicação de minha mãe, interessava-me saber de sua simplicidade, do amor aos pássaros,do diálogo com a mãe natureza,da doação aos pobres e aos doentes; depois reli. Pensei em ser franciscana! Convivi e percebi que estava muito longe de compreender com decência a dádiva de Francisco. Leio infinitas histórias sobre o amor do Santo aos bichos, às florestas,aos doentes,aos irmãos, aliás, a todas as criaturas de Deus.Naquela noite, para nos presentear, Ele coroou seus irmãos com chuvas de bênçãos, conduzindo-nos a reflexão de que nossa coerência é do tamanho de nossa fé.Cantamos, oramos,agradecemos para encerrar a festa. Era véspera de eleição...Choveu, molhou nossa terra, nossa alma! Aos observadores comuns, era apenas mais um dia,uma data, uma chuva, uma noite.
       Parecia até outro dia, que eu era o "patinho feio" porque na minha cabeça  era impossível conviver com algumas limitações, em certas horas, pelo comportamento até pela convivência,  contradigo com meu ideal cristão; no entanto, para meu bem continuo ignorando coisas absurdas,a vaidade e arrogância ora disseminada por outrem não passam de especulações, evito dissimulações para ter uma postura menos reprovável, procuro ouvir e refletir para confiar mais,o "lugar comum" ainda é meu melhor espaço, e nele todos os motivos que tenho são para agradecimento, nele sempre estou mais segura. Tenho uma grande mãe, um pai herói; um brilhante filho, irmãos sabedores de nossa missão, um precocemente chamado pelo Pai  e eu embora com o complexo do "patinho", procuro acreditar que é possível ter uma " vida de Francisco", sem artifícios, sem ostentação, sem austeridade. Uma vida  em que se valoriza as águas dos rios, o cabelo molhado, o rosto sem maquiagem, as visitas aos amigos,  as companhias saudáveis e desinteressadas, as folhas secas, as chuvas que caem, o canto  das rolinhas, o riso fácil ; a felicidade espontânea. 
       E por mim, desconhecendo um pouco a história dos pássaros, numa tarde, em que a água do rio era tão boa companheira, fria e silenciosa, ouvi o canto de uma rolinha " fogo apagou", retomei uma pequena passagem: "só rio, sou rio". Ora, ainda é possível alegrar-se com as simplicidades da "irmã natureza", nesse mês, nesses dias, um outro "pássaro" tão querido e amado por todos nós, pousará em seu habitat natural; é o canto e o encanto em pessoa, às vezes dribla a vida com a síndrome do palhaço...mas é quem consegue o riso mais alto e mais espontâneo de nosso pai. E é assim, que termino minha reflexão, nem águia, nem galinha; o que certamente diminuirá ainda mais meu complexo de "patinho" será o riso, o canto e a voz do pequeno Pardal, e a lembrança certa de que a minha natureza mesmo pequena produz milhares de cantos, a capacidade de também alçar grandes voos e conviver com outras emoções. São Francisco de Assis, dos quatro elementos: a água; do canto dos pássaros: Pardal! 

Setembrai: uma metáfora, uma construção para a vida!

            Acho que todas as vezes que começo a escrever um texto, eu crio primeiro uma intimidade com ele, para que seja minha companhia de algumas horas. Pinto e bordo, deixo-o em banho-maria, às vezes o trato bem, outras nem tanto. Transcrevo-o geralmente para o papel, analiso por instantes, e só depois faço a publicação. (Parece bobagem).
         Um desses dias de viagem com meu filho, ouvimos de seu repertório a canção CÁLICE, composição de 1973, antiga, diferente... na conversa, dizíamos que à época, os compositores "espremiam a alma", diante de tantas ameaças, produziam com qualidade, conseguiam trazer diferentes sentidos para suas composições, estimulavam aos demais para o uso da palavra, convictos de que em algum momento, fariam a diferença. Transcrevi-a logo em seguida, não como insulto ou reclamação, mas com rigor a mim mesma, às minhas limitações; num momento de evidente severidade com os disfarces circunstancias. Depois, vi que meu otimismo não precisaria desse choque,ora ao mesmo tempo em que sofremos calúnias, devemos perseguir nossa fé, nossa determinação. Era a última semana de agosto:de confidencias, de profecias, de histórias!
            De lá pra cá, setembrei, viajamos e outras conversas surgem ao longo do trajeto. Mês de aniversários de tanta gente querida e amada; gente que se importa comigo, com meu conforto, com minhas dores, com minhas limitações; gente que no silencio, no abraço, na hora da tristeza, coloca-se a disposição, dizendo: estou aqui, se precisar, estarei aqui.Mês de flores!  Mês de comemorar a vida de meus sobrinhos queridos, de meu amado filho, de outras tantas pessoas amáveis  e amadas; de comemorar o nascimento da linda Vitória! Se não correspondo, reconheço e procuro ainda ter tempo para reparar essas diferenças. O tempo, foi ele que nos fez chegar até aqui, e no uso de minha palavra chave, SER, tenho acrescentado o AGRADECER. Obrigada pelo dom da vida de cada um que celebra a vida nesse mês! Obrigada pelo dom da vida de nosso querido irmão Paulino José que também comemoraria conosco se tão precocemente não tivesse sido levado!Obrigada por nos fazer assimilar outros sonhos, outras possibilidades!
          E na viagem de setembro, meu filho perguntava se eu conhecia a "teoria dos cinco macacos"; atentei para a história versada por ele e procurei lê-la, nela encontrei "a criação de um paradigma", ainda que não tenhamos estudado sobre isso, é confortável a omissão por entender que ali, as coisas sempre foram feitas àquela maneira. Em lugar de se acrescentar uma observação, encantar ou desencantar com um contraponto, preferimos silenciar; em tempo de oportunidades, usar a palavra em busca da possibilidade adormecida; comungar de experiências que na coletividade fazem bem para cada um.Desconheço tanta coisa, aprendi em certas horas a questionar, isso me torna dura demais... Porém, tenho raiz e dela nascem nossos sorrisos, nossas esperanças, as histórias e lembranças; está viva e nos faz crer no amanhã que pode ser reconstruído por nós. Às vezes, por um gesto, correndo risco,penso que podemos dizer " as coisas aqui não precisam ser sempre assim"! Setembrai porque a vida exige cuidado! Pede calma! Houve um tempo em que eu não sabia o sentido dos versos " lá em casa tem um poço, mas a água é muito limpa"! E porque  cale-se nunca foi resposta; procurai eliminar certas palavras e cuidai de alternar paradigmas! Assim nos ensinou nosso pai, nosso herói! 


Um lar, o anjo e as Sete Marias

          O que me agrada nessa tarde em que escrevo é saber que todos nós filhos e filhas somos feitos "à imagem e semelhança de Deus", somos herdeiros de cristãos, entre todos, somos a mais importante criação. Porém, não somente sobre isso falarei, procurarei num pequeno relato, transcrever esses momentos em quem somos irmãs, filhas e mãe de nosso pai. Conversando informalmente com alguém, quis saber quantas filhas éramos, respondi que somos seis, e que nessa história, em nossa casa, contando com minha mãe, somos sete mulheres. De certo, somos hoje Sete Marias.
         E esse assunto me volta à lembrança, porque é impossível deixar de recordar que a debilitação de meu pai, acentuou-se, dia 10 de julho do ano passado, nesse mês, nessa data, comemora-se o Dia dos Pais, e as Marias embora fragilizadas não deixarão de apresentar suas homenagens, suas manifestações de carinho, suas declarações de amor, de igual modo, encontrarão nas mãos fragilizadas pelo tempo, os desencontros de linhas tênues, formando um paradoxo o encanto inquieto nas demonstrações de amor e de carinho para conosco. E nessa história, o que me faria lembrar da "Casa das sete mulheres"?Lembrei da história, depois da conversa, (das sete) e porque nela havia um guerreiro revolucionário, sedutor que lutava contra as tiranias do mundo, na minissérie quase tudo é imaginação, quando a cito, é que dessa analogia, posso dizer da austeridade que  desejamos de nosso pai é o pisar firme, o exemplo, a dedicação à família, a humildade, a demonstração de fé; nesse último item, nosso pai é um guerreiro. Suas convicções e jeitos de ser, nos fazem ver, que mesmo desiguais e únicas, ainda assim capazes de amá-lo com a mesma intensidade, cuidar com a mesma dedicação.Só um "por exemplo", quando sonha com um dos filhos, acorda com a preocupação de que aquilo realmente pode nos atingir, diz que devemos ter mais cuidado, ser mais unidos.
        Não saberia dizer sobre muita gente, mas quantos de nós, criados somente com nossas mães, que exclama(vam) e reza(vam) para que aquele filho(a) adquirisse boa compostura! Quantos saem de seus lugares de origem, crescem, sem receber a bênção do legitimo pai e mudam seus rumos para o bem ou para o mal! Quantos correm e aguardam o abraço paterno na hora de pequenas vitórias, de sucessos pessoais, quantos!?Quantos aguardam um estímulo para o estudo, para o exercicio da profissão, para as piadas corriqueiras?! Aproveitemos nossos pais, cuidemos deles,rezemos com eles e para eles. O nosso, é um grande pai! Um guerreiro! Um filósofo nato e leigo! Ele nos surpreende a cada dia!Não erraremos em nenhuma letra se dissermos que ele foi feito à semelhança de Deus para ser nosso pai, para em tempo nos orientar a suportar nossas cruzes, para nos amar e nos tornar mais fortes; para nos mostrar que devemos nos indignar com certas injustiças, mas que seremos melhores se pudermos ser dignos do reconhecimento através do exemplo.Ora, nesse sentido, todos nós, mesmo mães, somos um pouco pai, porque revendo alguns valores dessa época, as nossas confirmações vem não só pelos sobrenomes, mas pela preparação para a vida!
José e Sete Marias
         E para você que aguardou a escrita e leitura desse texto, que sabe a essência de sermos  melhores em todos as condições: de filho(a), de mãe,de  pai, de irmã(o), tiremos a maquiagem e aproveitemos para olhar por quem sempre olhou tão bem por nós. Quando alguém supostamente pergunta a minha mãe sobre quem cuida de nosso pai, ela prontamente responde: "todas nós, as filhas, sete dias por semana, ele não fica um minuto sequer sem ter uma companhia". Todos, se puderem, terão o privilégio, nessa data, de sentarem-se com seus pais, e com orgulho, aproveitarem para cumprir algumas promessas de amor. O nosso herói completa mais um ano, em suas citações diárias, lembraremos sempre do profeta Jeremias... que as nossas histórias sejam também proféticas!Da letra de uma canção, como nossa homenagem por mais esse ano " eu tenho a palavra certa para doutor não reclamar". Para as sete Marias e seus filhos: nosso avô, nosso pai! Da fantasia à escrita, da profecia à releitura.

Depois dos quarenta: (SE)senta ou (SE)tenta, escolha!

Encontro em meu caderno de anotações, algumas linhas escritas sobre as descobertas depois dos quarenta, palavras aleatórias, prolixidade, nada original. Vejo-me agora nesse “status”, ora cabeça bem equilibrada, bem conservadora; ora envolvida em desejos de aventuras, de descobertas, ouso ser mais determinada, interesses esdrúxulos; sem forçar a barra, em minha cabeça não deixo mais lacunas para as frustrações, lembranças tristes ou cumprimento de todas as regras,  aprendo a perdoar verdadeiramente, esqueço medos bobos, deixo de lado mágoas ou ressentimentos, saudosismos da juventude, ciúmes doentios, coisas que sei, não voltarão mais (Nesse campo,há  uma professora que só usa palavras de otimismo, insiste em dizer que estamos muito melhores do que  supomos estar, “basta olhar as fotos”) Sempre que posso,nas lidas do dia, agrado aos pares,com ponderações,com atitudes, com autenticidade, menos rispidez, recomendação que necessariamente não está só nos livros.
De qualquer modo, trouxe algumas lembranças do longo tempo de criança, boas, é claro... dos demorados banhos de rios, das travessuras nas areias da rua, das farofas improvisadas, dos K-suco, dos vestidos de chitas, das bonecas de pano, dos carrinhos de brinquedos, dos desfiles de princesas e rainhas, dos banhos de chuva,dos jogos de petecas e castanhas com os irmãos,do aprendizado com as surras de cipó, das primeiras letras nas paredes da casa,dos chibés com peixe assado,  das casinhas no fundo do quintal,dos lençóis costurados a mão,dos cabelos louros e encaracolados, das idas apesar de tanta recomendação para o interior dos avós,  das saias de “pregas” do primário,das fugas constantes dos deveres de casa,da primeira bicicleta de nosso irmão mais velho,dos ciúmes entre nós, enfim; francamente, olhando hoje para trás,posso lembrar como sempre foram cuidadosos nossos pais.Quanta ternura! Quanto carinho trazemos de lembranças boas de nossos pais!Quanta sabedoria aprendemos com as simplicidades!Quanto elo para nossa formação pessoal!Nenhuma cicatriz que não tenha sido curada!Nessa história, trago homenagem ao menos às duas irmãs minha: uma acabou de completar cinquenta, outra; completará brevemente quarenta, diferentes em praticamente tudo; amáveis, dóceis, prestativas, não medem esforços para ajudar o próximo, capazes de fazer o melhor pelo outro, sem muitas vaidades; diferentes em praticamente tudo. Está certo! Quem disse que por sermos irmãs, precisamos ter preferências e personalidades iguais?
Foto Fernanda Sodré
Na verdade, quando escrevo, reflito sobre os onze meses do estado de saúde de nosso pai, no mês de maio,28, acolhemos a missão de comemorar os quatro anos de passagem de vida de nosso irmão cabo Sodré,e a vida sempre segue,  com isso,preciso apropriar-me de virtudes que me garantem uma melhor qualidade de vida; as  revoltas,os relacionamentos espúrios, as traições sorrateiras, os conluios, as tristezas,as invejas  nada disso me pertence.E é assim que  tenho dito para minhas irmãs,aliás, dito  a nós   que em lugar de ansiedades, frustrações, aborrecimentos à toa, preocupações com o dia de amanhã,desolações,de culpas,de preconceitos e contradições, que tal olhar para a vida e vê em cada esquina uma oportunidade! Entender por exemplo, que a necessidade de estarmos “enfermeiras” hoje nos torna mais humanas, mais cristãs, mais leves, mais felizes!Elevar a alma, sendo uma filha melhor, uma irmã mais carinhosa, uma mãe otimista, uma amiga sensacional! Contemplar os momentos do equilíbrio, da lucidez para também aprender sobre aquilo que os anos nos ensinam!Para nós é essencial o resgate dessa idade, quanto a isso, as diferenças e imperfeições servem para nos aproximar, só para isso. Falo da motivação, da energia, da descoberta em poder fazer pelo outro, em “ser ponte” porque o ser feliz,  implica em querer paz de espírito, tornar-se melhor. Entre minhas irmãs, devo ser a mais sonhadora, não a mais bonita, contudo, em tempo, reconheço que a beleza nunca esteve em mim, só pela aparência física, nas curvas perfeitas, em estatura desejável, nos olhos bonitos, nos rosto bem desenhado,pelo contrario, posso encontrá-la aqui,com todas as sensações que aprimoro em mim,em minhas escolhas e decisões.
Enquanto centenas contam virtudes, promovem a imprudência, disseminam insensatez, nessa idade pretendo encontrar tempo para ver a beleza na dor, “no prato de abóbora” da criança lá do mato, aprender com o mural feito de palhas de buriti ,ouvir os anseios de quem nunca soube o que é oportunidade,”ser ponte”, estimular a leitura, mesmo quando pareço arrogante nas palavras, servir ainda que haja incompreensão, agradecer pela família, por  meu lençol, minha cama,meu pão diário, meu teto, meu trabalho, minha correria, minhas amizades. Não existe em nada homogeneidade, não há um único paradigma que um dia não seja quebrado. Às minhas irmãs, que são as melhores e maiores amigas com as quais eu posso contar, não terei outra palavra senão de agradecimento, e como entre nós, há uma única Maria, mas todas se permitem adotar esse nome, usando clichês, depois dos quarenta ainda há tempo para: plantar, sorrir, colher; de estudar, ensinar, aprender; de ser, estar e permanecer. Há tempo e espaço para todos, “a gente” senta, inventa ou tenta; a escolha está em nossas mãos de tornar nossos dias melhores!E porque hoje essa é minha voz, meu argumento: tentemos!





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Madalena, Madalena que seja de paz sua oração

  N esse mês  da Mulher minha voz vem através da Rita de Cássia filha da Madalena , e para começar , minha tentativa não definirá os aspecto...