Das águas do Rio Mocambo aos encantos do Velho Chico







        Não são apenas as boas aulas de com minha professora “leiga” de História, nem mesmo aqueles cansativos ditados das aulas de Geografia são mais, muito mais e posso desenhar os detalhes das bonitas lembranças que guardo dentro de mim quer seja da primeira viagem em que conheci uma capital do Nordeste quer seja dessa última feita no Doce Novembro passado próximo, mas e Belém...essa será uma nova página. Antes disso, agradecer a Deus porque permite realizar pequenos e grandes sonhos, agradecer a Ele pois tenho uma família que sempre cuidou tão bem de mim, e porque tenho um trabalho do qual posso todos os dias usufruir de benefícios iguais a
esse, da viagem.
     Descobri sobre essa viagem através de amigos, peguei o folder compartilhei, olhei o roteiro, achei no mínimo lindo, convidei mais duas amigas, de igual modo apresentei o roteiro e fomos nós...saímos do Maranhão dia 14 de Novembro já à noite, atravessamos algumas cidades do Piaui, e nosso café da manhã já estávamos em Jijoca de Jericoacoara, um dos atrativos do estado do Ceará, nossa primeira parada seria Fortaleza, Praia do Futuro só para relaxar da longa viagem, contudo se estivéssemos atualizando os “status” grande parte deles teriam sido “dentro do ônibus”, saindo da Capital do Ceará no final da tarde atravessamos pelo menos outros três estados, conhecemos a capital de Pernambuco, avistamos dali a o Centro de Convenções de Olinda e pela janela do ônibus era possível se encantar com as maravilhosas cidades que estávamos conhecendo, orgulhosos com aquele roteiro, pelo menos eu Laurilene, e Noemia, falávamos entre nós que de uma só vez tivemos a chance de conhecer os outros oitos estados do Nordeste ainda nem sonhávamos que nosso encanto maior ainda estava pela frente... e tome viaje até chegar em Aracaju, íamos durante o percurso preenchendo nossos olhos e vocabulários com os nomes das cidades e dos estados do Nordeste brasileiro! Que viagem! Falei via zap com meu irmão que mora em Alagoas, (passou bem aqui perto de mim). Até lá vez ou outra os amigos Edinilson e Carlinhos davam uma espiada no google para sondar quantos quilômetros ainda tínhamos a percorrer ! Sim, já sabíamos que o percurso era longo! Chegamos, avisaram nossos guias! Aleluia! Quando demos conta a nossa guia de Sergipe já estava entre nós! Ellen, era o nome dela; vamos almoçar! Preparei um local bem bacana para vocês, disse-nos! Isso já eram mais de 14:30 ! Dali em diante, ela já começara dizendo quais pontos íamos conhecer: a Orla de Atalaia, a Colina de Santo Antonio, Parque da Cidade, dando uma volta no Teleférico , o moderno Museu da Gente, o Mercado, a Praia, a Croa do Boreu, Canidé , Cânion do Xingó....naquele dia , já quase encerrando fomos apenas à Colina de Santo Antonio, em seguida, para nossas instalações no Hotel, bem próximo do Projeto Tamar, depois jantamos e nos recolhemos.
amigo querido
 amiga linda
       E o outro dia, foi aquele passeio na Feirinha, no Mercado, fomos ao Teleférico menos eu, os demais conterrâneos incluindo dona Jesus, Alessandra e Alexia foram as primeiras, ( a presença da Alexia nos fazia mencionar frequentemente minha pequena Maitê ) fiquei do lado de baixo, me imaginando ali nas alturas morrendo de medo, por mim, fico sem ver essas belezas daqui (pensei)! O dia foi por ali mesmo na capital do Estado, antes de nos deixar, a guia nos alertou, amanhã teremos que sair cedo , para Canidé do São Francisco e de lá iremos conhecer o Cânion do Xingó, “vocês vão amar”, aquele nome soara agora de uma outra maneira, eu verdadeiramente nem sabia que aquele destino seria nossa principal e melhor atração, retratos lindos pude fazer até chegar no encantador local, imagens entristecedoras pelas secas que assolam nossa região, subimos uma pequena serra depois de umas três horas de viagem chegamos ao município de Canidé, dali pude avistar a Usina de Xingó, gigantesco lugar, e nós tão pequenos que somos, diante das maravilhas que Deus nos proporciona e tão grandes retrucando por coisas tão pequenas ! Vi de perto, a suposta pedra de onde o ator Domingos Montagner, (imitando a vida)  havia caído e desaparecido no velho Chico há dois anos atrás ... almoçamos e ônibus mais uma vez até o porto em frente ao restaurante Karrancas para o embarque no catamarã... e eu que achava tão improvável aquele passeio desde a última vez que apenas atravessei de ferry boat a Baía São Marcos indo para São Vicente, terra natal de meu pai! Não hesitei, há coisas interessantes e grandiosas que também posso aprender, dali nossa guia turística a simpática Ellen se separava de nós, outros guias nos esperavam na embarcação; orientações para o embarque, serviços a bordo, músicas temáticas, e olhem para o lado: Pedra do gavião, Morro do Macacao, Pedra do Japonês e a gente ia se envolvendo e se empolgando com a música “deixa a vida me levar, vida leva eu, sou feliz e agradeço por tudo que Deus me deu”, nossa manifestação também de agradecimento; retomadas as conversas entre os amigos, “ a gente” lembra das farofas de infância, lembra dos banhos demorados no rio Mocambo, comenta de que custa tão pouco para ser um pouco mais feliz em nossas imperfeições, perto daqueles paredões quantas sensibilidades em nós são ainda mais tocadas: Por que eu me lembraria das extensões do Rio São Francisco justamente estando entre seus mais belos paredões? A quem interessaria dizer que aquele “Francisquinho” como costumo chamar o São Francisco de devoção de minha mãe, estava ali, numa das paredes e as profundidades das águas beiram aos 200 metros? (Carlinhos se esforçou para fazer a foto) Por que eu falaria que quase dei um vertigem antes de tomar mais uma dose de meu Drammin? E fomos ficando com a canção “eu fico com a pureza das respostas da criança, é a vida, é bonita, e é bonita” ! E cantamos as músicas, e fizemos as fotos com a “cangaceira”, brindamos,  e tomamos o banho no Paraíso do Talhado um dos pontos mais lindos de nosso passeio
Amigo querido
mergulho rápido, (e a voz de papai soava dentro de mim, “correntezas não tem cabelos”) o passeio é literalmente mágico; aquela sensação de “querer e poder” eu cheguei até aqui, e falo por mim e por meus amigos que participaram dessa “aventura” ; as águas do Velho Chico, os paredões e eu estávamos dos mesmos tamanhos! Eu me encantei e cantei o refrão do Francisciquinho  “Senhor , fazei-me instrumento de vossa paz, onde houver ódio que eu leve o amor”! Como sãos passageiros todos os minutos e momentos de nossas vidas, tudo é um sopro! Dava para lembrar  por alguns minutos sem a sensação de medo do trágico acidente envolvendo o ator, e a Lene ainda brincava “ se for um de nós não vira noticia” ! Quantos pescadores teriam ido atrás dos encantos do Chico e também desaparecido? Segundo os guias , nenhum...
amiga linda 
        Não que eu tenha esperado Dezembro para tratar desse momento tão especial , porque nosso retorno de lá, deu-se dia 18 de Novembro, no final da tarde  (dia do aniversário da Dulce) e mais uma vez o status era muito igual, passamos dessa vez em Paulo Afonso _BA, atravessamos outras cidades do Pernambuco, lembranças dos filhos queridos, dos pais, dos irmãos, da esposa amada que já partira, saudades e alegrias se misturavam... somos pessoas comuns, professores,  contribuintes e merecemos instantes assim dizíamos entre nós; fomos aos poucos ficando mais perto de casa, aos poucos ficando "LX", uma linguagem aprendida entre os nordestinos de nosso grupo! Chegamos e minha adorável neta, já me esperava no meio do caminho... e tínhamos tanto para contar , para falar, compartilhar ... dos risos altos, dos encorajamentos, dos noves estados do Nordeste, (pode Pará) das rodadas de cuscuz no café,  ( meu irmão disse que eu não teria nada para contar por conta das doses de Drammin) e eu não esperei Dezembro para tirar mais um dia e ir lá no Povoado São Bento, de origem de nossa mãe, com nossos irmãos Dulce e José Orlando , visitar nossos tios e o quintal de nossos avós, tão pouco deixei o Dezembro chegar para  naquela noite, circular nas ruas da cidade e apreciarmos a música boa de nossos conterrâneos numa seresta beneficente, eu esperei organizar melhor minhas emoções e escrever sobre essa interminável sensação que foi conhecer as águas lindas lá do Xingó, e no dia seguinte o desenho emaranhando da lembrança de meu irmão de quando viajou para Porto Velho há quase quarenta anos... “perdoe eu encher os meus olhos de água” ! E nosso Doce Novembro, cheio das boas comemorações, de aniversários, de participação em importante palestra, de um passeio encantador, foi findando, deixando marcas profundas, de passos melhores e dia 26, na madrugada quando eu levantei para deixar nosso irmão no aeroporto, um outro filho, partira precocemente vítima de um acidente fatal, nossa cidade inteira chorou a mesma dor daquela mãe que de uma hora para outra viu seu Campeão partir, seu time que tinha as cores da esperança, enlutado, prendeu a alegria da vitória! Não aguardemos nosso Dezembro chegar... meu amado Rio Mocambo foi muito bom conhecer os encantos do Velho Chico porque minhas histórias não encerram aqui... tem Belém pelo meio do caminho e é por aqui perto dos meus que celebraremos o Natal!


4 comentários:

Thanaka Soeiro disse...

Deus do céu, que lindooo!!! Descrição fantástica e como não se emocionar com sua emoção que parece ter saído de seu peito para o papel????? Me serviu também como lição e refletir se vale a pena ficar deixando algumas coisas "pra depois". Não, não vale!!!! Obrigada por mais um texto maravilhoso e delicioso de ser lido. Parabéns!!!

Samira Araújo disse...

Uau�� Que lindo! Impossível não se emocionar com essas belas palavras publicadas de uma maneira, que faz- nos imaginar quão lindo foi o passeio����☺

Unknown disse...

Parabéns por mais esse conto que encanta à quem ler, muito emocionante...

Unknown disse...
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