Oitenta e quatro anos:alguns sentidos, minha história

Fonte:Iran Avellar




Ao falar sobre minha cidade, quando resolvo homenageá-la, a cada vez trago uma adesão, outros sentidos, um novo olhar, outra história.  Pelo que acompanhamos aos que estão atentos e parafraseando Heraclito nós não somos os mesmos a cada amanhecer; dia após dia somos “obrigados” a pensar de maneira mais otimista, a adotar outras prioridades, solidarizar-se, conviver, tolerar, fazer escolhas, e com a cultura de um povo essa teoria defendida pelo filósofo não podia ser diferente.
 De leve, dou uma breve olhada nalguns textos que escrevi ao longo dos tempos para homenagear Urbano Santos, vejo momento de extrema incredulidade, num round  entre o que temos de bom e o que queremos para nossa cidade; momentos em que minhas palavras soam bastante emotivas ao falar de nossos rios, de nossos descasos e as agressões constantes. Fiz textos em versos, em prosa, usei outros modelos, sempre mantendo minha identidade, de iniciante ou aprendiz; outras nuances não representam alienação ou desapropriação de conhecimento;  para mim, mesmo os que não gostam de minha escrita, vejo como uma maneira inteligente de fazer suas escolhas. Hoje quando escrevo, por exemplo, falo a respeito de minha poesia, de meu comportamento diante dos fatos e das histórias de meu município, é uma opção minha. Afinal, o que ficará de nós nesses anos todos de trajetória se não tivermos uma única vez coragem de posicionar-se diante de um fato? Mesmo não sendo pesquisadora, qual sentido pretendo dar para a minha participação nas comemorações desse aniversário?
Em 2012, aliás, quando escrevi “Urbano  Santos terra prometida...” provoco em nós a necessidade de rediscutirmos as oportunidades; de pensarmos nos desafios sem as frustrações pessoais, de continuarmos sedentos pelos compromissos; de preferirmos os ganhos coletivos; de desejarmos a festa, as inaugurações, mas de escolhermos o modelo de gestão que pretendemos construir; de sabermos  olhar para tecer vidas, para sermos  multiplicadores; de propagar que  o lugar é nosso; de que  o cuidado pela prosperidade depende de nós ! Ninguém dá conta ao mesmo tempo de todas as coisas, a cidade cresce, as mídias são outras, as divisões administrativas e geográficas sofreram alterações. De repente, depois de tantas mãos talentosas, passaram-se oitenta e quatro anos, e nossa cidade não são só dissabores, nos índices, não apenas maus  tratos, descompromissos ,gestos provincianos,  violência urbana, “pão e circo” , somos capazes de fazer parte dessa reconstrução; os tijolos e alicerces tem as nossas marcas; as tecnologias nos levam para tantos lugares. Se olharmos um pouco para trás encontraremos em nossas lembranças, fatos que estão apenas em nossa memória, como se fossem lendas. Outros olhares, outras determinações contribuíram para nossa chegada até aqui. E então: esse pequeno recorte não faz parte da história?
         Logo, depois de ouvir e ver cada uma das homenagens, de louvar  e agradecer na Santa Missa, de cantar ao som do  Coral São João, das bênçãos de Maria, das lembranças de São Pedro entendi com uma mensagem bíblica  Enviarei à tua frente o meu mensageiro; ele preparará o teu caminho”, confio que essa história e todas as relações nela contidas agregam valores para uma melhor  qualidade de vida, para o alavancar da prosperidade econômica,  por uma valoração digna de bens patrimoniais, pelo crescimento agrícola, pela superação de defasagem e distorções sociais, pela adoção de melhores atitudes, pela constituição da alternância de poderes, por outras vozes, nova aquisição de direitos, pelo cumprimento de deveres, pelas projeções acadêmicas, pela massificação da informação,pela democratização de mídias,  pelas revitalizações ... é claro que esses meus sentidos não completam os mínimos desejados por nós,  porque almejamos e merecemos muito mais, “porque ninguém dorme nossos sonhos”. Assim... e para você quantos sentidos e quantas histórias  cabem nesses oitenta e quatro anos da cidade de Urbano Santos ?Parabéns, minha terra querida; essa é minha homenagem.

Um comentário:

Leide Diniz disse...

Terra amada e abençoada, como não ama-la! Tenho orgulho de pertencer a esta terra e de fazer parte dessa historia. Historia essa que não termina em 84 anos, mas que continua e continuará perpetuando por muitos e muitos anos.

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