Nosso doce mês de novembro!!


Essas mãos, nossas mãos!!
Sinto que o meu mês de outubro, trouxe-me o presságio de uma melhor onda de otimismo, de manifestações grandiosas para o meu ego pessoal, de um progresso desejável de elevada autoestima, da renovação e correção de metas. Em nós, renovaram-se os  sentimentos de confiança, de fé e de muito amor (eu disse a uma colega que esse texto falaria de amor). Em nosso calendário, hoje são quatro meses da internação de nosso pai, vemos nele em sua estatura mediana, um gigante de corpo e alma que se assemelha às estruturas de ferro; depois da fatalidade com nosso irmão, nosso pai já enfrentou três cirurgias, esteve todos esses dias entre UTI e leito hospitalar e, mesmo com o corpo flagelado; sempre cheio de ânimo e uma força de vontade invejável. O desarranjo em seu organismo oriundo do Parkinson o fortalece para maiores desafios, o mantem equilibrado para inspirar uma mente capaz de grande avanço, de superação diária.
Nessa história, não faço analogias ao filme “Doce Novembro”, nem o citaria, mas recorro ao termo por uma adequação e para falar de como foi gratificante, em primeiro de novembro, para nós e, sobretudo para nosso pai, a noticia de que receberia alta. Nessa maratona de ir e vir todos os dias ao hospital quando falávamos do quanto era difícil vê-lo debilitado, sempre tivemos um irmão para o encorajamento: E para ele, como acham que tem sido todos esses dias, esses meses, sozinho nesse leito, nessa situação de imobilidade? De fato, raras vezes, o vimos fraquejar, nas horas de visita, quase todas às vezes o semblante era de alegria e excesso de confiança; a natureza de nosso pai, nesses dias de sofrimento físico constituía-se de um tripé inquebrável: força, confiança e fé. Para nós, a demonstração clara do querer e do poder; com ele aprendemos a não ter medos, a não desistir, a não se acomodar; o nosso pai está doente, mas sempre com a percepção de que tem condições suficientes de superar-se a cada dia, de doar-se. Enquanto escrevo, o cotidiano dele ainda se parece com aquele vivido no Hospital, no entanto com  a feliz  diferença de que em casa, a interação familiar, a perspicácia de que seus  dias tornam-se melhores, mais leves , nos reporta para uma resposta é dessa tranquilidade, com a possibilidade de cura que ele está precisando para dias de paz e vida mais longa!
Essa crença nos reanima, faz com que espalhemos que o seu desempenho é resultado das constantes horas de alegria, dos gestos, das vozes altas de netos e filhos, da presença incansável de nossa mãe, de carinho que gradativamente o doamos; passei todos esses meses acreditando nisso: “os medicamentos por si só não são suficientes”, e algum médico deve ter nos alertado sobre o fato de que a presença da família traz impactos significativos para o paciente. Experimentamos essa sensação, nesse detalhe, diante de tantos riscos, nem mesmo a ciência encontraria a resposta, para nós, o que tem nutrido o coração, o pulmão e todos os órgãos de nosso pai, é nosso amor, nossa fé. Acreditamos piamente que de  pequenas atitudes, de horas incessantes  de oração, na enorme vontade que nosso pai tem em viver, nos ajudam a sentir que temos tido papel fundamental em toda essa história. Obrigada Senhor, por nos oportunizar esse doce mês de novembro, mês de aniversario da Dulce, nossa irmã, pessoa de fibra, fortaleza certa, obrigada pelo dom da vida dela e da vida de nosso pai! Obrigada por  nos dá a condição de transgredir, ousando acreditar que ainda teremos tão agradáveis meses de novembro, dezembro, janeiro...Porque nós não somos exceção, porém optamos por transgredir para o amor, para o otimismo,  para o bem comum.

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