Releitura de "O Cortiço"- de Aluisio Azevedo


Após leitura,discussão sobre o ambiente e personagens do livro "O Cortiço", sugerindo pela professora, apresentamos as características dos personagens e trouxemos ainda essa experiencia:
Começo este “breve poema”
falando do senhor João Romão
Que tornou-se um cara rico
Através de sua ambição

Para ele o que mais valia
Era somente sua riqueza
Trazendo para si
A escrava Bertoleza

Bertoleza por sua vez
Trabalhava todos os dias
Para que futuramente
Conseguisse sua alforria

Logo João Romão se tornou
O companheiro de  Bertoleza
Juntos faziam “grandes feitos”
Mas com cautela e esperteza

Com todas essas trapaças
Conseguiram construir
O cortiço São Romão
Para mais dinheiro adquirirem

Nessa história surge Miranda
Um bom comerciante português
Esposo de Dona Estela
Que o traia várias vezes

O adultério não durou muito
Pois ela foi pega em flagrante
Sr. Miranda ficou furioso
Ao vê-la com seu amante

Zulmira era filha do casal
Porém fruto de desconfiança
Pois Miranda não  tinha certeza
De ser pai daquela criança

Para não manchar sua reputação
Miranda não se separou
Preferiu viver na mesma casa
Da mulher que o desonrou

Essa história denuncia
Negros, pobres e excluídos
Tornando o homem mais animal
Com bases no determinismo

Termino esse breve poema
Falando sobre O CORTIÇO
De autoria de Aluisio Azevedo
Do romance;  naturalismo
Se os outros não entenderam nada
Eu tive esse compromisso

Equipe Responsável: Regiane Ribeiro
2º E. Médio- CE Chagas Araújo




Literatura: do improviso à proliferação

   Pensando bem, estou atrasadíssima... mas a minha homenagem não é pontual, compartilho impressões de ontem, de hoje, daqui e de outros lugares, tentando ser original, refletindo sobre o Dia do Livro e aproveitando para perguntar:  apesar da enorme proliferação do livro, porque tanto atraso e índices negativos em nossa educação? Não critico a nossa falta de encantamento e nem condeno ninguém (porque não se trata de rótulo), no entanto, numa cultura de poucos leitores não se pode falar em identidade ambivalente, provocando o viés existente entre professores e alunos.
       Isso não é para sugerir quaisquer  comparações, trago para retomar, por exemplo, a iniciativa há quase  10(dez) anos do I Fórum de Leitura, iniciativa do Colégio Dr. Magno Bacelar que preocupou-se em acumular informações e tentou construir um modelo de leitor capaz de conectar-se com o mundo, dialogando claramente com aquilo que foi dito e visto,provocando sutilmente o sentimento de que nós precisamos da leitura; aconteceram outros, porém, os argumentos apresentados por quem o organizava não foram suficientes para sustentá-lo ou transformá-lo numa experiencia promissora e mais eficiente. Às vezes trago inspirações frequentes (sem dominar totalmente a língua) desse tempo em que leitores e expectadores tinham poucas mídias ao seu favor,a discussão era justamente superar obstáculos.
      Da mesma forma, em abril de 2011, realizamos um Sarau, no Sindicato de Professores, dando ênfase aos poetas e artistas locais, extraindo explicações, apresentações teatrais, quadros expressivos, leituras e declamações de poemas, cantores de repentes, música popular brasileira,comungando a ideia de que esses itens todos e essas ideias são capazes de apresentarem perspectivas diferentes. Entendo que cada palavra ou cada gesto é sempre propenso à crítica e pode ser interpretado de diferentes maneiras, não me importo, pois os equívocos ou resultados positivos já terão cumprido seus devidos  objetivos  : o da provocação para a leitura.Ah, e quando escrevo, lembro de grandes escritores e construo minha própria indagação quanto ao ato de escrever: será que algum dia essa minha pequena intervenção fará alguma diferença nesse campo totalmente minado de desinteresse? Quem sabe! Quem sabe!
     Por aqui, isoladamente, algumas escolas, em seus próprios espaços apresentaram homenagens ao Dia do Livro,com poucas lembranças de Drummond de Andrade que faria 110 anos,  em 31 de outubro;  sem motivações para lembrar de Luis Gonzaga, o Rei do Baião,  que recebe homenagens do Brasil inteiro pelo seu centenário, inclusive, com lançamento do filme (faria em 13 de dezembro) à exceção do Centro Santa Maria Bertilla, com um Sarau de caráter duplo, em dias diferentes, atendendo às crianças, jovens e adultos, levou a leitura para além dos muros da escola;identificar e sintetizar ainda não é bem o forte de todos, mas a maratona pela pesquisa e pelos arranjos já merecem nossas considerações. Quanto a mim, em minhas salas, não fui capaz sequer de desenvolver um trabalho, confesso minha omissão embora haja um movimento em torno da busca de algumas músicas... aproveitei para exibir dois filmes bem diferentes e bem "atuais", Cidade de Deus, comparando-o com a ambientação do livro "O cortiço"; e O Livro de Cabeceira, filme que trata de uma tradição local e  da obsessão pela poesia, livros e caligrafias antigas.
      Daí, não pretendi ser tão intransigente quanto ao jornalista e escritor Pedro Bandeira que em uma entrevista publicada há um mês no site Café Brasil, diz que  " o Brasileiro não lê porque não sabe", prefiro dizer que ele ainda não reconheceu o poder que há na leitura;  não me antecipei, digo não me atrasei muito. O ENEM chegou, e só agora tive tempo de publicar o texto e prestar mais uma homenagem à Professora Norma Silva, com quem, aprendi a conhecer e ler ainda mais. É perigoso afirmar, porém, acredito que mesmo no improviso  da escrita somos capazes de retirar grandes lições.  

Cartilha do Mestre


Peço a inspiração divina
E também as musas celestes
Em versos de sete sílabas
Pra agora fazer um teste
Desafiando o pensamento
Jogando frases no vento
Nessa “Cartilha do Mestre.”

Nosso mestre professor
É quem nos dá atenção
Com toda sua paciência
Porque é sua missão
Desvendar quaisquer saída
Nos ensinando pra vida
No brilho da educação.

O professor é a base
De qualquer sociedade
Crítica e participativa
Nos contextos da verdade
Porque quem tem consciência
Se mantém na resistência
Em busca de liberdade.

Liberdade de expressão
De quebrar qualquer corrente
Formador de opinião
Deixando o povo ciente
Percorrendo uma distância
Nessa louca militância
Ocupando sua mente.

Merece todo respeito
Daqueles que lhe assiste
No esforçar da garganta
Com a aula que persiste
Traçando a pedagogia
Com sua metodologia
No assunto que consiste.

No ano mil e oitocentos
E vinte sete corria
O imperador do Brasil
Portanto ali decidia
Com documentos concretos
Através de um decreto
A celebração desse dia.

Foi dedicado a uma pessoa
Grande mestra professora
SANTA TEREZA DE ÁVILA
De opinião formadora
Mulher de muitas ações
Que atravessou gerações
Como ilustre educadora.

Depois de cento e vinte anos
Do decreto referido
Em mil e novecentos e quarenta e sete
Onde ficou entendido
Este marco importante
Seguindo sempre avante
Agora constituído.

Depois de anos de lutas
A data teve aceitação
Caminhando sobre o tempo
No seio desta nação
Com muitas lutas e glórias
Entre perdas e vitórias
A mais linda profissão.

A luta educacional
Nunca há de parar
Todos nós de mãos dadas
Otimistas pra ganhar
Na guerra, no amor, na paz...
Insistindo no cartaz
Organizados pra lutar.

Homenagem de José Antonio Basto

Um professor apenas




Professo essa minha culpa
Minha fiel profissão desprestigiada
Os meus saberes e lições conservados
Professo as aulas que incomodam
Declaro as várias que se acomodam
Entre livros, papéis, paredes cadentes.
Confesso, simplesmente e sem medo,
Professo e confesso essa minha profissão.

Dia do Professor! Professora! Mestre!...
Confundem-se os verbetes diversos
Se pedagoga fosse, ousaria dizer:
Contam-se em milhares de histórias, progressos
E tão poucos lembram deste profissional
Sem culto, sem fulgor, ou merecimento
Em honra deste dia, com algumas projeções
Merecem, os professores, agradecimentos.

Confesso a falta de mídia, multimídia...
Mas mentes brilham, idéias se espalham
Se há poucos encantos, pouco importa
Professor, Professora, Professores, Mestres...
Imitemos Sócrates: “Só sei que nada sei”
E nesta arena mudaremos a história
Tenho esperanças que essas sementes
Sejam flores férteis em várias memórias.

Confesso fidelidade à minha profissão
Ou torno-me apenas um sonhador?
Em detrimento de tantos que nos lesam
Não basta, neste sertão, ser professor?
Se filósofo fosse, certamente diria:
“Conhece-te a ti mesmo”, isso é tudo.
E nessa minha profissão devo esperar:
“Que do impossível chão brote uma flor”.


texto reeditado

Independência: uma via para a transgressão


Houve um tempo em que pensei que pudesse  escrever sobre história, organizar saraus, festivais de poesias, concursos literários, gincanas, publicações,montar bibliotecas; houve um tempo... Ele passou e agora não percebo em mim mais nenhuma euforia para que esses antigos desejos se realizem. Resta saber o que houve com o ânimo que existia  em mim outrora em falar de história, poesia, saraus, festivais, gincanas etc ?Terei despertado para outros interesses ou por que me vi acuada diante de minha fragilidade humana? Mais, terei dado conta de  minha falta  de compromisso com a coletividade?
Quero que deem certo todas as iniciativas, a democratização, a descentralização, a participação coletiva e penso muito sobre isso, sinal de que não perdi o interesse total pela política embora veja com outro olhar os resultados da emancipação politica, da democracia e do exercício do poder; e esses termos já seriam suficientes para a concretude de um cenário qualificável para onde deixo descaminhar meu ideal. Por outro lado, o lado que é minha intimidade e se acompanho o pensamento de Cecília Meireles: “eu não dei por essa mudança”, em que estação deixei perdidos meus sonhos, meus ideais? Chega um tempo em que as rebeldias e desventuras não são mais bandeiras de lutas, de independência ou de transgressão; tempo em que novos nomes surgem, novos olhares acompanham os fatos, outras mídias fazem registros.
Devo ter cansado de minhas próprias condições, não por fracasso, porque a luta continua  e se olho para o passado com lembranças boas do que vi e vivi historicamente, digo que  sou muito grata a tudo que conquistei e fui capaz de exercer aqui em minha cidade, algumas vezes sem nenhuma qualidade, sem experiência, com as instruções e boa vontade de um ou outro;com os olhos nos livros, nos papeis, com as palavras daqueles mais experientes,  penso que tenho recebido as doses diárias daquilo que mereço: nada de extraordinário; e se, por exemplo, estou hoje em um partido é por uma escolha consciente minha, torcendo para que os interesses coletivos, na prática, sejam maiores do que as palavras;porque entendo que o "grito de liberdade" deve  soar todos os dias, o grito de liberdade não deve ficar preso à garganta,às campanhas,  às pessoas, aos grupos, às associações... 
O próprio grito que se intensifica pelas ruas da cidade serve de especulação para que se percebam novos modelos, outras experiências; sem medo de ditaduras, de opressões, de tiranias; portanto, longa vida aos que levam a sério o uso do poder e usam  a transgressão para validar direitos, deveres, qualidade de vida, oportunidades, melhorias habitacionais, perspectivas; anulando as perseguições, os descasos, as falsas promessas porque já raiou um novo tempo e como mudei bastante o rumo de minha prosa, copio o que foi dito anteriormente por algum filósofo “ o finito é breve”  subscrevo ainda um dito que se repete nada dura para sempre. E essas minhas palavras soltas, independentes, nesse dia  07 de outubro é minha via para a transgressão.

Sujeitos simples, objetos e outros predicados


Assim que comecei a pensar sobre esse assunto, deduzir que deixaria claro o meu tema logo no inicio do texto; falar de sujeitos e objetos, no mínimo é algo muito maçante, considerando-se a aplicação de análise sintática, termos e complementos. Para não cair no tédio, ser totalmente inútil essa minha observação ou óbvio demais, opto por omitir gramaticalmente o conceito de cada um deles. Simples: a própria leitura dará o sentido e quando faltar algum, é que os objetos não deram conta de completá-los  devidamente,  agora quantos aos predicados ...
O caso dos sujeitos e objetos tomar  outra acepção, porque faço analogias e contravenções com as palavras sem torná-las pejorativas; os negros, os brancos, os jovens, os adultos, os letrados e outros que fazem idolatria avessa  percebem que na política o olhar para a diversidade, para a contemplação das massas,dos avanços culturais, da valoração por nível de ensino, para o processo de descentralização tudo isso perde o sentido quando a visão e o discurso  de uma grande parte que deseja mudança soa contraditório , porque cada um ao seu modo, pensa primeiro em sua necessidade pessoal. Porque “o sujeito” espera que a sociedade mude, que os valores sejam outros, que os códigos e decisões políticas sejam outros, mas ninguém pensa em moldar esse modelo, continua-se com os pedidos de tijolos, telhas, tênis, equipagens, receitas médicas, passagens, passeios etc.; necessariamente as situações se repetem,os objetos permanecem os mesmos,  sem nenhuma criatividade. Eu perguntaria: que tipo de predicados merecem eleitores e candidatos que continuam com as mesmas práticas?
Nesse caso, os objetos sozinhos não constituem crimes, os múltiplos discursos  e polêmicas não bastam para ajudar as pessoas a descobrirem a força de sua cidadania,entendo que o conservadorismo e o tradicional na política atrai muito voto, mas, os jovens de ensino médio, por exemplo, não lembram que há exatos 20 anos  Fernando Collor de Melo entrou para a história  porque outros milhares de jovens aliados à sociedade civil  naquela época resolveram protestar por inúmeras irregularidades de seu governo. Portanto, a quebra de paradigmas, as respostas nas urnas, um “não” aos atrasos, às ditaduras, ao totalitarismo trarão para nós resultados  dignos de nosso aplauso, no entanto, quanto aos nossos, de nossa cidade, o que tem feito para que os resultados de eleições sejam de fato as que contemplam o bem comum?
      Por isso, para não dizer que não apresentei nenhum predicado, os modelos de políticas adotadas devem servir para nós como “catalisador” com um intuito de acelerar a formação de um novo cidadão, um eleitor com um perfil requintado; capaz de reagir, de enfrentar barreiras, percorrer outros caminhos,exigir o cumprimento de seus direitos,  além disso, do ponto de vista da química, o catalisador é responsável por reduzir mais de 90% de gases nocivos lançados no meio ambiente; façamos isso nessa eleição, votemos pensando na cidade, na melhoria das pessoas que nela habitam, afastemos de nós “gases nocivos”,avaliemos se o candidato representa seu próprio interesse ou interesse da sociedade;  afinal somos nós os responsáveis pelos acertos e desvios que os políticos  cometem. Ah, sujeitos simples, encontremos para nós novos predicados!

Sonhos de liberdade 170 anos da memória do Negro Cosme da Balaiada 20/09/1842 – 20/09/2012


Passaste por aqui amigo caminheiro
E não levou se quer o respeito
Dos netos dos teus bisnetos
Passaste por aqui D. Cosme Bento das Chagas
Nas terras de Urbano Santos rumo à Catingueira
Organizaste o quilombo na Lagoa Amarela
Mas não escapou da forca na goela
Passaste por aqui companheiro
Foste um negro fujão
Que fugiu da escravidão
Um guerreiro audaz
Líder quilombola respeitado e admirado
Com espírito de rei
Imperador das liberdades bem-te-vis
Agiu pelo coração e pela razão
Junto com o vaqueiro Raimundo e Manoel Balaio
Organizou a insurreição
Contra a insanidade
Contra a crueldade
A favor da liberdade
Bento das Chagas, saíste de Sobral
Para nossas terras, lutou até o fim
Três mil viviam sobre seu comando
Na guerra, na foice e no machado
E no tiro estupendo da espingarda velha
Camponeses, artesãos e escravos negros
Cheguem para o terreiro, o ganzá roncou
O atabaque gemeu, o berimbau bateu
Fumaça ao longe, trupelo de cavalos ferozes
Quem é? È o Lima de Alves e Silva?
Quem diria amigo soldado, matar quem não deve nada
E com isso receber títulos de nobreza
Até mais minha Caxias! Nós lhe tomamos por direito!
Acaso recebes ordens de vossa alteza, soldado?
Acaso recebe ordens do imperador menino, soldado?
Sabemos que realmente recebe sim as ordens da regência
Nessa triste hora da raça branca...
Então caro amigo, você matou nossos irmãos
Torturou nossos pais, filhos e filhas
Aqueles que sonhavam em ser livres de tudo e de todos
Aqueles e aquelas que viera D`África
Da Mãe Negra, do Pai João... do Pai José...
Agora amigos Balaios... vamos até o fim
- Vamos companheiros, deixem esses legalistas pra lá...
São homens do imperador menino, tal qual o pai...
Agucemos nossas foices para mais uma batalha na Miritiba
Chamem os guerreiros da Catingueira, do vale do Itapecurú e de Brejo
E também todos aqueles e aquelas que pretendem ir conosco
Raimundo está num extremo... Francisco noutro... e eu fico aqui
Queremos ler e escrever para conhecer nossas leis
E assim não sermos mais escravos de ninguém
Queimem as senzalas e libertem meus irmãos
Quebrem as correntes anunciando a abolição... que vem mais tarde...
Senhores... vocês me chamam de bandido, arruaceiro e feiticeiro
Hipócritas... nem respeitam minha raça... minha cultura de sangue
Minhas lutas e minhas glórias... minha história
Vocês vos sabem que desde 1830 que fui alforriado... e tive a plena consciência
De lutar pelos meus irmãos sofridos...
Tanto sangue, desgraça e dor...
Bacalhau, pelourinho... julguem-me por tudo isso
Escravos negros até nas igrejas...
Fomos nós meu Senhor quem construiu o Brasil
Arrancamos o ouro de Minas para a Metrópole pagar sua dívida com a Inglaterra
Fomos para os canaviais, praças e pecuárias
Construímos praças, sobrados, templos e pescamos para Vossas Senhorias
Fomos mortos n`alma e tratados como bichos
Sem valor... somente com a dor
Agora amigos da onça... queremos mais espaços
Por isso estamos aqui na Balaiada do Maranhão
Estou à frente de inúmeros negros... a cada dia chega mais gente, mais guerreiros
A cada momento estamos mais otimistas
Mas sei que vou ser assassinado da maneira mais hedionda e vergonhosa
Também sei que vos não escreverão minha história como ela é
Vão tentar dizer às futuras gerações de que eu fui um bandido subversivo
Vão dizer que não lutei... e sim que matei, o branco não fez nada... é santo
Vocês querem minha cabeça e meu fim
Para assim finalizar esses anseios em busca da liberdade dos povos
Em busca da república, em busca da democracia e dos direitos humanos
Sabemos meus amigos que existe um feito notável
De que somente os mais abastados usufruem do direito de ler e escrever
Por isso vamos lá... vamos conhecer para se libertar!
Já estou sabendo que Raimundo e Francisco foram pegos
Mas nós NEGROS... somos os últimos a cair...
Não vamos nos entregar....
Tragam minha roupa! Já são 15 de Janeiro de 1841... três anos de lutas incansáveis
Avante... meus irmãos! Lutemos contra a escravidão e contra todo sistema...
A insurreição ainda não terminou... O Raimundo se rendeu e
Nós sabemos que os brancos quilombolas querem a anistia
Mas o movimento vai continuar forte e intacto
Palavras para os legalistas... vocês não lembram?
Ou simplesmente fingem que não lembra que foram mais de 18 milhões
De africanos arrancados das terras de meus pais e avós
Para a diáspora no mundo
Ouçam minha voz... e libertem suas rebeldias
A escravidão é invenção de branco
É algo antigo... desde os tempos da Bíblia
Pois o poeta branco há de anunciar de que
“Hagar nem o leite do pranto tem que dá à Ismael”
Zumbi foi assassinado e Toussaint L ` Ouverture libertou o Haiti
Com idéias iluministas da Europa... dos sabidos brancos
Olhe companheiros... foram tantas lutas e batalhas
Perdas e vitórias...
As leis: Eusébio de Queirós, Ventre Livre... com certeza haverão de vir outras
Ontem a noite sonhei com a do “Saxagenário e uma certa Áurea de 1888”
Mas isso é pro futuro... se todos nós não desistir
Arrumem o berimbau, a cabaça e o atabaque
Coices e rasteiras nos brancos...
Nós não vamos morrer de açoites no pelourinho
Nós vamos caçar a noite pela mata fechada
E pela aurora acordar com a liberdade
Tambores do Congo, cabaças de angola
Melaço do engenho e grito de dor
Senzalas desgraçadas... queimem guerreiros
Vamos... vamos... porque o tempo está muito curto
Pois as tropas legalistas querem me capturar
Para assim dar fim de uma vez a insurreição dos Balaios
Só resta eu... e mais ninguém
Já é Janeiro de 1841 – a coisa está ficando feia
O cerco está se fechando... quem vem ali?
Correm negro por aqui... se esconde... atirem companheiros!
A luta é nossa... a vitória é nossa...
Lutem... fujam companheiros! Porque fui pego... agora vou ser julgado
E com toda certeza condenado...
Levem-me para a cadeia... e não contem minha história
Deixem para Mundinha Araújo do Centro de Cultura Negra do Maranhão contar
Pois ela haverá de pesquisar minha história depois de muito tempo
Estão me levando arrastado como bicho para a cadeia
Cheguei... tudo escuro... algo em comum... já estive aqui alguns anos atrás
Choro agora não só por mim
Mas pelos meus irmãos que foram executados... lutando por liberdade
A Balaiada acabou... como está o meu “Lagoa Amarela”
Março, Abril, Maio, Junho, Julho, Agosto... Setembro... de 1842...
Chegou a minha hora... estão me levando para a Vila de Itapecurú Mirim
Estou aqui... estou ouvindo alguém ler minha condenação em frente a esta cadeia Pública por ter liderado no Maranhão uma das maiores insurreições do Brasil contra As dores, desmandos e humilhações causadas às populações negras e camponesas...
Estão colocando a forca em meu pescoço
Taparam os meus olhos... mas quero dizer somente mais uma frase que é esta:
LIBERDADE... LIBERDADE... LIBERDADE!

Assina: Cosme Bento das Chagas (heterônimo)
Vila de Itapecurú Mirim, 20 de Setembro de 1842
Autor: José Antonio Basto
Urbano Santos-MA, 20 de Setembro de 2012

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Madalena, Madalena que seja de paz sua oração

  N esse mês  da Mulher minha voz vem através da Rita de Cássia filha da Madalena , e para começar , minha tentativa não definirá os aspecto...