Cinquenta (s) Travessia: entre o céu, as areias e a maresia!



abençoe nossa cidade
Eu ainda pensei em escrever algumas linhas para homenagear minha querida cidade, no dia dez,  no entanto, envolvida demais com as emoções da última escrita de  “Santo Anjo Miguel...”, consumida pela sensibilidade de mensagens de agradecimento ,  deixei  passar em branco.  Mas acompanhei todas as festividades, digo, grande parte; logo na manhã do dia nove , a celebração da Missa pelo nosso Pároco Padre André, momento de gratidão, de ouvir as palavras de nossa Prefeita Iracema Vale, das preces  e passagens bíblicas que evocavam o momento e para todos nós, dia de gratidão! Aproveitei que nos foi dado espaço e também manifestei meus sentimentos, minha alegria em comemorar naquela manhã, os 87 anos de nossa querida cidade.  E agora percebo, me pareceu salutar que eu não houvesse escrito nada dia 10, naquele dia fomos acordados com os foguetes simbólicos para a aniversariante e outros pela passagem de um ano das Santas Missões Populares e aqui em nossa Praça perto de casa, nos preparamos a partir das cinco da matina com um café para os que vinham em oração. Fomos úteis  em mais esse dia! Era dia de plantios, de colheitas, de exemplo de comprometimento com a comunidade, com nosso município e entre os momentos mais emocionantes daquele dia, posso destacar a entrega do “Santuário” Sagrado Coração de Jesus, pela bonita receptividade e tão calorosa homenagem. Nossas mãos, nossos artistas, filhos e filhas queridos dessa tão boa terra concluíram a bela arte exposta e estavam ali, para receberem o presente.
Para mim, mês de Junho é sempre mês de festa, embora eu não tenha aprendido a dançar, (canto) os refrãos necessários e pude dizer : “eu sou a juventude que canta, que encanta ,que marcha unida, que se levanta e faz de mãos dadas.. e agora de olho num sonho lindo que espera logo ali”. E outras tão queridas pessoas nesse mês também fazem aniversário, a exemplo de nossa Prefeita e de meus queridos irmãos e especialmente minha  irmã, tão prestativa, nosso braço forte do dia a dia nesses quase três anos de condução de vida de nosso pai; parabéns Soraya é para ti que  presto minha homenagem. Nossas vidas tem muito mais sentido porque tens quase sempre te colocado a disposição para “nos substituir” para ser de ferro, de aço e quando , em momentos precisos, de flores. É Junho! Mês de ouro, de alegria, mais uma vez cinquenta! O amarelo ouro arquiteta os passos à frente. Ainda que em atividades, pedi licença para minha gestora e como ganhei um presente maravilhoso , acompanhei meu querido filho, em seus dias de férias , para uma viagem ao Ceará! Maravilhada com as conversas, as gargalhadas, as brincadeiras, as lembranças boas, as estradas, o GPS  que nunca falhou, tudo encantador! Em nossa ida, na passagem pela Serra de Tianguá, senti uma emoção dupla, de estar ali fazendo a viagem com meu filho, e lembrar de quando nosso pai, dono de um pequeno comércio de tecidos , nas suas idas para as compras, contava-nos sobre o Ceará, ao chegar nos alegrávamos com “os tijolos”, ou rapaduras comprados naquela Serra! Lembrei-me de tantas lições; lições de vida, de amor, de oportunidades, cada uma mais bonita do que a outra! E a minha viagem que apenas começara já surtia efeitos catalisadores. Muito pouco metódica agindo grande parte das vezes pela intuição, dali já dizia: _ Será um grande presente!
Estando lá, nos dias em que ficamos na capital, muitas histórias bacanas, as lembranças dos irmãos, dos sobrinhos sempre abençoados, dos colegas do trabalho, dos amigos, fomos bem ali, para assistir os melhores humoristas do Brasil, encantados com os repentes, com as piadas entre eles mesmos ou ainda com os maranhenses, me fez pensar de o quanto é bom poder passear, conhecer outras cidades, outra cultura, mas igualmente saboroso é voltar à sua terra, ter a convicção de que suas mãos contribuem para o engrandecimento dela, agradecer por saber encontrar discernimento para distintas situações; agradecer pela vida de todos aqueles que optam para que tornemos nosso município cada dia melhor e com mais qualidade nos atendimentos, agradecer e poder repetir nessa nova idade “ que eu seja todos os dias menos interessada e muito mais interessante"!Outras formas de agradecimento pelas agradáveis companhias,minha futura nora Naryelle, minha amiga Laurilene ! Quantas versões de histórias eu escreveria após essa viagem, do ver o por do sol lá em Jeri... voltando pelo litoral, fiz  a piada inocente em querer andar no cavalo marinho, na parada do mangue seco, das dunas com as emoções, na travessia em Camucim com o mar quase agitado, ao final passei em todos os testes, ora ou outra lembrando daquele refrão que quando provocando meu pai entoa: “segura nas mãos de Deus e vai”! Chegamos às vésperas de meu aniversário.. dessa vez, lembrando de quando fomos a Maceió, meu filho dizia: Essa  dá um livro maior
eu vi, lá de Jeri!
Sou da simplicidade, de esquisitas atitudes, é fato! Estava no meio dessa narrativa quando duas amigas minhas (quase meio dia) disseram-me que eu teria que ir ali para comer um pedaço de bolo que elas haviam encomendado, mesma ressabiada fui lá, e para essa parte, embora parecesse de cara feia, não há palavras que eu possa usar para descrever tão bom sentimento que tomou conta de mim, como uma delas definiu depois em sua rede social : “momento único: gesto de carinho e amizade”! O “improviso” segundo ele, feito pelo querido professor Manoel Vieira, logo na primeira estrofe : No trilhar de nossos caminhos, nunca estamos sozinhos; lembro-me de um quase jargão que uso no cotidiano , precisamos de outras mãos para que nossos méritos tenham mais valia.  Felicitações ditas ou sentidas pelas grandes amizades que estavam   presentes no momento! E de pensar: “Quase não vou comer esse bolo nesse horário, eu quero almoçar!” E quando me faltarem as palavras certas, pela fragilidade da passagem, porque sei que sinto muito mais, quero que todos os meus colegas e amigos se sintam como fontes de inspiração para essa minha história. "Tudo no mundo é frágil, tudo passa" , mas momentos iguais a esse se eternizam em nossa memória, porque é um bem que se faz ao outro. Muito obrigada! E se sou especial para Deus , (e todos somos)  nas vezes em que sou perguntada, já tenho a resposta certa: Sou Nilma da Silva Sodré, professora da rede pública, natural de Urbano Santos, melhor lugar do mundo para se viver! Parabéns terra querida! Parabéns para nós nascidos em Junho! Parabéns às mãos que se doam! Obrigada! Muito obrigada por todas e bonitas felicitações! Obrigada aos óculos de Maria... essa é outra história



Santo Anjo Miguel: pela janela... é possivel amar um Leãozinho!




Nem sempre é fácil contar ou distinguir com fidelidade qualquer narrativa sobretudo quando se misturam em nós, o sentimento dos limites “maravilhosos entre poesia, a emoção, a dor, a generosidade” e qualquer um pode dizer ou fazer inferências sobre outrem apenas do ouvir dizer; corre o risco da irresponsabilidade, da infração às leis da liberdade de expressão. Separei aqui, duas vertentes para despertar meus leitores sobre o fato, repetirei os jargões de meus poetas queridos “ andamos tão precisados de amor” que nos espantamos com gestos espontâneos de gentilezas , de doação, de simplicidade; andamos nesse nosso cotidiano “tão precisados de amor” que desconfiamos de pequenas  mãos generosas ...nos espantamos muito mais do que a compulsiva “onda da ostentação”, dos jovens e adultos seduzidos pelas  mídias, aliás, poucos de nós queremos arriscar porque “ há glórias que exigem trabalhos humanos dobrados”  e o que se  deflagra aqui não é a impotência de um ou a exaltação do outro.
O meu recado aqui, é para mim mesma, para minha comunhão com o que me agrada e agrada aos outros. Bastou-me um clicar no mouse e entre os corredores dos prédios por onde circulo, o ouvir a informação sobre o pequeno bebê de nossa cidade, nascido há mais de nove meses com o mal que tem se alastrado pelo Brasil: a microcefalia; nos registros, em dados e estatísticas da Secretaria da Saúde  a triste constatação de que no estado do Maranhão, mais de cem crianças entre o ano de 2015 e inicio desse ano  nasceram com essa anomalia; alguns bebês morreram logo após ao nascimento, outros sob cuidados médicos desafiam e seguem firmes no propósito de viver e serem guerreiros, nasceram, sobrevivem e estreitam ainda mais às maternidades. E para o despertar de fatores ligados à “epidemia” , ao homem é dado todos os dias, a capacidade de contemplar “ o corpo, a alma e o espírito”. Renovada de minha primeira reflexão, por que eu falaria dessa história? Baseada em quais conhecimentos decorrentes da doença eu traria esse fato à tona? Trago minha função materna, e ainda a plena clareza da condição humana, da consciente certeza do poder da oração.  Eu não quis, não posso me antecipar: _ Ele sobreviverá! Essa é a afirmativa da mãe; a insubstituível tarefa de quem recebe as orientações para o primeiro parto; a digna vocação de quem dentro de si, desperta o desejo da espiritualidade: _ Você será meu anjo, Miguel! Imperativo completo, dito, com a complexidade do amor e assim Deus providenciou para que “ele habitasse entre nós”. Para o encorajamento físico, conta com ele e para ele canta a canção tão forte, tão singela “ para desentristecer, Leãozinho, meu coração tão só, basta eu encontrar você no caminho.”  Hoje falando por mim, qualquer pessoa que visite o gigante Miguel, encontrará em seu semblante algo de celestial, como se o milagre divino estivesse eternamente presente em seu olhar,  nas mãos manifestas ou no semblante da mãe.
E “o bem “ nasceu com o contraponto de que apenas um milagre lhe daria mais dias de vida, ficou durante nove meses preso aos aparelhos, às máquinas para suprir suas necessidades básicas, para quem acompanha todos os dias, sabe que há momentos que se eternizam. Escolhi hoje, sobre o que pensar e sobre o que escrever; as palavras sob encomenda não me deixaram dormir direito, “escreva e conte-nos as suas percepções sobre sua visita”... Dia 04 de junho , sábado passado próximo,  em visita ao hospital,  me deparei com a mãe, minha ex-aluna, incentivadora para algumas escritas minhas, dedicada e inteligente, sonhadora Mãe! Eu a encontrei fertilizando os abraços, nos braços de seu pequeno menino, no quarto andar, com o olhar pela janela,  contou-me algumas histórias, percebia nela a sensação de que seu Leãozinho, como o batizou é o elo mais forte para a realização de seus sonhos mais imediatos. Vinte anos! Repetimos juntas! Há três anos , outros sonhos com muito entusiasmo transitavam por entre essa cabeça! Trancar o curso na faculdade, procurar alternativa para o “viver na cidade”, idas, vindas, visitas ao pequenino ali internado na UTI; manifestação necessária para um testemunho de maternidade mais afetiva! “A gente não pode parar nunca de fazer o bem”, pensei comigo mesma! Outras maiores lições com a inserção no grupo de rede social Macroamor, com as visitas e mãos presentes de sua amiga Ariadna; na capacidade de compreender as analogias relatadas por outras guerreiras mães.  Naquele dia, conversamos sobre diferentes assuntos, contei-lhe que há três anos convivemos com as limitações do problema de saúde de nosso pai, que tem sido forte e cristão o bastante por confiar que em tempo receberá alivio para suas dores; naquela noite,  na capital do estado, seria o show de 30 anos de Legião Urbana, o refrão já ecoava através de algumas vozes: “é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã..” dela, o poema de outro modo, uma expressão diferente no rosto,  _ E ele chora? ­_ Sim, ele chora, mas quando percebo , porque a traqueostomia impede de sair o som, vejo as lágrimas, cuidadosamente trago a canção , uso  a minha voz para dizer: Meu anjo, leãozinho Miguel, não vês o quanto eu te amo? O afeto, o foco no tratamento, a consciência dos cuidados durante vinte e quatro horas, a presunção de uma maternidade santa, a real vitória da vida,  o encorajamento... a que mais aquela jovem quase adolescente ainda estaria submetida? E se perguntares a ela porque escolheu esse nome: me parecia óbvio  “meu filho vai ter nome de Santo , de Anjo” . Sorrimos daquela pergunta meio boba! Contou-me ainda sobre mãos que oram e lábios que ajudam, sem alegação ou apontamentos de quem seja menos puro.Girafinha! Leãozinho! Eles se dão tão bem.
     Enquanto eu exercia “meus pequenos poderes” da escrita, anestesiada pelas  leituras de pesquisas  e dores anteriores, outras mães reais lutavam pela sobrevivência de seus pequenos filhos ,algumas mãos generosas prontificam-se e ajudam, e antes mesmo que eu concluísse essa página, dia seis de junho, a pequena Deyse partia para o plano celeste, havia completado onze meses, naquele grupo de fortes mães, uma lacuna havia sido deixada para ocupar lugar no céu. Certifiquei-me pelas trocas de mensagem e dia 13 próximo, na segunda feira, Miguel, aquele que é semelhante a Deus completará dez meses, rezemos por eles! Por fim peço: pule todas as partes dessa leitura, e concentre-se somente naquelas as quais eu tenha citado alguma referencia, descarte minhas “invenções”, entenda melhor sobre esse fato e comprometa-se, já é o suficiente, mas  se preferir, escolhas as linhas  que contem menos emoção, corte as lágrimas, evite a dor  porque eu na minha mais difícil narrativa, sensibilizada pelos sentidos do “ver e ouvir”, elevei minha fé e visualizei aquele pequeno bebê ,com sua girafinha nas mãos(seu brinquedo de estimação)  saindo do hospital Materno Infantil , desafiando a medicina, olhando para os lados e perguntando: _” Meus pais, cadê vocês, eu acordei e só vi duas mãos do lado? Pela janela... é preciso amar... não culpe seus pais... porque haverá amanhã, Santo Anjo Miguel !Na saída, aproveitei para  substituir a nota musical que lhe acompanha e dei-lhe o nome de FÉ, essa é a maior nota!

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