Ah, sonhos, há sondas e há quantas mudas ?


Meados do ano 2013, ano de realização de sonhos coletivos, de enormes “mudas” de execuções interessantes . E já  passaram-se  cinco anos: vislumbrando ideias, debates, desafios grandiosos, importantes atitudes, proposições exequíveis e em todas pude confirmá-las com pessoas amigas , com mãos comprometidas que de onde estavam desenharam um projeto bonito para um lugar cada vez melhor de se viver! Porque realmente me sondas Senhor, quantos sonhos até aqui? E as mudas em quais terrenos férteis houve plantios? Há sementes, espalhando frutos para que novas mãos participem das colheitas e promovam boas semeaduras... Nessa fase, primeiro semestre, todo desafio parecia gigantesco, graças as amizades ,e porque em todo campo há com quem se contar, desvelei  minha melhor face e permaneci no exercício, sobretudo porque a quem cabia a decisão, optou por confiar em mim.(Imaginei em tempo de Magistério que seria um dia uma psicóloga famosa , deixei adormecer esse sonho)
Volto a rememorar meus leitores acerca de meus escritos, de minhas participações no campo profissional, de algumas repetições (des)necessárias , de metáforas pouco explicitas , de parâmetros copiados para enriquecer o contexto, releio e de fato me deparo com tantas palavras e tão poucos exemplos, quiçá tenha trocado apenas os títulos,  enquanto escrevo por onde andam minhas atitudes? Porém não apresento simulações, nem trago impertinências, minhas edições são de cotidiano e só quando me aproprio de todos “os  dados” me entusiasmo em pegar caneta e papel para começar a editar : eu imagino, cultivo dentro de mim uma história a partir de um primeiro fato, priorizo o enredo, retomo algumas leituras e dependendo do texto, já edito o  título preliminar; no geral , escuto a voz de minha sensibilidade, o tênue estímulo advindo de minha vocação, contudo e principalmente sinto em todas as vezes, que Deus tem preparado missões grandiosas para mim, por isso a predisposição para a escrita. Não sou e sei bem disso, o melhor exemplo, quer de pessoa, de filha, de mãe, de amiga  ou de profissional, olho pelo retrovisor e sinto: quantos movimentos equivocados; quantas vezes de súbito magoei quem menos desejei magoar,   quantas missões interrompidas, algumas (des)enfreadas, retiro dali, minhas lições, maiores lições  e olhar para a frente ,numa necessidade, olhar para trás em busca de experiências positivas, pressentir de que nossos pais em todo tempo querem nosso bem! Nada de ansiedades, de superstições bestas, de lembranças tristes, de coisas que em nada acrescentam mais, assim tenho escrito, tenho igualmente procurado viver. Agradecer e reconhecer as mãos humanas que nos ajudam nas transposições de fardos mais pesados.  Peço diariamente sabedoria divina para atravessar as adversidades, e discernimento para  cumprir bem as missões e deixar boas marcas.
minha doce Maitê
Passados os meus cinquentas, lembrei com alegria desse meu escrito que achei tão lindo! Sim achei lindo : http://contosetal.blogspot.com/2018/05/cinquentas-cinco-ou-85-vezes-vidas-mais.html, meu pai, nosso pai, dia 04 completou oitenta e cinco e  estava tão cheio de vida, minha irmã preparou a festa em ritmo de Copa, bolo, balões, toalhas, gratidão, canção, netos, e a mais nova bisneta para alegrar a nossa data, dia 11 de Julho, data em que se comemora São Bento, comemoramos  igualmente cinco anos dessas oportunidades que Deus nos oferta , e ele que sempre alertava as Marias : “essas tuas irmãs só chamam São Bento depois que a cobra morde” , quando completou oitenta já vivia com grandes limitações, o Parkison não dava tréguas, até que acometido de no mínimo três paradas respiratórias até chegar na capital, foi ficando aos poucos sem mobilidade e  hoje somos a cuidadoras para todas as atividades, todas e somos gratas por isso. Não é tarefa fácil, algumas vezes se emociona e as pequenas lágrimas são notadas, descobre o nome de alguma música que gostaria de ouvir, acena com as mãos trêmulas, uma ou outra vez sorrir quando contamos piadas engraçadas ou retomamos algo ensinado por ele. Nossos pais, sempre foram muito amorosos conosco, colocando limites em nossa formação, mostrando valores, ajudando a perceber quão salutar seria sermos disciplinados, há grandes e inclusive, graves diferenças nalgumas criações de filhos dos dias atuais; em tudo havia um sentido, uma perspectiva,  um sonho de futuro, nos mostravam oportunidades...  Doeu dentro  de meu pai os primeiros dias com a traqueostomia, depois com a sonda para a alimentação, e diariamente a sonda de aspiração. Ah, e quanta coisa mudou em nossa rotina, mesmo acamado não podemos deixar nosso bebê sozinho, há doses de remédios a serem colocadas, há alimentação, trocas de fraldas, o banho diário, e Maria Mãe a principal cuidadora, usa as quatro mãos todos os dias. Assim temos nos aproximado da vida, de igual modo, temos sabido com quantas mãos podemos contar... os irmãos de São Vicente nos ligam, perguntam: _ E como está José? __ Está aqui firme e forte, cheio de vontade e de vida; de fé! Os ensinamentos são grandiosos, temos o dom da maternidade e naquilo que nos compete temos dado os cuidados necessários ao nosso pai.
nossa famiíia: 85 anos
E enquanto nosso José renasce, completando cinco anos, nossa pequena Maitê se prepara para o primeiro mês, e a gente se encanta, acrescenta, reclama das fotos “ nas redes”, (mas acompanha) fala de que ela sorri, alguém murmura, “ que nada , criança nessa idade não sorri”, tudo bem ainda não é sua neta, pensei ! São detalhes que sintetizam todos os diálogos antes do nascimento, reparar nisso, é fugir à regra, poder-se-ia ouvir outras lições e experiências, mas a minha será única e inesquecível porque a mim foi dado o dom, e estou certa mais essa vez que Deus nos apresenta bênçãos das mais agradáveis formas; chega a retirar de nossas vidas detalhes que pareciam eternos, nos dando pistas de que missões novas aguardam por nós! E nesse espaço de tempo, dia dezenove minha pequena neta já mostrava os ares para seu primeiro mês, linda, alegre, amada e feliz! Houve bolo, registros, doçuras ... Infelizmente, do outro lado da cidade, uma voz havia sido silenciada há sete dias: o Guerreiro João fora chamado para perto do Pai, de espiritualidade forte, de grandes superações; desafiou as medicinas o quanto pode nesses oito anos em favor da vida, tinha uma idade de coração tal qual seu mais novo neto, e quando trago seu nome aqui nessa minha história é porque penso em dona Iracema Vale e em sua mensagem de paz e esperança na celebração de  sétimo dia de seu pai! A mão gloriosa de filhos e filhas que tem a humildade de cuidar com zelo dos pais nos mostra que não há lei maior “que doar a  vida pelo irmão”. E sejam quais forem as próximas mudas, “sendo santo de casa”, sendo mestre ou discípulo, quero entoar essa canção “ E vem, cantando entre nós Maria de Deus Senhora da paz, e vem, orando por nós a mãe  de  Jesus/ Maria, nossa mãezinha nos convida a união... Ah sonhos, Aquele que sonda nossa coração sabe que tudo passa,  e por quantas mudas ainda passaremos!


Vias de Clara, de Assis, de José, de Marias: Mai(s)eTê


Era Junho do  ano passado, fui lembrada por meu primo para participar da festa de dez anos da pequena Maria Clara, certamente ocupada com outras tarefas nem fui até lá para cumprimentá-la pela passagem do aniversário ... e me surpreendeu ela ter dito: __  mas a tia nem veio! Esse ano, vésperas do aniversario dela, lembro-me com muita frequência e dia desses, passando por ali, deixei com a mãe dela um livro de contos e histórias, com o pressentimento de que ela gostasse de ter sido lembrada! Que coincidência professora, amanhã será o aniversário dela! Lembrou-me a mãe!   Que bom! Dali já me senti convidada para mais uma festa ...  dia seguinte, era dezenove de Junho, peguei carona e fui lá: tão alegre e feliz estava Maria Clara , uma menina meiga, carinhosa, tão amada por todos ,na presença dos pais,  dos  avós, de alguns  tios! Tudo na simplicidade ...cantamos o parabéns, dividiu o bolo, convidou para as fotos, momento de alegria! Onze anos da menina Clara!
 Estou lá, bairro da Liberdade onde seus pais moram , por sorte, lá não tem essa de    wifi liberado, uma chance entre cem de ficar totalmente por fora da novidades ... Mas vias de claro, recebi a ligação de que minha netinha já estava bem apressada e se preparava para nascer. Como assim, a previsão não é inicio de Julho!?  De volta, com outra carona, “pego o caminho de casa”! Outra ligação, mensagem de whatzap, e antes mesmo que eu tomasse fôlego, graças a Deus nossa  Maitê chorou, fez pose para fotos, procurou suas pequenas vestes para se apresentar entre os grandes! Que linda menina! Fui bem aqui à porta de casa, e sem nenhum exagero, gritei: __Tia Cota a Maitê nasceu! (Ora que me custava)  Ela aplaudiu bem alto, e rodeada de  filhos e netos sorriram de minha atitude ! Que lindo o anuncio da vida! Achei perfeita essa forma de anunciar a vida! E quase madrugada tirei meus primeiros sonos, acordei ainda anestesiada com a sensação de ser avó, mensagens, as fotos  do pequeno rosto inocente já circulavam entre tios, primos, parentes e amigos!         _Vem cá, e não fomos nós que combinamos que as fotos só sairiam depois de algumas horas? E os comportamentos já não são os mesmos! Que importa, minha renovação de vida está aqui! Impossível não se emocionar! Brincar e ouvir as brincadeiras de quem sabe das transformações de que fazem as crianças em nossas vidas ! É tempo de copa, e no mínimo Maitê ouviu nossas vozes, eu de um lado, dizendo “ por mim que o Brasil seja ou não campeão”, de outro, o pai dela na torcida sem perder um lance, prepara o banquinho, a camisa oficial e conhece com detalhe cada um dos jogadores convocados ! Sim, foi isso, só pode ter sido isso que nossa pequena se apressou em dar logo as caras! Meus cinquentas não estarão mais tão sós, com brincadeiras já insinuei uma discreta festa Junina próximo ano, naturalmente a começar por minha pequena Neta, sem intervalo para o dia vinte e um, encerrando o “tríduo” dia vinte e dois com tia Sorinha! Assim quererei meus próximos cinquentas, para que circunstancialmente nenhum dos três passem  despercebidos..  Amanheci dia vinte e lá estavam os  “status”, as novas mensagens, as confraternizações, as sugestões, “ e aí ainda não foi ver a Maitê”? Preparei-me,  porém para viajar na calma no dia seguinte.
E fui dormir, nessa onda de fotos e vídeos fomos passando o dia! Logo cedo, levanto-me para o café, e conjeturei: Passar em branco, o que há, tem sido assim e devo me alegrar e agradecer por mais esse ano... não passou muito tempo, a própria “tia Sorinha” liga para dizer que viria para tomar um café comigo! Que bom , pensei !Limitei-me ao café com cuscuz, sentei-me à mesa e aguardo que sentem comigo! (Não, não é por falta de assunto, eu pretendia escrever sobre isso para satisfazer melhor meu ego); subitamente ouço buzinas lá fora, muitas buzinas, deduzia alguma manifestação... seria protestos?  (Visto que sou vizinha da Promotoria?) era uma surpresa, uma manifestação de carinho por meio daqueles com quem trabalho diariamente, foi uma enorme surpresa para alegrar minha data e tornar meus dias mais cheios de vida ! Foi um momento de gratidão a Deus pela vida! Um momento de  belas e francas homenagens, na canção, no poema lido, nas palavras espontâneas ,menção à Maitê na oração; foi um flagrante tão bem ensaiado...  Que provocação bacana essa que meus amigos fizeram! Dividimos nosso café da manhã com mulheres que ajudavam na limpeza da cidade, multiplicamos os pães e compartilhamos com outras pessoas queridas que não estavam presentes ! Aqui está o fruto de minha convivência, pensei ! Aqui  está mais uma vez meu nome “considerado” para páginas mais otimistas e prósperas! Nas leituras, no poema, em minhas falas, na passagem  dos Salmos, no vestido vermelho de presente, na blusa com meu nome, as lembranças de meus pais, no terço, na caixinha, de filho, de irmão, de neta... evocamos o Pai Nosso e anunciamos o nome  de Maria por mais essa dádiva... na hora da escrita, lembrei-me de Clara de Assis, do Francisco de devoção de minha mãe, simples seria se tivéssemos essa humildade toda que pregamos, se  nós sentíssemos a dor do irmão ao sofrer uma perda, se nos despojássemos totalmente dessas “arrogâncias bestas”, ´ renovemos em nós o desejo de encontrar Francisco, pés no chão, mundo novo, mas sem se afastar de Deus !
Porque já até decorei, preciso ensaiar outra canção, “ cinco letras , tem seu nome e minha cara, qual a flor, grão de amor, paz, serenata, se o mundo estava bom, ficará bem melhor depois que você chegou, porque aqui há todos os lugares e espaços para mim” metáfora de Espatódeas  minha cor preferida !Mas eu bem disse: Papai aqui  está Maitê ! Uma emoção incabível ! E não são apenas os cinco anos dos cuidados com ele, são os seus  85, mais uns setenta e poucos de minha mãe... embora longos, são dias felizes! Vias de Clara, com todas as Marias ganhei de presente meu melhor, vias de Clara tão delicada e  amável menina reaprenderei a cuidar! Feliz aniversário Nilma da Silva!  E o nosso Julho já mostra as caras, comemorar as vidas, “atrás do filho vem a mãe que é pai e avó, vem a voz do avô, os sinais de neta” ... impossível não falar... E depois dessa, ainda que não haja Clara, quererei Maria, nossa Mãe, nossas irmãs; José nosso caçula de cinco anos porque( não) dará todo lugar à Maitê! Essa é minha crônica de hoje, se não “sesse” essa , como Deus tem cuidado tão bem de nós, (seriam outras),  nos dará a chance de celebrar mais oitenta e cinco e até  lá ... papai tem muita razão  “ E uma onça bonita de olhar encantado, deixou em pedaço o meu coração"! 


Uma homenagem Especial


Dia 21 de junho
Para muitos um dia comum
linda lembrança 
Para nós um dia especial
É o aniversário de uma “nordestina”
Uma mulher simples, mais de um grande potencial.

Hoje rendemos graças por sua vida Nilma
Pela presença marcante no dia a dia
Porque no túnel do tempo
Deixou boas marcas na memória
Por ser uma das “muitas mãos”
Que tece e fortalece nossa história

Celebramos as diversas faces
Que cada um ver em você
A simples colega, a boa amiga, a firme parceira
Que na árdua e desafiante função
Exerce com compromisso sua missão

Viva o 21 de junho!
Assim exclama os amigos e a família Sodré
Que orgulhosamente  agradecem tua existência
E como diz Roberto Carlos vocês são irmãos camaradas, amigos de fé
E tem festa no plano celestial também
Porque se não fosse às águas turbulentas
Celebraria conosco o saudoso Cabo Sodré.

Parabéns minha querida!
Que ora como mãe, amiga, irmã ou vizinha
Faz um orgulhoso papel de filha
Pois uma de sua admiráveis missões
É cuidar tão bem do “José e da Maria”

Parabéns mulher missionária
Católica, fiel, cristã com convicção
Crê na proteção e intercessão de Maria
Crer na providencia Divina
Porque tem Deus nas atitudes e no coração

Parabéns Nilma!
Que agora expressa no semblante uma festiva vovó
Certa que os momentos de escritas
Serão divididos com ensaios das canções de ninar
Para embalar o sono da Netinha Maitê
Uma coisa boa de” Vó Ilma” Ter

E essa é uma sincera homenagem mulher guerreira...
Porque nas diversas fases da vida
 você  formou sua identidade
Será sempre lembrada, homenageada.
Como a tão especial mulher de fé
Escritora,mãe,  professora Nilma Sodré.

Parabéns!

Autora: Antônia Rodrigues


Com Maria , aqui somos todas Josés !


O mês de maio vem carregado do amor de mãe por nós, vislumbrar um mundo melhor e mais puro tem sido a missão de muitos aqui na terra, quer através da oração, quer através de ações simbólicas de amor ao próximo! Tenho agradecido, e renovado os pedidos diariamente, para que eu possa aceitar sem murmurações os desígnios do Pai. Durante a última semana de Maio estive ausente da cidade por uma opção pessoal e necessária, sem o eufemismo, as cotações por aqui estavam em alta, era semana de Jogos Escolares; não tive dúvidas de que “minhas jogadas” seriam melhores aproveitadas no campo para o qual foi escalada, formando o time das seis ou das sete mulheres ! Um desfalque: uma lesionada, e sem reservas! Mas o time do qual faço parte é muito bom, daqui, de lá, nem mesmo as avançadas medicinas tem ganhado de nós; aliás, uso da prerrogativa de garantir que “quem tem um bom Capitão no time já tem metade do jogo garantido”.
Lembrei-me hoje por pura e enorme coincidência de que houve um tempo, de certo pelos idos dos anos noventa  em que chamávamos aos colegas mais próximos de “Zecas”  não sei ao certo, porém ,uma certa analogia ao Jeca Tatu personagem Caipira baseado no trabalhador rural, virou febre, era usada por quase todos de nosso círculo de amizade, e aos poucos saiu do cenário. E hoje nessa travessia somos Josés, somos mães, somos irmãs, somos Marias, e essa minha reflexão  é para falar de acolhimento , de pessoas inteiras que se doam, que não acidentalmente estão nalgum exercício, para falar de respeito, quiçá de resiliência  . Há nos ajustes de minhas falhas comportamentais uma janela que tem servido de metáfora que impele a entrada de ares e luzes cada vez mais otimistas , quem leu meu último post, pode perceber quantos acontecimentos bons temos presenciado e vivido apesar da impactante história das limitações de meu pai. Celeste, a fisioterapeuta que nos acompanha há cinco anos nos diz da admiração que sente pela resistência de dele, e ainda nas capacidades físicas e mentais dele e de minha mãe! Somos gratos por essa caminhada e por otimizar através de habilidades próprias a vida útil de meu pai, desejamos a cada amanhecer por onde passamos essa vida que não nos parece tão obvia! Que encontremos outros profissionais assim! Na sequencia, porque é quem mora, quem convive no dia a dia ,quem sente mais de perto nossas versões, nos ajuda nas comedias; dias em que é mais admirável, outros nem tanto “porque também se aborrece”,  grata ao sobrinho Victor Sodré pela amizade e respeito aos avós. Muito grata, quem coloca nosso bebê no colo, segura daqui, leva para ali, é fabulosa essa convivência.  E aquele sorriso mais alto, me parece ser para contagiar mais gente; eleva uma autoestima com o termo “destruidora” da mesma forma que nos diz, se não dormirmos bem ou estivermos sentido algo __ “Eita tia, hoje está destruída”! 
A primeira sensação quando escrevo as primeiras linhas é a de  que essa ausência de linearidade , não deixa claro para quem faz a leitura, ou  a percepção sobre o que eu de fato pretendia dizer...meu estoque é limitado, e eu mesma fico ao final com a mesma impressão: estarei escrevendo sobre a mesma coisa? Que nada , quero situar-me e situar meu leitor; penso! Minha opção às vezes é repetir palavras, mas se examinarmos bem, não falo sempre das mesmas coisas, trago indeléveis lembranças ou fatos como tênues antídotos para dias mais amargos! Sobre essa semana passada , eu nunca havia dito aqui nessa página sobre nosso pai queixar-se de dor, quando víamos sinal de lágrimas geralmente eram por emoção de encontro ou de lembranças, mas doeu-lhe por esses dias a barriga, doeu a inquietação na cama, doeu-lhe mais ainda a ida ao hospital... naquela sexta, dia primeiro , em que o levamos ao médico para uma avaliação cardiológica, além de não nos receber muito bem, disse-nos grosseiramente no primeiro momento algumas verdades que nem precisaríamos ouvir, estávamos procurando alento  por uma qualidade de vida de meu pai! Naquele espaço de tempo, ficamos ali, eu Victor, Soraya meu pai e o senhor com o diagnostico pronto como se fosse o Deus. Não retrucamos muito, eu mesma lhe disse, mas o senhor está zangado? [..} Que pergunta essa minha... concluir minha fala, dando-lhe razão, deixou-nos sós até que arrumássemos a cadeira de rodas e saíssemos do consultório resmungando  conosco mesmos. Ele deve está certo! Meu pai tem estado tão bem! É lucido, atento, ouve bem, os exames laboratoriais sem nenhuma alteração por que mesmo tivemos que ser atendidos justo por essa criatura?  Ficamos tão pequenos naquela hora, mas aquela complexa recepção não nos frustrou mais...
Assim tem sido a travessia, mas não temos deixado passar em branco as boas coisas da vida, dia primeiro também comemoramos o aniversário de meu irmão Robson, motivos para comemorar e agradecer temos de sobra, do quarto meu pai ouvia as vozes dos parabéns, fica ligado quando é uma aniversario, felizmente quando o convidamos para cantar , se souber a melodia nos acompanha, naquela noite eu o convidei para me acompanhar  no hino Senhor, eu sei que Tu me sondas/ Sei também que me conheces/Se me assento ou me levanto/ Conheces meus pensamentos falei-lhe de outras coisas, de nossa força, daquela dorzinha de barriga que insistiu em voltar, e os olhos lacrimejando procuravam me acompanhar mais de perto para cessar a dor. Não há cansaço que não possa ser revertido, nesses cinco anos, graças a Deus há mãos que trocam as fraldas, que colocam os remédios, que compram a comida, que vestem os pijamas,  que cuidam dos asseios, que alinham os cabelos.... deparamo-nos com colegas que se aborrecem fácil, não imaginam quantos jogos temos virado durante esse campeonato... um helicóptero chegou em minha cidade, meu pai não tenho o mesmo medo... e quando concluo essa minha história posso garantir somos todos Jecas/ Zecas querendo por ordens no trabalho rural dos outros como se nosso plantio estivesse todo organizado! Meu encanto não encerra aqui porque minha missão é maior e naquilo em que a medicina ajuda, Maria passa na frente e cura, porque com Ela somos todas José , o homem puro que nos ensinou sobre SER.







Cinquentas: cinco ou 85 vezes vidas mais tenras


Porque não está errado o ditado mas opto por refazê-lo, “porque o pai é lindo todos nós somos as mães”, nessa edição em que completo meus “cinquentas” , no mês seguinte, meu pai, ora cinco, outras , na maior parte das vezes, oitenta e cinco; no entanto,  com ele não tem carnaval triste, graças a Deus canalizamos todas as forças emanadas por ele para a aquisição de bênçãos e a garantia de que nossa esperança se converte diariamente em virtudes e providencias divinas. E essa minha história é sobre Mães, um filho, um enorme Pai, bênçãos e a presença do Espirito Santo para aperfeiçoar a vocação, provocar melhor esse meu dom!  
Comemorando a vida!
Numa recente leitura de homilia do Papa Francisco, deparo-me com dizeres e passagens muito idênticas ao que ouvíamos com muita frequência de meu pai, “Seja  qual for vosso trabalho, fazei-o de boa vontade, tendes orgulho e serás recompensado”, por esse caminho temos procurado trilhar;   nossos pais sempre foram nosso maior orgulho, por  terem sido criados na roça, nos deram lições de quanta diferença havia entre uma caneta e uma enxada, nos acordavam cedo para que aprendêssemos a apreciar melhor o nascer do sol, não faziam promessas que não podiam cumprir; quer ser na aquisição de brinquedos, de roupas ou outros bens quaisquer... o militar, o padeiro, o dono da pequena  quitanda  na rua principal, era nossa  maior autoridade, em situações conflitantes nos colocava no colo com a mesma ternura, com as poucas palavras e com o mesmo e enorme amor; assumia conosco nossas fragilidades  nos dando novas incumbências, maiores incentivos, parábolas e mais que isso, exemplo.  Esse ser humano crível, é José, aquele por quem Francisco, a Vossa Santidade define como “o guardião das fraquezas”; é bem capaz de chegarmos com os ombros cansados das cargas diárias, o peso das viroses e  de encontrar naquele berço o “principio da vida ali” , fazendo nascer as coisas mais lindas de nossas fraquezas, segurando em nossas mãos, garantindo que a ele foi confiado a nossa luz, nossa mansidão
Há realidades muito tristes entre nós, quando presenciamos algumas maldades e violências domesticas com pais idosos, quando filhos autossuficientes transformam seus pais em verdadeiros escravos, quando pela falta de tempo, os filhos se esquecem de dedicar cuidados e atenção necessária. E eu também fracassei nesse ponto, de vez em quando, mas confio  que o Senhor tem apresentado para nós, chances diárias de transcender para o sustento através da fé. Maria, nossa mãe, persevera na oração, nos encoraja a resistir sem dispersão, nos ensina  a pratica da caridade; graças a Deus a fé vence o sono, dribla o cansaço, anula as dores, Meu pai, minha mãe de corações e pulmões de aço, de afetos recíprocos entre si, não se ouve um gemido, uma reclamação de dor, as santidades se confundem, ora o José o servo bom, silencioso e trabalhador, ora a Maria, com seu amor insondável, invisível, curador! A esperança triunfa sobre nós todos os “amanheceres”, o milagre acontece à tardinha na hora do terço, ao levantar-se, ao abrir os olhos, dizendo que está tudo bem! Trago à memória de uma vez a parábola dita por meu pai sobre Maria Madalena...a presença do pecado não deve nos afastar da santidade, porque tudo aquilo que vemos por fora, Deus vê por dentro; e qual de nós nos porões da humanidade está escolhido para atirar as primeiras pedras?  
Hoje oito dias depois das primeiras linhas, é aniversário de meu irmão Sodré, cantor, parabéns pelo dom de tua vida;  algumas nuvens e chuvas fortes já passamos; dia 28 próximo, assistiremos a passagem que se confundem há oito anos com a morte  de nosso irmão Cabo Sodré; com o coração humilde sabemos da necessidade de perdoar e pedir a misericórdia do Pai, para nós! Eu silencio para a transformação! Eu silencio porque “sei quem está comigo até os fins dos dias”! Silencio para poupar a vida, para manter as boas lembranças; silencio para homenagear boas amizades! Todas essas minhas manifestações, trazem meu olhar de filha, de mãe, de irmã, de futura avó; não invado a vida de ninguém... nessa tríade: cinquentas, cinco ou oitenta e cinco trago o recomeço de uma nova etapa de vida, quando a  Maitê chegar , já terei completado meus cinquentas; meu pai, nesses cinco anos sob nossos cuidados, terá completado oitenta e cinco e certamente diremos: “Papai aqui está sua bisneta, se arrume para que ela possa se aninhar em seus braços” , abrirá os olhos lindos numa demonstração de  maior alegria! Confio sempre nesse amanhã, sem soberba, porque nossa sintonia com o Pai e com Maria nos faz enxergar assim... quando o filho é bonito, queremos ser sim, meu pai, ser seus filhos amados, suas mães amorosas! "Maria, nos ensina todos os dias a sermos novas criaturas "!





Sobre um Gra(N)de Amor: nosso, de nossas vidas, de Mãe(tê)



Antes mesmo do insight “sobre o desejo de aprender a fazer tricô”  meu blog havia alcançado um pouco mais de cem mil acessos, eu precisaria  escrever sobre isso para agradecer, para ratificar entre meus leitores a necessidade em mantê-los fieis à essa escrita,   nossa última postagem http://contosetal.blogspot.com.br/2017/11/para-nao-ferir-ninguem-evite-armas.”  conseguiu o recorde de acessos,  porém nosso novembro começou meio acinzentado, por perto de nós, tragédias escabrosas nos fizeram pensar sobre nossas vidas e a respeito de que convivemos! Nem tudo “é azul da cor do mar”, nem sempre “nosso melhor romance” como disse um antigo escritor , é o que traz a história mais feliz! Fiz meus primeiros esboços, pego um pedaço da história aqui , outra dali, acertadas as últimas informações... ouço uma voz tímida ao me dizer: __ “Mae , tá na hora de produzir uma nova história... sobre um grão de amor”; metáforas a parte, tenho enorme dificuldade para escrever sob demanda, depois, fiquei ausente de minha cidade, viajo, volto, nem desfaço a mala durante alguns dias, em parte pela função, de outra, pessoal, pela chegada de meus irmãos, na capital do estado, pela fragilidade com minha própria  saúde ! E para mim, uma emoção sempre puxa outra, somos essa família de nove irmãos, e esse mês há pelo menos quatro anos, os que moram fora do estado vem para visitarem a nós e aos nossos pais, considerando nossa luta diária em favor da vida! Só agora me dei conta : era novembro quando idealizei esta história, há seis meses, e quanto tempo nós temos? “Pouco tempo ou todo tempo, depende de nós”.
Fonte: Nary Rissane
Quando sentei para escrever as primeiras linhas, eu havia parado por algumas longas horas , na porta de meu pai, remoendo todas as boas lembranças  voltei o olhar para aquela quadra, e vi o menino mais lindo sendo chamado para o banho, porque estava anoitecendo; voltei-me para dentro de mim mesma, e enxerguei os primeiros desafios, pressenti todos os cuidados de meus pais e de meus irmãos para com  ele, meu pai fora nosso pai; destacava ser chamada “minha  mãe”, aos meus pais, “Papai e Mamãe”, como tem sido até os dias de hoje!  Seria uma boa lembrança poder dizer: “ a senhora queria que “eu sesse”, igual fulano”, nunca quis. Quis mesmo que “sesse” o bom filho, o respeitoso neto, o profissional responsável e respeitado e certamente será o  amável pai! Tenho o maior orgulho, porque grande parte de minhas lições foram aprendidas com meu filho, enormes lições! Contei-lhe certa vez sobre o dramático filme o Óleo de Lorenzo, da busca insistente de seus pais em encontrar a cura para seu amado filho, no filme, a comovente história permite-nos pensar sobre a vida, essa breve passagem, e do amor doação dos  pais para com os filhos , e nalgumas vezes que tinha dificuldade para tomar qualquer  medicamento como ainda tem sido, eu dizia que “ aquele era de “óleo de Lorenzo”; para trazer-lhe a cura. Eu o criei sem a presença física de um pai, certamente, juntos fomos criando coragem para nos tornamos mais fortes, fomos  curiosamente redobrando os cuidados e buscando serenidade quer na partilha de boas experiências, quer na descoberta de novas missões. Ressoam em mim a festa de Aparecida, o júbilo, a lucidez e a esperança na santidade. A invisível festa na visita de meus irmãos que residem distante, a acolhida espontânea no stand up de nosso irmão mais velho; a interessante circunstancia do aniversario da Dulce, das boas convivências,do discernimento; da gratidão, das idas, vindas, das janelas dos ônibus, da casa, das janelas da vida... 
Minha história começaria com um insight, é fato, mas ouvi uma canção linda que retrata a história do "grão de amor " , linda história.. E hoje dia 04 de Maio de 2018 há quem pense que desistir de escrever, há quem torça para que eu desista, há quem não nos queira mais o mesmo bem!. Tenho sido suficientemente forte,  o  fato é que emoção demais não me deixa completar todos os raciocínios! Vir à tona de que há tantos equívocos nossos em vida sobre quem podemos contar! Obrigada #Minhamãe quando está bem contente #minhamaezinha.... estou aqui na idade: meu amado filho, meu querido Neto! Obrigada Senhor por todos os dons, pelos cuidados, por inúmeras oportunidades, muito obrigada!  Obrigada pelos cuidados e livramentos e muito obrigada porque me dás a chance da vinda de minha querida neta . Obrigada Senhor,  porque tão boas lições eu e meu filho aprendemos com nossos pais! Minha vista embaça, porem não embaralha todas as palavras; e nessa missão de filhos, de irmãos, de amigos caminharemos de mãos dadas rumo aos meus cinquentas , em junho, e comemoraremos a vida, a alegria da vinda de nossa Maitê, com os   85 anos de nosso Guerreiro José, e outros cinco anos das lutas diárias , nossas, e de nossa mãe, de fé, de muito amor,  nos cuidados básicos , na atenção necessária. E me alegrará bastante, poder refazer o refrão daquela música   : Aqui está meu irmão, minha irmã, minha mãe, a mamãe, o meu filho e seu Pai; nosso Pai, o papai; minha mãe, sobre  nós, todos nós, um grão de   amor paira para trazer mais alegria ao nosso lar: Maitê! Na arte, na devoção, em todos os cuidados, na gratidão, mês de Maria, todas as Marias que me estendem as mãos. Obrigada minha Mãezinha do céu!


“Para não ferir ninguém”: evite armas, exceda na fé cristã!


Inicio minha reflexão como se estivesse com meu “diário de bordo”, dois de novembro de 2017 , quinta feira, meu último post acabara de ser publicado, todos envolvidos com a triste noticia do desaparecimento da pequena Allana Ludmila, na capital do estado... Novembro que era doce, podendo ser somente Azul para os cuidados e prevenção, ficou muito escuro pelos lutos, pela banalização da vida, pelo excesso da violência!  Levantar cedo nesse dia, e ir levar nossas homenagens aos entes queridos no cemitério local.  Nessa manhã, a Celebração Eucarística nos convoca a sermos solidários com quem está entre nós, a declarar nossa união, fortalecer os vínculos, nos chama a conviver como verdadeiros irmãos, porque não basta chorar a dor da perda...  de inicio não tem como não lembrar do assassinato de nosso irmão Sodré, de ouvir o refrão do bonito hino  “ Me chamaste para caminhar na vida contigo, decidir para sempre seguir-te , não voltar atrás...” São sete anos que ele fora chamado para junto do Pai, sete anos em que lidamos com a perplexa dor da perda, das boas lembranças,  de lembrar que Deus tem se manifestado em nossas vidas nesses quatro anos de fé e oração de nossa  mãe e os cuidados com nosso pai.
Nossa! Minha escrita sobre nosso Novembro, mês da saudade, também mês de festas, de folguedos, de celebrações, lembrei-me de um livro que li há vários anos “Ei, tem alguém aí”?  no livro o autor fala da inocente criança que na expectativa da chegada de  outro irmão, encontra em seu pomar um “ser de outro planeta”, travam diálogo, perguntando sobre diferentes coisas com que convivemos nesse nosso mundo;  e a gente vai crescendo, achando que todas as pessoas que trazem um sorriso largo no rosto são as melhores do mundo, “que são desse mesmo planeta que o nosso”,  nas correrias , ao responder sobre nossos dias , dizemos, “normal, comum, igual aos demais” , porém não há dias iguais! Seria um dia comum para a menina Alana que na ausência da mãe soubera comportar-se para que ninguém a atingisse,   seria muito comum para a inocente Camila na cidade de Teresina quando voltara para casa rotineiramente , fora mais uma vez “a balada” com seu jovem namorado, e seria muito comum para o cidadão Diego Granjeiro naturalizado em Belagua, ter recentemente celebrado a vida do filho, conviver diariamente com alguém, deitar-se, dormir  e exceder-se na confiança; sim muito comum!  Infelizmente, para os três casos, o final foi extremamente trágico! “Há tantas mãos boas por aí enganando a gente”, mãos que se prontificam em abrir as portas, que afiam as facas  ou que apertam os gatilhos,  mãos que rezam e não se doam, que “zelam” por nosso sono, mãos que se articulam tão bem, mãos que se fazem de santas no entanto, usam todos os argumentos tomadas pelo inimigo, dominadas pelos males que detonam a humanidade: a inveja, a ganancia, o egoísmo, os ciúmes exagerados, as vaidades sem fim ! Pedir perdão, voltar atrás em uma decisão, ninguém quer; comprometer-se em ser mais amoroso e gentil com quem precisa é um desperdício, promover um gesto concreto em favor dos mais humildes é um despropósito, exceto se for para as redes sociais... eu diria muito mais e porque sou humana,  também fico dominada pela raiva, pela total indignação,  contudo esbarro na frase do Papa Francisco: Quem sou eu para julgar!? Quem somos nós para dizer que na ausência do amor real, as pessoas vivem umas relações forjadas, encenando sorrisos e prontidão? Quem somos nós para falarmos de tantas outras carências sem quem antes falemos das nossas? Quem somos nós e o que temos semeado ao longo dos caminhos por onde passamos? Quem realmente somos e como tem sido nossas representações?
Nesse quatro de novembro, eu narraria qualquer outra história, porém fui tomada por essa  ingrata surpresa nas redes socais... depois em conversa com uma amiga, quis me situar e poder dar essas respostas:  “EU como tá TU” manifestação de carinho de quem olha para o outro com a fraterna intenção, “eu” está aqui escrevendo pela dor de tantos outros, estou aqui ainda sem acreditar de que TU foste tirado de nosso convívio tão tragicamente, penso que TU deves está no céu perto do Pai que te chamou mais cedo porque tens aí outra missão, penso que TU estás  aí “impressionando os anjos” como a canção que escolheu a jovem na bonita homenagem do vídeo, TU ao chegar na cidade em que tua mãe se naturalizou e ajudou a construir com os demais professores no mínimo te perguntaste: Por que tanto fogos e música  em minha última  despedida? Na escolha da canção de Asa Branca... na harmonia dos sons que misturavam-se com os soluços entalados,  na interlocução TU pronunciavas     “ adeus amigos, guardem consigo meu coração”! Porque todos aqueles que te viram indo e vindo nesses 20 anos  de estada de teus pais, disseram-no de tua alegria, de tua franca amizade, do jeito simples de ser! Doce Novembro Escuro, “a gente” não imaginou que houvesse sangue! Não imaginou que  houvessem lágrimas e tantas dores nessa passagem de aniversario da cidade de Belágua... não imaginou que houvesse tanta perversidade ! Eu o conheci tão pouco, travamos breves diálogos , entre eles, “o fato do carro de nosso amigo em comum , não ter redução de marcha, sorriste com essa desfeita”; de teu respeito, ao dizer que eu havia tirado um longo cochilo naquela reunião, mas que não faria a minha foto! Ei, tem alguém aí que se incomoda contigo, com teu sorriso, com tua espontaneidade, foi o que pensei! “Que terrível arma, querido, valente de Deus, foi usada para paralisar tua fé”? Quem meu irmão, deixou de lado, “a vitória em comum” e não quis mais sondar o coração de Deus?
Li quase todas as mensagens e homenagens, eu também fui ferida brutalmente quando executaram nosso irmão, todos foram atingidos quando tiraram a vida da menina Maisa, da trágica morte de outros inocentes, temos sido todos os dias "executados" por tanta maldade; hoje são sete dias da ausência do filho, irmão, pai amoroso, cidadão benquisto na cidade de Belágua... na residência dos pais, o acolhimento dos amigos e conhecidos, a pronta resposta da mãe, “eu o recebi com fogos e com músicas porque meu filho era alegre demais”, diz que guardará apenas as boas impressões e lembranças, “eu não o vejo morto”; comigo mesma lembrei de uma canção que se parece muito com meu querido compadre , cantada dia 02 de novembro, “amor tão grande , amor tão forte, amor suave, amor sem fim, que a própria morte , transforma em vida... mais do que a morte é mais forte esse amor” assim será porque ele viverá nos corações de homens e mulheres de bem por longos anos, pronunciava-se a irmã. “Para não ferir ninguém, eu vim te procurar, alguém me machucou e eu não pude nem chorar...” Que esse luto que agora sentimos seja nosso substantivo, para que outros irmãos, pais , filhos e amigos acolham a cultura da paz, do exercício da oração! Meus queridos irmãos, com que armas LUTO?




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