Literatura: do improviso à proliferação

   Pensando bem, estou atrasadíssima... mas a minha homenagem não é pontual, compartilho impressões de ontem, de hoje, daqui e de outros lugares, tentando ser original, refletindo sobre o Dia do Livro e aproveitando para perguntar:  apesar da enorme proliferação do livro, porque tanto atraso e índices negativos em nossa educação? Não critico a nossa falta de encantamento e nem condeno ninguém (porque não se trata de rótulo), no entanto, numa cultura de poucos leitores não se pode falar em identidade ambivalente, provocando o viés existente entre professores e alunos.
       Isso não é para sugerir quaisquer  comparações, trago para retomar, por exemplo, a iniciativa há quase  10(dez) anos do I Fórum de Leitura, iniciativa do Colégio Dr. Magno Bacelar que preocupou-se em acumular informações e tentou construir um modelo de leitor capaz de conectar-se com o mundo, dialogando claramente com aquilo que foi dito e visto,provocando sutilmente o sentimento de que nós precisamos da leitura; aconteceram outros, porém, os argumentos apresentados por quem o organizava não foram suficientes para sustentá-lo ou transformá-lo numa experiencia promissora e mais eficiente. Às vezes trago inspirações frequentes (sem dominar totalmente a língua) desse tempo em que leitores e expectadores tinham poucas mídias ao seu favor,a discussão era justamente superar obstáculos.
      Da mesma forma, em abril de 2011, realizamos um Sarau, no Sindicato de Professores, dando ênfase aos poetas e artistas locais, extraindo explicações, apresentações teatrais, quadros expressivos, leituras e declamações de poemas, cantores de repentes, música popular brasileira,comungando a ideia de que esses itens todos e essas ideias são capazes de apresentarem perspectivas diferentes. Entendo que cada palavra ou cada gesto é sempre propenso à crítica e pode ser interpretado de diferentes maneiras, não me importo, pois os equívocos ou resultados positivos já terão cumprido seus devidos  objetivos  : o da provocação para a leitura.Ah, e quando escrevo, lembro de grandes escritores e construo minha própria indagação quanto ao ato de escrever: será que algum dia essa minha pequena intervenção fará alguma diferença nesse campo totalmente minado de desinteresse? Quem sabe! Quem sabe!
     Por aqui, isoladamente, algumas escolas, em seus próprios espaços apresentaram homenagens ao Dia do Livro,com poucas lembranças de Drummond de Andrade que faria 110 anos,  em 31 de outubro;  sem motivações para lembrar de Luis Gonzaga, o Rei do Baião,  que recebe homenagens do Brasil inteiro pelo seu centenário, inclusive, com lançamento do filme (faria em 13 de dezembro) à exceção do Centro Santa Maria Bertilla, com um Sarau de caráter duplo, em dias diferentes, atendendo às crianças, jovens e adultos, levou a leitura para além dos muros da escola;identificar e sintetizar ainda não é bem o forte de todos, mas a maratona pela pesquisa e pelos arranjos já merecem nossas considerações. Quanto a mim, em minhas salas, não fui capaz sequer de desenvolver um trabalho, confesso minha omissão embora haja um movimento em torno da busca de algumas músicas... aproveitei para exibir dois filmes bem diferentes e bem "atuais", Cidade de Deus, comparando-o com a ambientação do livro "O cortiço"; e O Livro de Cabeceira, filme que trata de uma tradição local e  da obsessão pela poesia, livros e caligrafias antigas.
      Daí, não pretendi ser tão intransigente quanto ao jornalista e escritor Pedro Bandeira que em uma entrevista publicada há um mês no site Café Brasil, diz que  " o Brasileiro não lê porque não sabe", prefiro dizer que ele ainda não reconheceu o poder que há na leitura;  não me antecipei, digo não me atrasei muito. O ENEM chegou, e só agora tive tempo de publicar o texto e prestar mais uma homenagem à Professora Norma Silva, com quem, aprendi a conhecer e ler ainda mais. É perigoso afirmar, porém, acredito que mesmo no improviso  da escrita somos capazes de retirar grandes lições.  

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