“Para não ferir ninguém”: evite armas, exceda na fé cristã!


Inicio minha reflexão como se estivesse com meu “diário de bordo”, dois de novembro de 2017 , quinta feira, meu último post acabara de ser publicado, todos envolvidos com a triste noticia do desaparecimento da pequena Allana Ludmila, na capital do estado... Novembro que era doce, podendo ser somente Azul para os cuidados e prevenção, ficou muito escuro pelos lutos, pela banalização da vida, pelo excesso da violência!  Levantar cedo nesse dia, e ir levar nossas homenagens aos entes queridos no cemitério local.  Nessa manhã, a Celebração Eucarística nos convoca a sermos solidários com quem está entre nós, a declarar nossa união, fortalecer os vínculos, nos chama a conviver como verdadeiros irmãos, porque não basta chorar a dor da perda...  de inicio não tem como não lembrar do assassinato de nosso irmão Sodré, de ouvir o refrão do bonito hino  “ Me chamaste para caminhar na vida contigo, decidir para sempre seguir-te , não voltar atrás...” São sete anos que ele fora chamado para junto do Pai, sete anos em que lidamos com a perplexa dor da perda, das boas lembranças,  de lembrar que Deus tem se manifestado em nossas vidas nesses quatro anos de fé e oração de nossa  mãe e os cuidados com nosso pai.
Nossa! Minha escrita sobre nosso Novembro, mês da saudade, também mês de festas, de folguedos, de celebrações, lembrei-me de um livro que li há vários anos “Ei, tem alguém aí”?  no livro o autor fala da inocente criança que na expectativa da chegada de  outro irmão, encontra em seu pomar um “ser de outro planeta”, travam diálogo, perguntando sobre diferentes coisas com que convivemos nesse nosso mundo;  e a gente vai crescendo, achando que todas as pessoas que trazem um sorriso largo no rosto são as melhores do mundo, “que são desse mesmo planeta que o nosso”,  nas correrias , ao responder sobre nossos dias , dizemos, “normal, comum, igual aos demais” , porém não há dias iguais! Seria um dia comum para a menina Alana que na ausência da mãe soubera comportar-se para que ninguém a atingisse,   seria muito comum para a inocente Camila na cidade de Teresina quando voltara para casa rotineiramente , fora mais uma vez “a balada” com seu jovem namorado, e seria muito comum para o cidadão Diego Granjeiro naturalizado em Belagua, ter recentemente celebrado a vida do filho, conviver diariamente com alguém, deitar-se, dormir  e exceder-se na confiança; sim muito comum!  Infelizmente, para os três casos, o final foi extremamente trágico! “Há tantas mãos boas por aí enganando a gente”, mãos que se prontificam em abrir as portas, que afiam as facas  ou que apertam os gatilhos,  mãos que rezam e não se doam, que “zelam” por nosso sono, mãos que se articulam tão bem, mãos que se fazem de santas no entanto, usam todos os argumentos tomadas pelo inimigo, dominadas pelos males que detonam a humanidade: a inveja, a ganancia, o egoísmo, os ciúmes exagerados, as vaidades sem fim ! Pedir perdão, voltar atrás em uma decisão, ninguém quer; comprometer-se em ser mais amoroso e gentil com quem precisa é um desperdício, promover um gesto concreto em favor dos mais humildes é um despropósito, exceto se for para as redes sociais... eu diria muito mais e porque sou humana,  também fico dominada pela raiva, pela total indignação,  contudo esbarro na frase do Papa Francisco: Quem sou eu para julgar!? Quem somos nós para dizer que na ausência do amor real, as pessoas vivem umas relações forjadas, encenando sorrisos e prontidão? Quem somos nós para falarmos de tantas outras carências sem quem antes falemos das nossas? Quem somos nós e o que temos semeado ao longo dos caminhos por onde passamos? Quem realmente somos e como tem sido nossas representações?
Nesse quatro de novembro, eu narraria qualquer outra história, porém fui tomada por essa  ingrata surpresa nas redes socais... depois em conversa com uma amiga, quis me situar e poder dar essas respostas:  “EU como tá TU” manifestação de carinho de quem olha para o outro com a fraterna intenção, “eu” está aqui escrevendo pela dor de tantos outros, estou aqui ainda sem acreditar de que TU foste tirado de nosso convívio tão tragicamente, penso que TU deves está no céu perto do Pai que te chamou mais cedo porque tens aí outra missão, penso que TU estás  aí “impressionando os anjos” como a canção que escolheu a jovem na bonita homenagem do vídeo, TU ao chegar na cidade em que tua mãe se naturalizou e ajudou a construir com os demais professores no mínimo te perguntaste: Por que tanto fogos e música  em minha última  despedida? Na escolha da canção de Asa Branca... na harmonia dos sons que misturavam-se com os soluços entalados,  na interlocução TU pronunciavas     “ adeus amigos, guardem consigo meu coração”! Porque todos aqueles que te viram indo e vindo nesses 20 anos  de estada de teus pais, disseram-no de tua alegria, de tua franca amizade, do jeito simples de ser! Doce Novembro Escuro, “a gente” não imaginou que houvesse sangue! Não imaginou que  houvessem lágrimas e tantas dores nessa passagem de aniversario da cidade de Belágua... não imaginou que houvesse tanta perversidade ! Eu o conheci tão pouco, travamos breves diálogos , entre eles, “o fato do carro de nosso amigo em comum , não ter redução de marcha, sorriste com essa desfeita”; de teu respeito, ao dizer que eu havia tirado um longo cochilo naquela reunião, mas que não faria a minha foto! Ei, tem alguém aí que se incomoda contigo, com teu sorriso, com tua espontaneidade, foi o que pensei! “Que terrível arma, querido, valente de Deus, foi usada para paralisar tua fé”? Quem meu irmão, deixou de lado, “a vitória em comum” e não quis mais sondar o coração de Deus?
Li quase todas as mensagens e homenagens, eu também fui ferida brutalmente quando executaram nosso irmão, todos foram atingidos quando tiraram a vida da menina Maisa, da trágica morte de outros inocentes, temos sido todos os dias "executados" por tanta maldade; hoje são sete dias da ausência do filho, irmão, pai amoroso, cidadão benquisto na cidade de Belágua... na residência dos pais, o acolhimento dos amigos e conhecidos, a pronta resposta da mãe, “eu o recebi com fogos e com músicas porque meu filho era alegre demais”, diz que guardará apenas as boas impressões e lembranças, “eu não o vejo morto”; comigo mesma lembrei de uma canção que se parece muito com meu querido compadre , cantada dia 02 de novembro, “amor tão grande , amor tão forte, amor suave, amor sem fim, que a própria morte , transforma em vida... mais do que a morte é mais forte esse amor” assim será porque ele viverá nos corações de homens e mulheres de bem por longos anos, pronunciava-se a irmã. “Para não ferir ninguém, eu vim te procurar, alguém me machucou e eu não pude nem chorar...” Que esse luto que agora sentimos seja nosso substantivo, para que outros irmãos, pais , filhos e amigos acolham a cultura da paz, do exercício da oração! Meus queridos irmãos, com que armas LUTO?




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