De algumas construções às saudações finais


Medalha de Honra 
“Não se admire se um dia” você tiver que partir, deixar alguns sonhos para trás ouvir a canção e seguir; começa minha parte nessa historia desde que em 2000 quando fui provocada verbalmente por uma autoridade que exigia de mim que eu fosse candidata a vereadora naquele ano, não deu para mim! Papai intimado a participar da decisão, usou esse proverbio “quem meu filho beija minha boca adoça”. Depois compreendi que os riscos das carnes são de derme são de pele, só quem as tem cortadas, sabe contar sobre...   Claro sofreria retaliação, mas já era esperado, e nada disso mais me deixa ressentida, trabalhei um pouco mais de um ano no Munícipio de Belágua onde fui muito bem recebida, aprendi lições, conservo amizades até hoje, inclusive extensivas ao Povoado Piquizeiro, foi um bem enorme. E em 2002, graças a Deus, houve concurso público para professores do Ensino Médio e fui aprovada e em tudo concluo de que já  deixei passar algumas oportunidades, no entanto agarrei inúmeras e todas para meu bem, assim entendo por isso, agradeço!
     Dali em diante,  novas construções, tive inúmeros apoiadores, mas todos começaram dentro de casa, preciso reconhecer isso, e quando eu decidir filiar-me ao PT não  era uma aprovação unânime... em 2002 já escolhi em votação o Presidente  de nosso país, seguindo, em nosso município e em 2004 em Convenção Própria decidimos lançar nossas candidaturas com Julia Almeida candidata a Prefeita do Município sabíamos de nosso potencial, e da qualidade de nossos candidatos, por isso  não hesitamos, íamos cumprindo nossas agendas de reuniões e conversas,  ocupando os espaços conforme a legislação eleitoral, visitamos os povoados, fizemos intervenções e conquistas a citar ,por exemplo, através do Luz para Todos; fizemos nossa campanha com as propostas, isso nos motivava a chegar mais longe, éramos taxados de lunáticos,  e nesse contexto , uma cena nos marca nessa época : véspera das eleições , eu , meu filho, professor Raimundo, Wilson Souza, Iran Avellar, Julia Almeida,  Manoel, Mazinho saímos às ruas para de alguma forma deixar nosso material de campanha nas ruas ! Cada um numa garupa de moto e seguíamos, aos nossos opositores não fazíamos diferença, nem fomos para as estatísticas, contudo para nós, fizemos sim, votamos em nós mesmos e estávamos tranquilos quanto a isso,
Novos cenários foram surgindo, em 2008 por convenção, nos coligamos com o PDT, com o Prefeito Aldenir Santana que ia para reeleição, a quem sou grata, nessa campanha tínhamos três candidatos a Prefeito, fomos derrotados nas urnas, no entanto elegemos pelo PT nosso companheiro professor Raimundo, dali em diante, uma nova fase, subtração de direitos, cenário desafiador , nesse ano, nosso município já contava com um Núcleo Sindical atuante e nossa classe a primeira a ser atacada, foi para o campo. Nesse mandato, Vereador Professor Raimundo, foi nome forte e decisivo para todos nós durante a gestão, através dele, conseguimos assegurar alguns direitos, com apoio dos demais, claro. Muito obrigada! Depois das eleições, foram dois anos e meio em debate com a justiça para cassar o mandato do eleito, havia contas reprovadas e fazia parte de nosso cotidiano acordar ou dormir com as notas do judiciário  até que em meados de 2011 , nosso município ficou sob nova administração; os resultados foram novos nomes, outros protagonismos em nossa cidade , para nós um diferente parâmetro seria retomado a partir de agora , as projeções passaram a ser outras; consideráveis  reações ,do lado de dentro da politica social  já estávamos todos nós de nosso partido. Nossos esforços não foram em vão, em 2013 elegemos para Prefeita de nosso município Iracema Vale pelo Partido dos Trabalhadores, senti-me honrada em poder ter sido escolhida para ser gestora da Educação de nosso município, sentimento de gratidão extensivo a todos os companheiros de longevas datas que apoiaram essa empreitada. Nesse mandato, contamos com os vereadores Professor Raimundo  e Paulo Costa eleitos pelo PT. De lá para cá viemos construindo liderança, serenidade, sensação de dever cumprido; norteamos alguns trabalhos em caráter coletivo; espirito público, numa perspectiva de agradecer a oportunidade e de servir; com as falhas da pessoa e da personalidade.  Nesses anos, nunca me faltou convicção do papel que exerço, fui acolhida de forma sadia e de algum modo, minha contribuição ajudou para que eu fosse convidada a permanecer no cargo, no novo mandato de nossa Prefeita ; durante o percurso, há dez anos perdemos nosso irmão Cabo Sodré, numa ação equivocada que culminou em sua execução;  em tempos e espaços diferentes, eu e a Prefeita Iracema enfrentamos de perto a debilitação de nosso pai, de forma serena e consciente fomos vencendo; o dela foi chamado para eternidade ...
Por tudo isso que aqui coloquei omitindo alguns fatos para não tornar-me (mais) repetitiva há quase vinte anos fui filiada ao Partido dos Trabalhadores, aprendi com seu José Martins, Itevaldo, Domingos Dutra, agradeço as diversas experiências adquiridas , defensora de nosso ex Presidente Lula sim, defendi e torci para que nossa ex Presidenta Dilma não fosse cassada, legenda em nível nacional e municipal da qual me comprometi em atuar; defendi, comunguei com ideias, eu as vi virando matéria,   felizmente, assim como um dia me sentir a vontade para ingressar no partido, hoje venho dizer que eu pedir para sair, no entanto,  mantenho acesa em meu coração, minha gratidão aos ex gestores de meu município com quem não tive grandes relações de amizade mas adquiri o respeito de cada um, nesses processos de deveres e direitos , de direitos, quando ouvi certa vez:
foto reprodução
“aqui quem manda sou eu” , hoje eu diria está certo, não me caberia ter razão ! Mantenho vivo o legado de todos os ensinamentos, de todas as consequências de escolhas precipitadas, sair de uma legenda não me tornará uma pessoa mais ou menos preterida, pois em todo tempo tudo é processo, tudo muda! Para mim, perseguir a saúde, poder ir e vir sem a assombração dessa pandemia, e daqui a um mês completar meus cinquenta,  procurar no campo de minha atuação ser mais humilde. Essência de amizades, de gratidão, de reconhecimento de méritos deixo aqui em nome de meus companheiros Clemilton Barros, Professor Raimundo, Paulo Costa, Wilson Souza, Iran Avellar, Mazinho,  Julia Almeida, Anita Batista, Vereador Edinilson Moura,  afinal, comungando  da crônica do escritor José Sanches “ nenhuma conquista é mérito isolado de seu próprio dono...”  Aos demais companheiros sintetizo meus agradecimentos em nome de Iracema Vale Prefeita de nosso município, a quem reconheço e enalteço os trabalhos através de nossa pasta ...”   Por enquanto eu canto “ um dia a gente chega no outro vai embora” e posso dizer que meu partido agora é uma razão, um coração, uma saudação! Noutras voltas,  quem sabe ... obrigada a todos pelas conquistas conjuntas, o Partido continua sendo importante para nosso município deixá-lo agora tem um preço afetivo... contudo, bençãos divinas me fazem trilhar outros  percursos com os pés no chão...a todos meu respeito, minha gratidão, minhas saudações !






Tempo de oração, de gratidão





Foto reprodução
Era o ano de 2020, carnaval, festa e tal, todos comemoram as alegrias , brindam , cantam, ninguém quis saber dos noticiários ..  Até que Março chegou trazendo a avalanche de informações e a triste notícia de que um vírus se espalhara pelo mundo ... De repente, não havia mais tempo de fechar as portas, então o vírus adentrou as casas, sem escolher nomes endereço ou situação. Ele não pediu licença, não ouviu os apelos, fosse de um ou de uma multidão!  Avassalador, impiedoso e cruel, com os fortes bate de frente e os mais fracos lhe serve o fel, o amargo gosto da impotência e da vulnerabilidade diante do inimigo invisível, que de repente entra num corpo qualquer e faz do medo um rosto conhecido. Eu nunca havia, em meus 33 anos, ouvido um grito silencioso tão aterrorizante! Clamar tão alto como no interior das residências que tiveram seus entes queridos arrancados sem dó, sem piedade, sem velório, sem dignidade... por lá? Lá não teve despedida, só a dor da partida que teve, o silêncio implorava de volta o que foi tirado, o silêncio gritava e gritava insistentemente... mas a pressa estava ali! Agora, outro lar invadido, outro irmão espera uma vaga/vala...um adeus que não houve tempo de dar.
  Não deu tempo de fechar as portas, “ porque nada é em nosso tempo”  mas e o coração deu tempo abrir? Houve tempo para a gratidão?  Para tempos de horror a empatia e a fé hão de servir!  Para o momento: portas fechadas cidades vazias, mãos estendidas,  mais  corações  abertos e joelhos no chão... orar é um bem necessário... ah, quão lindo é poder da oração! Da gratidão, da oração e ambas de mãos dadas darão vida a nova humanidade !
Sairemos dessa!
                                                    Professora Ilma Cristiny

De Domingo a Domingo: das lutas ao LUTO


"Há muito mais coisas entre o céu e a terra do que pode imaginar nossa vã filosofia”, pensador esta muito certo , porque não cabe a nós humanos, controlarmos nada, definir sobre o que pode ou não acontecer, nunca coube! Aqui no Estado do Maranhão, o governo tem seguido as orientações da OMS  desde meados de Março, decretou isolamento social, estabeleceu critérios para o funcionamento de comercio local, abre diálogo, determina , enfim...  e a pandemia tem “enfurecido “  o mundo , os dias por mais diferentes que sejam se parecem iguais: nas manhãs, nas expectativas , nas sensações de deveres e obrigações !  E sobre nossos direitos quase não temos falado. Era isso que Colasanti nos disse “ a gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora, se acostuma mas não deveria...”  Com quais  compromissos poso conviver hoje se não de meu próprio lar? Como tenho enxergado aos que não tem para aonde irem? Em cada amanhecer ao abrimos os olhos, um novo Domingo! Um novo amanhecer! Outro Domingo!  Os dias são de lutas, agora intrínsecas: nossas fobias, nossas limitações; desequilíbrios, solidariedades, sem as preocupações dos trabalhos convencionais, exceto para os que cumprem a quarentena com trabalhos remotos ou estão nas linhas de frente, nos serviços essenciais! Pelos canais de comunicação, tem sido cada vez mais assombrador quando se falam de números de infectados com  o vírus letal.
E a vida segue, assim dizem alguns companheiros, perdemos uns aqui, outros ali, quer seja desse “novo mal”, quer seja de outros, inclusive tão graves quanto,  que já tem levado tanta gente nossa, e   a gente “devia se acostumar” mas não há como ! Ninguém se acostuma! Ninguém quer perder um ente querido! Há chavões que se repetem nas literaturas “enquanto uma pessoa chora, outra ri, é a lei do mundo, a perfeição universal”, e nosso Domingo , dia 26 de Abril foi um desses dias de tristeza, partia para o plano celestial nossa irmã, nossa amiga Laura Alice, antes de ser a mãe do Dr. Christian Guzman, foi mulher de fibra, determinada, atemporal; não se deixou levar pelo preconceito;  conquistou o respeito e amizade de centenas de pessoas, sem pressa! Eu ainda nem era adolescente, conheci Laura através de minha mãe, ela era uma das mais jovens daquela primeira turma de ginasial...Sobre os filhos, dizia : “quero que cresçam, conquistem seus próprios espaços e tomem conta de suas vidas, fiz o que pude”  ! Desde março de 2014 quando seus exames acusaram  a gravidade do problema, convivia com gratidão cada dia,  de suas saídas do Hospital para os passeios;  trocava os dias de dores por mais sorrisos no rosto, não se abalou por inteiro; embalou-se ao som de suas músicas preferidas, dos ritmos que seus filhos adotavam, visitou em 2017 o Santuário de Aparecida , entoava o Hino como os demais  romeiros “ é de sonho e de pó, o destino de um só”! Mas Laura Alice em presença física nunca esteve só,  Liv de Lara, Assistente Social, boa filha viveu de perto toda luta, reforçaram os cuidados e nosso amigo Christian, médico e bem conceituado filho sempre presente “ dei em vida os presentes mais preciosos para minha linda mãe, mais conforto, muitas alegrias, porque somos de origem pobre e tive a chance de formar-me em Medicina; netos lindos e amorosos”, acrescenta “ minha mãe merecia porque foi guerreira em toda sua trajetória de vida” 
Varias homenagens ganharam as redes sociais, através de bonitas fotos, de mensagens, de hinos , de aplausos, apenas a Allian que graças aos esforços da mãe e dos irmãos também faz Medicina fora do país , não veio despedir-se;  mas o abatimento natural deve ser brevemente preenchido pelo orgulho que tem uns dos outros ! Dr. Christian, Dra. Liv de Lara. Dra. Alian  , essa é a verdadeira graça da presença de vida da Laura, nada há de mais empolgante, de orgulhoso do que isso ! Sua visita a Urbano Santos deu-se pela última vez em vida dia 08 de Março e pouca gente soube, mas deve ter ido com aquele sentimento que sempre teve enquanto guerreava contra a doença “aqui esteve uma Mulher forte, guerreira, abençoada,” reverenciar esse dia com as doses de esperança, de oração! Na missa, à tarde, agora apresentada nas redes sociais, todos rezavam por sua alma, por sua família e o refrão entoou “ Fica conosco Senhor é tarde e a noite já vem, fica conosco Senhor, somos teus seguidores também!
Não houve tempo para despedidas mais sólidas, não haveria tempo para dizer adeus, por aqui Liv de Lara não saía de perto e como nosso querido Christian, não é nosso, é cidadão do mundo, correu de onde estava, viajou quilômetros,  para segurar a mão de sua mãe e dar-lhe o último adeus...Na madrugada, nos avisou “ minha linda mamãe partiu, sinto dizer”! E embalados pelo anacronismo atual,  seu cortejo seguiu para o interior sem os “adeuses”, sem a visibilidade, sem a homenagem merecida, sem os cantarolar, mas todos os corações da cidade, ouviram “ o soluçar de dor " de seus filhos queridos, de seus familiares , de seus amigos, Laura cantou a paz, cantou a alegria, e os choros eram de saudades, e de bonitas lembranças, e minha transgressão , nesse dia foi ir pra cozinha, fazer pratos especiais, com pouco sal, e ouvi de minhas irmãs, outra vez a mesma observação... transgredir agora para mim, é dizer que a graça da vida estão nessa dores diárias, no suor do rosto, nas lágrimas que escorrem, nas restrições, nas gratidões; “ a gente somos essa soma”.  Toda graça nos é dada em cada caminhar; são sete dias de sua partida , enquanto isso, seus netinhos mesmo  perguntando  por você em suas inocências, brincam e alegram-se para dar novos risos aos seus filhos, aqueles que foram seus pais, na enfermidade! ! “ Os oios se enche d’agua que até a vista se atrapaia”. Em sua despedida, o adeus dos bons filhos, da boa mãe, dos cuidadosos irmãos , no Bom Jesus de sua infância, de sua origem ! Por aqui, extraio essas poucas partes, com participação de seus filhos, para dizer-te que foste rica de muito... e tua herança ficou bem distribuída! Com afeto, nesse Sétimo dia !

Das Águas mansas do Rio Mocambo às inquietações dos “Ribeirinhas “




Até outro dia mesmo, pelas leituras que fazemos, todas as coisas estavam em conformidade, tudo nos “eixos” ou estariam para confundir os leitores “fervendo aos noventa graus, tal qual um ângulo reto, segundo anedota contada por Ariano Suassuna ? Remontar esse texto, inclusive para mim mesma, mais parece uma sequencia, um conteúdo linear que prefiro concluir;  porém começo de outro ponto, sob outro aspecto, noutro tempo e local! Para mim, as definições de ali e de aqui , convergem! Só quem nos acompanha de perto, sabe por onde estou... Há uma leitura que fiz de Lya Luft  “ O tempo é um rio que corre” nele a autora traça as mais distintas relações, traz consigo uma suscitação de para “onde encaminhamos nossas vidas e tantos “afazeres e obrigações” que é comum ouvirmos ou dizermos: Me faltou tempo! Se eu tivesse tempo! No meu tempo! Foi-se o tempo! Já era tempo! E sobre essa última expressão tenho pensado um pouco.Há sete dias fiz minha penúltima postagem
Nossas mãos
Em se tratando de tempo, dos rios e das águas, nosso poeta José Antonio Bastos, publicou logo após a pequena enchente que houve nas nascentes de nosso rio em seu poema “ O rio Mocambo de memorias e esperanças / o mesmo Rio que ultrapassa as páginas da história e do tempo”! Daqui de onde escrevo, trazendo a cronologia, nem tudo são poesias: houve um tempo em que tínhamos nosso próprio rio no fundo de nosso quintal; ao lado do nosso; o rio de dona Biluca,(com uma canoa ancorada) mais adiante o rio de dona  Minuca; outros tantos rios com donos e denominações... e quando nos deparamos com os rios ocupando seus espaços, assustados , tentamos comprar brigas com ele ! Mas quantos de nós temos as lembranças saudáveis dos banhos demorados em nossos  rios? E se hoje , me ligo nas noticias , calendários e agendas tudo isso é atemporal, o que há são minhas memorias , minhas histórias e reinvenções! Para mim, tanta coisa que parece que foi ontem, ficou muito tempo para trás: do triste fato da noticia do assassinato de nosso irmão cabo Sodré que já completará dez anos;  da feliz aprovação de meu filho no concurso do INSS , há oito anos; das doses contadas de desafios e possibilidades na est(r)ada na função que estou e se  confundem com a recaída de nosso pai, há sete anos; as viagens que tive oportunidade de fazer com meu filho, com sobrinhos, com minha nora, com minha neta, com meus amigos, todas, todas  muito especiais; da publicação de meu segundo livro que já completa cinco anos; do casamento de meu querido filho, do nascimento de minha adorável neta  Maitê, já olho bem ali na frente fazendo dois anos; do nascimento de nosso pequeno Theo que breve, muito breve fará um ano;  outras tantas  memorias e as contextualizações de fatos que não caberia nessa página!  E o tempo não parou, aliás “ o tempo não para”, não dar trégua, continua sendo o rio que corre !
Estamos nos reinventando porque os tempos exigem de nós, respondemos quando somos perguntados sobre qualquer assunto, vivemos tempos sombrios, respondem outros quando perguntamos como estão; nas páginas vimos algumas alternativas sendo apresentadas, por aqui, através dos status, dos canais de Youtube, nos Facebook, nos Instagran ! Para qual tempo esse vírus invisível nos encaminhou?  Por coincidência ou providencia recebi esse Salmos hoje:  do  SENHOR é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam. Porque ele a fundou sobre os mares, e a firmou sobre os rios. Quem subirá ao monte do Senhor, ou quem estará no seu lugar santo?  E  nessa nossa reinvenção, mesmo quando usamos as passagens bíblicas , temos tido surtos de sofisticação, disse-me uma amiga! Temos visto as nossas imposições através de nosso cargos e  posições; temos assistido  às arbitrariedades, as contravenções, os desapontar,  as idolatrias, as conspirações, entre outros dissabores,o inflar dos egos,  no entanto,  a mim caberia repetir Papa Francisco “ QUEM SOU EU PARA JULGAR? Porque caberá nesse espaço, dizer que há sinais de solidariedades, e não são poucas.
Rio Mocambo: foto cedida
Volto para algumas releituras para não perder os costumes, no início da década de oitenta, fomos surpreendidos com as águas do Mocambo invadindo as ruas, deixando muitos  desabrigados, algumas famílias da Rua Monsenhor Gentil abrigaram-se na escola Chagas Araújo, bem aqui perto de nós,  em nossa imaturidade de adolescentes, parecia tão normal e natural, não senti a inquietação que sinto agora; há um medo estranho que nos ronda , estamos sendo vigiados por onde formos , sem ao menos saber por quem, nossas vidas , embora protegidas de máscaras permanecem numa linha tênue! Há máscaras caindo, outras que não cabem nos rostos; há outras que sobram; embora metáfora, a confiança no outro não é mais a mesma, o inimigo invisível anda de mãos dadas conosco! E quem somos nós? Além de nosso nome, de nosso sobrenome, de nosso CPF, quem somos nós? Perguntei-me por aqui, por essas horas enquanto digitava... Enquanto isso “um velho cruza a soleira” ,em duas rodas,  de olhos vivos, sem poder fazer seus rastros, (porque já deixou milhões), amparado por quatro mãos; aqui ele não é invisível , tal qual a canção é indivisível! E nosso nome é gratidão! Nosso velho, é nosso pai, nosso bisa, nosso avô! Meu ringo, meu ringo... saio da palavra certa , porque esse apelido... Está nas mãos certas!  Limpemos as mãos e os corações; essa minha inscrição, vem daqui de uma fonte em  que as águas são profundas!




Ajudas a disseminar esperanças!?




Cedida Pela Paróquia
Naquele tempo não é o meu tempo...li recentemente numa crônica de Adelia Prado que “ a memoria é contraria ao tempo, ela traz de volta aquilo que realmente importa”; em tempos de pandemia, puxei conversas dia desses com minhas irmãs , lá em casa , das lembranças da casa de nossos avós lá  no interior; lembrei também de que na minha primeira infância morávamos à Rua Monsenhor Gentil  (que era de meus avós) e houve uma briga , nas vizinhanças, envolvendo balas , e papai pediu que todos nós ficássemos debaixo da cama até que tudo se acalmasse (éramos quatro) ! Dentro de mim, por esses momentos, ainda guardo a sonoridade de sua voz: Há cuidados, há proteção! Se hoje abrirmos as páginas sociais uns dos outros, em boa parte delas teremos a mensagem do Pai : “Meu povo vão para suas casas e tranquem as portas; escondam-se...” ´Ecoar essas vozes agora  que há tempos vem sendo dito para nós: há os mais diferentes sinais! Quem teve o devido tempo para ouvir as inúmeras recomendações que nos foram enviados ?
crédito Naryelle
Quando de quinta para sexta-feira, arquitetei esse projeto de escrita, havia pensado em falar dos judas que existem em nós, porém em tempos insurgentes , e dada nossa ansiedade atropelada pelas mídias com cargas de informações, pendurei essa escrita para um momento de vitória ! Quero deixar na memoria algo mais produtivo, de meu convívio, de minhas leituras, e de minhas reflexões! Quando em Março publiquei És pin! Em mim, em nós: dem(i)ais tive naquela momento a sensação de uma desordem enorme no mundo inteiro de que tão pouco ou nada sobraria para contarmos historias , estava meio desanimada, coisa de momento para aquele escrita, pensei! Depois , ouvi , vê ou ouvir dizer de que o Papa Francisco rezou sozinho na Praça São Pedro para milhões de pessoas, que estendeu sua bênção, seu perdão, auscultei mais de perto para poder dizer: sim , nos preparemos para um novo mundo ; de que os mais diferentes líderes religiosos clamaram entre seus fiéis de que era momento de muita oração pela cura do mundo, fieis se prostraram para clamar a misericórdia, algo está fora da normalidade , tenho lido sobre isso! Li, vi e acompanhei varias cenas no mundo inteiro! Orações pedindo pela contenção do vírus; outras tantas pedindo saúde e proteção a todos aqueles que diretamente estão na linha de frente atendendo aos pacientes, orações pelos mais vulneráveis, orações por nossas autoridades para o verdadeiro equilíbrio e serenidade! O mundo inteiro (parece) que parou para agradecer! Agradecer porque todos voltamos a ser dos mesmos tamanhos, a ter a mesma importância! Agradecer porque compreendemos agora que a onipotência não nos pertence! Agradecer por sermos exatamente do tamanho que somos! Agradecer porque tantas vezes nos foi dada a chance de olhar para dentro ou olhar para os lados, mas nos faltava tempo! Agradecer para admitir nossa (i)mortalidade; ninguém está imune! E esse é o meu tempo, nosso tempo! Tempo de ouvir com sensatez para disseminar a esperança! Tempo de filtrar toda informação! Tempo de se reinventar!   Que a mídia e o vírus se espalhem se for da natureza delas, mas que entre nós haja tempo de reflexão e compaixão; que a histeria e o medo acenem para nós, no entanto que eles nos encontrem vestidos de nossa fé!Não deixemos o ódio nos contaminar!  Não nos assustemos mais; há(via) tanta coisa fora da normalidade e nem por isso manifestamos  pânico ! Se não souber bem  o que fazer porque sucumbiram todos os seus afazeres , as suas posições sociais: leia um livro, cante, dance, invente, escreva, demonstre solidariedade só não se desespere, esse deve ser o último imperativo
 Não inventei tudo isso que escrevi antes para dizer que eu mesma negligenciei a quarentena para passar uns dois dias aqui perto de minha neta Maitê, se eu contar os detalhes de minha vinda para Urbano Santos após vinte dias em São Luis onde vivem meus pais, debaixo de todos os cuidados, sou instigada a repetir as mesmas coisas... em nossa casa há sete anos , nosso respirador são nossas mãos, um nebulizador portátil , muito cuidado e atenção ! Enquanto isso ouço os depoimentos positivos, os números são bem menores, as redes sociais não sabem, a mídia nacional não tem interesse em publicar em “garrafais “ que está havendo pessoas que saem curadas “porque preferem vender as mazelas humanas “ poucas vezes temos visto exemplos do achatamento da curva apresentados por elas quer seja através da empatia , da generosidade quer seja por algum medicamento paliativo! É tempo de Pascoa, de renascimento, de ressurreição, se não entendermos que é preciso oferecer o que houver de melhor dentro de nós, de que fomos chamados a celebrar de outros modos, e se imbricados das velhas práticas  para satisfação de nosso ego, não adiantará clamar por um novo mundo, para que renasçam novos homens  após pandemia ! Que eu comece o exercício, porque a missão sempre fora maior do que a convenção! Tenho compreendido, sobremaneira nesses sete anos, na doce vida de cuidados com meu pai, que nossa purificação é alcançada mediante nossa fé, estivemos perguntando a ele sobre tudo isso que esta ocorrendo no mundo, já nos disse que não seremos atingidos: estamos dentro de casa, dessa vez sobre a cama, embaixo da proteção do Pai!
Crédito Naryelle
Enquanto isso, aguardando aqui na porta, a procissão passar , fico com o diálogo que Maitê provocou com o pequeno Pedro, ao modo dela, dizendo o motivo da cruz ali na porta , a gente já vem de outras cargas de emoção, fora a parte o medo (imposto pelas más noticias) quando de longe ouve o refrão do hino   Prova de amor maior não há, maior não há que doar a vida pelo irmão...a sensibilidade não vem só, em seguida a imagem do Cristo morto para que nos transformemos verdadeiramente , porque foi por nós, por todos nós que Ele deu a vida ! Em minha memoria, um tempo que não volta, (há dez anos nosso irmão fora chamado por nós) mas um presente que pode ser refeito; e a procissão seguiu por varias ruas da cidade, os Padres pararam defronte o Hospital para conclamar bênçãos dos céus aos pacientes, aos cuidadores, aos munícipes , às autoridades ! Uma lembrança que marcará por longos tempos essa geração! Por aqui diante dessa pandemia, nem devia ter a distinção entre quem prega o Evangelho de uma forma ou de outra, todos, sem nenhuma exceção, porque creem  entoam a mesma canção  “ Porque Ele vive, eu posso crer no amanhã, porque Ele vive temor não há. Mas eu bem sei que o meu futuro está nas mãos de meu Jesus que vivo está”. Estamos tendo mais uma chance, penso assim, e que essa disputa entre as mídias, as vocações religiosas e os poderes não sejam um  infortúnio para todos nós ! É tempo de desapegar, e o epílogo precisa ser a nova versão do ser humano. E até que a empatia contamine a todos, fiquemos em casa e “com a beleza das respostas das crianças, é bonita, é a vida ”! E o sentido da vida está nessa reinvenção, me perdoem se sou repetitiva... por novas Páscoas em que desapareça o Judas e permaneça: “ajudas”, a solidariedade, a esperança, o afeto! Criemos coragem e compartilhemos nosso Ovo da Páscoa com aqueles que não assimilam  o sentido dessa convenção!  Compondo laços com as escrituras e com a vida para que a Páscoa seja todo dia!





És pin! Em mim, em nós: dem(i)ais


A despeito de qualquer outro fato, há exato sete meses não escrevo nenhuma linha para meu blog, fui adiando, adotando os “status” os “stories” e quando me dei conta não sentia vontade de sentar-me à mesa para escrever praticamente sobre nada ! Há sete meses! Há nesse ínterim sete anos que estamos nesse revezamento sadio com os cuidados com meu pai ! Há “outros sete“ embutidos e imbuídos de outras histórias, não serão parte .. Nas passagens bíblicas, sete, representa a plenitude, a promessa! Tranquei-me para tratar de outro assunto, de nossas vulnerabilidades, de nosso egocentrismo, de nossa disputa por poder, de nosso empenho em sermos ou termos mais; digo, nossas, porque de um modo ou outro, em meio a tudo isso não devemos apontar apenas para o lado do outro.
No tocante à vida, inicio de Março (para nós) o orquestrador do universo acrescenta no volume das chuvas, às boas águas de Março, a vinda de um vírus desaguando por aqui, de outros continentes, e veio sorrateiro, invisível, tornou-se o primeiro inimigo do homem! Estava eu, organizada para viajar, não havia me ligado muito nos noticiários, achei no primeiro momento que não seria demais manter o planejado! Fomos! Depois quem somos nós para julgar!? Não nos adiantaria no processo da cura, apontar culpados, não é?  Em 2016 já éramos convidados através da Campanha da Fraternidade a cuidar da “Casa Comum” que desde sempre é responsabilidade nossa; e começamos a achar assombroso que o vírus nos aponte para um novo tempo; tempo de união e de distanciamento; tempo de reflexão e de ações imediatas; tempo de se encontrar nos nossos próprios lares, tempo de prolongar os diálogos e conversas nos grupos virtuais , tempo de ser sem necessariamente aparecer, tempo de rever algo que já era previsto . Ponderar respostas; e filtrar informações  ! Em mim tempo de emoção! Como escreveu alguém em sua página  “ há momentos em que eu preferia não esta na historia” ! Posso pensar agora na literatura, principalmente bíblica,  na historia , na matemática, nisso ou naquilo, meu filho mesmo quando nos explicou sobre a evolução do vírus, nos falava em “progressão aritmética e progressão geométrica”, e a gente não precisa detalhar conceitos, e qualquer que seja a dimensão de minha história, penso com equilíbrio, com sensatez, e acima de tudo apego-me a minha fé ! Do ponto de vista da estética, dos olhos de quem ama, temos contatos frequentes com pelo menos quatro: nossa mãe, primeira e melhor cuidadora de nosso pai; nosso pai, seu José, homem forte, vindo de uma avalanche de pneumonia, paradas respiratórias, perto de seus oitenta e sete anos; Maitê minha querida e amada neta que ainda não completou dois anos e nem sabe do que se trata; e de nosso sobrinho neto Theo, com apenas oito meses, a todos eles, queremos muita saúde e proteção e faremos o que estiver ao nosso alcance para protegê-los; em mim, não cabem mais medições, lido com a emoção , porém, procuro ser sensata em meus pronunciamentos ! Tudo é providencial! Não dependemos de opiniões rasas, tão pouco pretendemos espalhar o pânico, aqui a dimensão está em algo intocável, invisível e irrevogável ! Há quantos anos Raul Seixas escreveu que houve um dia em que a terra parou ?  Foi em um dia comum, desses contados pela cronologia,  foi um dia “como se fosse combinado em todo planeta , naquele dia, ninguém saiu de casa”! Chegou esse dia para nós: pais , mães, filhos,  irmãos, tios, sobrinhos, autoridades, professores, alunos, pastores, sacerdotes, artistas, ambulantes , todos foram convidados a ficarem em suas casas ! Por que essa convenção ?
No cenário mundial, quantas historias já atravessaram gerações antes das nossas?  Da convenção, há escolhidos e capacitados: médicos, enfermeiros, farmacêuticos , bioquímicos,  soldados, biólogos, guardas municipais, auxiliares de limpeza, vigilantes , técnicos de enfermagem , biomédicos, feirantes,  bancário,  gari,  faxineiro,  frentista,  ambulantes, caminhoneiros, trabalhadores informais, motoristas etc, etc ; e antes delas, nossos gestores, líderes escolhidos por nós,  que se manifestam , tentando encontrar uma saída menos dolorosa para seu povo, e principalmente,  entre aqueles que não tiveram como parar  ! Há corredores cheios em todos os lugares, há outros vazios, há vidas latentes por perto de nós; há sobreviventes,  no entanto parece que nunca nos importávamos com as pessoas, até que o vírus tenha surgido! Somos invisíveis ,  muitas pessoas eram invisíveis para nós; a pandemia, via de regra, nos apresentou isso, infelizmente: a insensibilidade ! Li os mais distintos exemplos, daqueles que nossos colegas mais próximos divulgam às diferentes conjeturas, cartas abertas, documentos oficiais de estado para definir providencias e prioridades, e nosso município não está por fora! Não nos omitimos, temos tomado os cuidados necessários! Dessa vez, não estamos com medo de nosso próximo , mas com medo de que nosso próximo seja o transmissor do vírus, e a cadeia não pare... e cada vez mais nosso pavor aumenta, de que sejamos o próximo .
Por último, não menos importante, ilustro com os filmes Epidemia, em que um vírus mortal foi levado de forma clandestina para outro país , mas quando o cientista encontra forma de ajudar a população é afastado do caso; e o  Ensaio sobre a cegueira , sobre ele, os críticos acrescentam “ não é apenas uma história, mas uma reflexão daquilo que realmente somos” e sobre esse modelo de homem que vive no agora , das coisas imediatas , dizem “ é o desmoronamento moral, traduzindo a confusão dos conceitos em um tempo em que todas as informações tem o mesmo peso” ! Assistir aos filmes é uma sensação, conviver com a carga emocional do que ditam as redes, as mídias, o sistema, as organizações, não dar para explicar em meia dúzia de palavras ! Para ser sincera, eu me encarrego de criar minhas próprias dúvidas, não responsabilizo outrem, trato de cuidar e curar meus medos, afastando de mim, essas possibilidades apresentadas, não pretendo acreditar nem duvidar de nosso Presidente,   quero ser parte dos que “achatam a curva” ! A gente nunca sabe o que a história contará depois de nós...Deixemos nossas ideologias de lado, nossas crenças, nossas opções, nossas melhores escolhas e cuidemos uns dos outros, coloquemos nossos corações em eterna oração e sobre essa linha tênue,  curva tão perigosa  “ a gente ensaiou aqui nesses dois dias, com a saída da cânula de papai”! Estamos todos, praticamente todos tão assustados com tudo isso, embora alguns de nós já vivêssemos uma grande guerra, só agora nos demos conta da ausência de paz!  E o que tem acontecido com nossa fé? Grata por mais esse ensaio, por todo aprendizado, pela chance de depois de tudo isso , tornar-me melhor; porque eu creio num novo amanhã; porém, custa-me muito dizer “ Eis-me aqui Senhor”!





De meu quintal : um 13 maior que o mundo


Ouço as palavras , ouso nalgumas ,  uso-as como parte do papel para compor a outra parte de meu silencio , recorri a  Manoel de Barros para falar de minhas crendices e narrar mais uma experiência  e antes de qualquer manifestação contrária houve um tempo em que eu acreditava nessa onda de “treze número do azar, do medo ou  da superstição, numero da derrota ” , ficou para trás , embora seja familiar  para quase todos nós o que dizem as teses na teologia cristã“o treze representa o número de discípulos presentes na última ceia, faz ainda  uma referencia ao que chegou por último e  traiu nosso Mestre ! Pensemos nas somas dos números como resultados positivos; pensemos nos números sem que a eles tenhamos de associar nossas ilusões...
Pois bem seria exaustivo falar de outros antecedentes ou analogias por quais passei relacionadas ao treze, de testemunhos, depoimentos, prefiro pois falar das positividades , das conquistas, das melhorias e quando alguém pergunta sobre qual meu número da sorte, digo-lhe que número 13, para não ser apenas vitrine , por muito pouco ano passado quando saímos do  Maranhão para conhecer as águas lindas do Velho Chico, não era um  dia treze;  contudo, para quem tem fé não há essa de ter mais ou menos sorte, se  é dia de lua cheia, se o gato é preto, ou a escada esta virada ... a gente segue! Em 2018 quando fui motivada a conhecer os Cânios do Xingó, atravessando todos os estados nordestinos para chegar ao Sergipe , meu irmão que mora em Porto Velho estava no Maranhão e tão logo eu chegava , retrucava entre si  “Ir bem ali em Porto Velho me visitar não quer”, fiquei por ali matutando!  Tem razão, o  mundo é tão pequeno , e não vale mais a velha desculpa do medo de avião , há sempre alguém na poltrona ao lado par nos dar a mão ... e assim nesse ano, por incentivo de meus tios  Jesus e Sueli que moram em Brasilia , logo no inicio desse ano começamos a dizer: esse ano vamos visitar Pardal e a família dele, sim iremos , sim podemos ,`se Deus permitir`! E Ele permitiu!Trouxe a lembrança os motivos pelos quais meu irmão viajara para  o estado do Amazonas há trinta e cinco anos , lembrei-me de ter ido com meu pai até a rodoviária para que começasse sua maratona ate chegar a capital , porque havia um percurso de embarcação , trouxe a memória alguns anos que meu  irmão deixara de dar noticias , das saudades, dos desencontros, `viver longe bate uma saudade , pegou malária dezenas de vezes, engrossou os couros, sofreu grave  acidente,  rotinas bem diferentes e pouco mais rígidas tivemos naquele inicio da década de oitenta! Meus pais acreditavam que saindo de nossa terra ` indo para uma Capital maior era sinal de “conseguir um emprego, uma perspectiva de vida melhor “, essa era uma das justificativas e  a capital que meu irmão morava foi ficando cada vez mais longe, mas desafiador.... Nesses anos todos de longas e duras experiências  alguma coisa foi sendo transformada dentro de nós, e porque a vida por si só se justifica, nos apegamos às alegrias,  às chances de encontros e reencontros
Por aqui, não prego algo que não tenha vivido, em nossa infância e adolescência tivemos limites, para perder os medos  , para ter grandeza no “ser”; para saber quanto valia um sim ou um não! [...] E assim, me organizei para a viagem e fiz o convite ao meu sobrinho Victor para que diminuísse em mim aquele impacto que é  fazer voos tão longínquos , de tabela , na semana que antecedeu a viagem tive uma crise de gripe seguida de tosse, e fiquei  visivelmente  abatida ... e nossa viagem seria dia 13 de julho  pela manhã, chegamos a Brasília e uma tão boa recepção nos aguardava, desfilamos um pouco pela capital , descansamos, ao final da tarde fomos à  Igreja de São Francisco, à noite nos preparamos para o voo, mais três horas à base do Dramim, com a sensação de que diminuiria  os enjoos e os medos, do alto me pegava às orações para evitar que “aqueles silêncios ” virassem destroços ! Ali não era um turismo comum, era um sonho pessoal nosso : de irmãos e sobrinhos para encontrar-se nas selvas amazônicas  e poder contar como nos disse o Mario: aqui não são só os matos, viu tia ! Sim , entendemos que há sangue de índios, há nosso sangue correndo por aqui e  são especiais para nós !  Ao chegar na capital, começamos a nos dar conta de algumas diferenças, a começar pelo fuso horário; depois ao descer do voo, a noticia congelada de que minha mala não havia embarcado, mas nem de longe me aborreci, ou associei isso ao nosso dia treze, dia de benção, dia de gratidão; fizemos uma viagem tranquila.  Antes de dormir, aquela pequena reunião da noite para um lanche: Juntaram-se a nós, nosso irmão, sua esposa Dora, seus “meninos Mateus, Marcio e Mario”, tudo era novidade e alegria, em tudo faziam uma piada ... dia seguinte fomos conhecer o balneário Cachoerinha; ali o sol nasce bem mais tarde, ainda assim , para todos.
E a nossa rotina naqueles cinco dias de viagem já estava mencionada: era a alegria do encontro, de conhecer novos membros, de vê a beleza do Pierre Gael , neto de nosso irmão, de citar com as frequências o nome da Maitê, minha neta amada ; das menções de nossos pais, sempre com uma citação, um exemplo...no outro dia pegamos a estrada até chegar em Guajará Mirin e  atravessar ”o pequeno Rio Mamoré”  para conhecer a cidade  do pais vizinho, para mim, seria aquela travessia, porém deu tudo certo, desfilamos na avenida daquela cidade, confundindo as vozes de outra cultura, empatamos nosso tempo, olhando uma coisa ou outra, retornarmos para almoçar do lado do Brasil , pondo em dúvidas as culinárias do país vizinho; mas registrei  tudo;   à tarde o percurso de volta mais quatro horas de viagem ate a capital !Ao chegar, repouso para o dia seguinte conhecer um pouco da historia de desbravamento de Marechal Rondon, em seu memorial, diferentes recortes  a respeito de suas viagens, de conquistas, lá a gente conhece sobre a  capela de Santo Antonio que fica com vista para  o Rio Madeira, e a nova  Usina Hidrelétrica do Santo Antonio, e aquele percurso no trem para saber outras narrativas com o maquinista; fizemos os nossos caminhos   e ao chegar ao Mercado Central encontramos uma conterrânea (nordestino a gente encontra em toda parte, firme e forte) ao que ela dizia: o mundo é muito pequeno, sim, pois é ! Quando de volta, chegando em  Brasilia, na mensagem, meu irmão disse: ficou a saudade, uma parte de mim vai sempre está ai com vocês! Sou grata, grata demais a Deus porque há eventos em nossas vidas que são tão instantes, mas tão especiais ; grata aos incentivos e companhias dos tios Jesus e Sueli e da prima Gessiana; grata ao apoio moral e o riso frequente do Victor; grata a toda recepção de carinho de nosso mano , esposa e nossos sobrinhos ... demos até breve a todos , nos despedimos de nosso irmão com aquele nó , de que eu não contaria todas as partes; as fronteiras são muitas e a nós cabe a decisão de acolher, de agradecer...
Essa foi a minha história, ela é impar, podia ter se encerrado dia 13 ou mesmo 31 de Julho, no entanto, sou gente de fé! E a gente se coloca no lugar do outro, daquele  que vive distante dos pais, dos irmãos, de sua terra natal; porém constituiu uma linda família à base dos ensinamentos cristãos , que aprendeu os sentidos dos “sim e dos não” para adquirir maturidade ; a gente perde uma coisa aqui outra ali, e vai aprendendo , e tudo que nossos pais, nos ensinam é para nosso bem...quando cheguei em Brasília já de volta para casa, dei por mim que meu treze foi mais uma vez o número da benção; da aventura consciente e necessária; trouxe comigo um pedacinho de cada , com a  sensação de saudade, de esperança , e que nesse mundo tão pequeno cabe a cada um de nós ousar e voar quando perceber a necessidade ou ficar em nosso conforto sem vistas a crer noutros encontros  , e quando nossa conterrânea nos disse : esse mundo é tão pequena , mas tão pequeno; pensei “daqui de meu quintal tenho  a chance de avistar o mar” ! Na plaquinha do Memorial Rondon, estava Mario de Andrade : estive aqui,  e em seu livro  O turista aprendiz deve ter feito boas transições ... saibam todos que também estive ; de todas as fronteiras: em encanto, o encontro, a superação e o meu coração com um TREZE que é minha oração de vitória! Instigo em todos a condição de compreender que minhas ideias fora do lugar dão sempre feição ao agradecer!



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