Naquele 28 de maio... para que nosso irmão foi chamado?




"Mês de maio: mês de Maria, mês das mães,  de irmãs e também das filhas  mês de todas nós, construtoras dessa hegemonia ;para uma boa parte da população brasileira que não chega a ser grande maioria ,mês do milagre, da superação da imagem pela fé; na passagem da Santa Mãe Aparecida por nossa cidade, fomos surpreendidos por diferentes gestos de fé, vários pela devoção, outras bem grandiosas pela emoção, e tenho clareza de que não é idolatria. E “veio cantando entre nós , Maria de Deus Senhora de Paz, e veio, orando por nós a Mãe de Jesus” ; reconhecemos Maria como nossa mãe, em praticamente todas as orações que fazemos; na passagem bíblica em João, esta descrita, que Ela estava perto da cruz, essa deve ter sido a pior travessia ! Que dor inimaginável para uma mãe , vendo seu filho crucificado!
A história e o papel de Maria em todos os fatos bíblicos merecem nossa reflexão, o que aprendo, e até minha transgressão ponho aqui, em 2010, por exemplo, quando meu coração endureceu mais ainda devido ao fato da execução de meu irmão cabo Sodré, recebi uma leve crítica por conta de uma publicação que tornou-se pública cujo título era : Por que mataram nosso irmão, porque? Na composição, obedecendo aos descontroles emocionais impus meu olhar unilateral, mais apegada aos valores materiais não me dava conta de que todas as coisas de Deus são mistério, enfatizei minha enorme raiva e incapacidade de exercer o perdão por longos dias! Não havia serenidade em minhas falas, imbricada em minha “razão”, não reconhecia  discernimento em minhas escutas; só tinha olhar para quão trágico havia sido aquele assassinato: era nosso irmão! Mataram-no! Mataram nossas vaidades pessoais! Tiraram a alegria do semblante de nossos pais! Nos diferentes canais e mídias faziam críticas e aberrações a respeito do contexto sobre o qual o crime estava envolvido, e eu não compreendia porque aqueles homens, vestindo as mesmas fardas , quiçá marchassem no mesmo pelotão, porque mascaravam a verdade ! Entendi depois de alguns dias que eu precisaria harmonizar minha fé cristã, entendi através de Maria, nossa mãe, que “Deus envia um filho amado para morrer por nós”, entendi que essa nossa fraqueza humana é provisória porque o Senhor nos mostra que somos fortes e todos temos  dentro de nós um certo dom para a eternidade; entendi e atendi mais uma vez ao pedido de meu pai: não adiantaria brigar com “os poderosos”  ou autores da operação, os males estavam com eles, não entre nós! Entendi que não há necessidade de prever o mal para o outro, é preciso perdoar-lhe. Nessa expressão parecia uma voz materna ao repetir, “ Pai, perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem”! Entendi sobremaneira a cada invocação de uma Ave Maria particularmente nesse mês, o poder da prece, e de quantas vezes a Mãe intercede por seus filhos! Isso são gestos de amor; tem poder de cura e libertação!
Quanto ao fato, depois da brutalidade do assassinato, fomos prudentemente celebrando as missas, na intenção; no apego às orações; por mim, comecei a modificar meus olhares em torno dos sentimentos iniciais, fomos trazendo aos horários de refeições, todas as melhores lembranças; ríamos juntos e ele não deixou de ficar presente entre nós, dos hinos que ecoavam não viraram fantasias  em minha vida“ Deus me trouxe aqui para aliviar o meu sofrimento, Ele é o autor da Fé,”  e era disso , apenas disso que precisávamos naquele momento. Hoje quando escrevo já se passaram sete anos! Sete anos! E temos muita certeza de que não há um só dia que nossa mãe não se lembre de sua presença, e quando o evangelho traz a expressão “até setenta vezes sete” é possível que nos diga: sejam misericordiosos uns com outros; não esgotem dentro de si mesmos as chances de reconciliação! Não deixem de perdoar e esquecer aquilo que pareceu o mal que lhes fizeram! Sei que a realidade é dura demais, custa muito para nós, vermos um ente querido acamado e não se indignar caso não receba o devido atendimento ; dói demais ver um irmão assassinado e antecipar o julgamento  em achar que foi providencial; dói ainda perder pessoas queridas em vida para arrogância ou  nas disputas de poderes! Mas qual de nós estaria isento de pecados “ e atiraria a primeira pedra”? Quem de nós?
Confiantes de que naquele 28 de maio de 2010, pode ter sido ou não uma operação equivocada resultando na execução, pode ter sido um chamado, celebraremos mais um ano de sua passagem para outra vida; confiantes de que outras alegrias temos recebido; a contar, os “bons dias” vindo de nosso pai, quando abre os olhos ao acordar, contar ainda da disposição, da benevolência de nossa mãe e todos os cuidados que tem tido conosco. Minha demanda é essa: pedir em prece à Maria que ilumine nossa vidas,  acalante nossos corações e nos direcione para a prática do bem! E quando o Senhor nos convida a reunir em qualquer templo, pede comunhão e ensina a todos o mesmo mandamento: “Nisto todos saberão que vós sois os meus discípulos; “Amai-vos uns aos outros como Eu vos tenho amado”, para que prova maior de amor do que essa de colocar-se e doar-se ao irmão?  Nos dias atuais, chama-se a isso de tolerância! Todos os destinos são pós, e eu cumpro as ordens de meu coração. Nessas lembranças provoco as lágrimas mas não excluo as alegrias de tantos aprendizados em vida, terei dito: quem tem Deus no coração, não terá tempo de maquinar e em expressões desejar o mal ao outro! “Nossa Senhora escuta o nosso silencio, nossa oração”






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