Recursos Digitais para sala de aula



Plinks é uma rede social para promover a interação de crianças, jovens e educadores do Ensino Fundamental. Além de apoiar o ensino da leitura, da escrita e damatemática, o Plinks envolve os professores na cultura digital e estimula a aprendizagem dentro do universo lúdico dos games. A Fundação Telefônica apoia esse projeto desenvolvido pelo Instituto Ayrton Senna com parceria da Joy Street e do Instituto Natura.
Ludz é uma plataforma educacional em forma de game para jogadores do 5º ao 9º ano do Ensino Fundamental. Em 2012, o Ludz começou a ser aplicado, nas disciplinas de Português e Matemática, em quatro escolas da rede estadual de São Paulo, e em 2013, seu uso foi ampliado para escolas das diretorias do Centro e Centro-Oeste. Com o apoio da Fundação Telefônica, Itau BBA e Instituto Alana, 122 escolas já tiveram a oportunidade de potencializar o ensino por meio dessa ferramenta criada pela Tamboro.


COMO VAI VOCÊ?


Jose Antonio Basto



I

Quero-te Senhora para mim
Nessa longa noite sem fim
Que ninguém vai entender
Quero-te agora em meu leito,
Quero-te com teus defeitos!
Como vai você?


II

A lua brilhou para nós
Escutei a tua voz,
Na razão desse sofrer,
Longe de mim no horizonte
Sou mais um louco amante...
Como vai você?


III

Triste fingi alegria...
Escrevendo poesia
No lenço desse querer,
Olhei tua sombra passando
E meu “SER” foi perguntando
Como vai você?


IV

Meu mausoléu não existe,
Quando a alma não consiste
E o fogo acender...
Vamos ver o sol se por
E viver o nosso amor!
Como vai você?


V

Escutei teu lindo canto
E derramei o meu pranto
 - Não fiz por merecer,
Minha viola está chorando
Meu pinho porém reclamando,
Como vai você?


VI

Passa o vento das campinas
Escureceu a neblina...
O que irei fazer!
Soluços da solidão
Estás entre a multidão
Como vai você?



VII

A brisa vem lentamente
Traiçoeira igual serpente,
Não deixe a porta bater...
Quero a lágrima em ramalhete
E junto dela um bilhete
Como vai você?


VIII

Súplicas, sonhos... tristezas!
Essa é minha natureza...
Não posso, não sei conter!
Amor! Vivemos juntos em cartaz,
Minha saudade é demais...
Como vai você?

Se a minha voz, nesse 7 de Setembro...

Nossas mãos; nossa voz


A minha temática hoje bem que podia ser diferente; falaria do “sete de setembro”, de festas de Independência e similares; faria uma homenagem a Nossa Senhora da Natividade, Padroeira de nossa Urbano Santos, e da belíssima festa feita por nossa Paróquia, de momentos de louvor e adoração; contaria sobre os aniversariantes do mês: meus sobrinhos, meu filho querido, meu irmão já falecido. Mas... estou  há mais de um mês sem publicar uma linha desde que falei da internação de meu pai e essa minha resiliência  não representa necessariamente minha falta de fé, no entanto, não pretendo macular meu texto com prescrições diárias de poucas ou nenhuma variação linguística.,
Sempre penso (quando estou escrevendo) que  esse meu gesto traz alguma lição; não reparo muito quanto ao uso de regências e concordâncias, pontuações,  reparo antes a palavra escolhida, o contexto, a ponderação de virtudes, sem os excessos de emoção ou adjetivos desnecessários. Não acrescento verdades, nesse espaço, construo a minha pouca capacidade de escrever. Trago aqui experiências vividas através de falas de meu pai, por exemplo, de ditos e expressões, achei oportuno transcrever essa: “ Meus filhos, quando um irmão teu sente dor de barriga, tu igualmente a sentirá”; temos vivido isso desde a descoberta do Mal de Parkinson, acentuou-se com o assassinato de nosso irmão, mais, com a gravidade da doença de nosso pai. Onde caberá aí a vontade de grandezas e poderes diante dessas fragilidades? Com que paliativo seria possível acalentar tantos irmãos em dor?
Disseram-me certo dia que escrevo tão simples... nesse meu texto pretendo partilhar ainda mais sobre essa impressão; a minha reflexão é da simplicidade. Olho para meu pai, naquele hospital, naquele leito,  confiro-lhe as rugas, outros sinais do tempo e sinto que são bem maiores que o número de sua idade; quantas histórias de ternura, de sabedoria, de encanto, de resistência é possível conter em cada um deles ? Quantas vezes essas mãos hoje trêmulas, outrora, calejadas da labuta acolheram-nos de forma simples e cheias de amor? Em números, quantas noites acordados ficaram nossos pais, construindo projetos para nosso futuro? Por isso, e por muito mais, nossos pais precisam de nós, e ele precisa que provemos nosso plano de amor ao próximo, precisa que personifiquemos nossa humildade cristã, precisa de nós para saciar sua sede e sua fome, precisa que sejamos firmes em nosso propósito de fé e de oração. Sei que isso não purificará minha alma, mas aprendo a edificar melhor minha história de vida, em tempo de fazer reparações  úteis, que nutram ainda mais o meu espírito.
Em meus dias de acompanhante de plantão ( tem sido poucos) quando os profissionais o perguntam sobre o número de filhos, meu pai estende os dedos prontamente até que seja conferido nove, naquele instante, em sua lucidez está a lembrança do décimo filho, que tão precocemente lhe foi tirado, está  seu estado de saúde, sua fragilidade, sua debilitação;  e diante disso, apesar de algumas lágrimas e inquietações o que nos contenta  é o tamanho de sua fé a exemplo do que diz a passagem bíblica : “ E Jesus, vendo este deitado, e sabendo que estava neste estado havia muito tempo, disse-lhe: Queres ficar são?” A resposta de meu pai, para uma pergunta analógica é sempre de otimismo, de positividade. Mesmo assim , com toda essa história, ao fechar meus olhos, penso que ainda não fomos vencidos, a indiferença para a independência não me torna muda;não ergui bandeira de nenhuma cor, cristalizo essas palavras porque hoje essa é minha voz, pois, verbalizá-las me enche de mais esperanças, de mais sensibilidade. Nessa minha tentativa, está a lembrança de que dia onze fará dois meses da internação de meu pai, nesse dia é passagem de aniversário do flamenguista querido. Se a minha voz nesse sete de setembro fosse outra, ouviria outras vozes, com o mesmo olhar, com a mesma admiração, com a mesma simplicidade e a indicação da dose certa para a dor de barriga que tem acamado todos nós.

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